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Mercado literário no Brasil: livros físicos versus e-books na escolha dos leitores

Mercado literário no Brasil: livros físicos versus e-books na escolha dos leitores

Leitor brasileiro continua a adquirir livros físicos, mas opta principalmente por fazer a compra online
Legenda da foto

Você ainda prefere livros físicos ou já trocou os seus por e-books? Compra presencialmente em livrarias ou pela internet? Estas são reflexões que muitos leitores se fazem durante suas jornadas de compra. Se formos considerar a maioria, podemos dizer que o leitor brasileiro continua a adquirir mais livros físicos do que e-books, mas opta principalmente pela compra online.

Entre 2021 e o ano passado, as livrarias exclusivamente digitais aumentaram sua participação no faturamento, passando de 29,9% para 35,2% do total. Os dados são da pesquisa feita “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro”, conduzida pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), em colaboração com a Nielsen BookData.

Livros impressos têm a preferência

O movimento de compra online não implica em um abandono dos livros impressos. Os livros digitais, também conhecidos como e-books, ainda representam uma parcela relativamente pequena do mercado brasileiro, e a preferência pelo formato impresso tem aumentado significativamente desde 2021.

Segundo o estudo “Trend Tracker Survey 2023,” realizado pela Two Sides, atualmente, 64% dos consumidores preferem a leitura em formato físico, em comparação com 37% em 2021. O levantamento ouviu mais de 10 mil pessoas em 16 países, incluindo um recorte brasileiro com mil entrevistados. Segundo os resultados da pesquisa, apenas 29% dos leitores brasileiros preferem a leitura em dispositivos eletrônicos.

A experiência do leitor é um fator fundamental na hora da escolha. “Ler livros é algo que faço naturalmente há muitos anos, e sempre preferi o formato físico. Não me esforcei tanto para me adaptar aos leitores digitais e à leitura de e-books. Tentei e não gostei. Além disso, existe o prazer de olhar a estante. É ótimo chegar na estante e ver os livros”, compartilha o leitor Alessandreus Ruiz. O leitor Bruno Cardoso também acredita que experiência de compra de um livro físico é mais interessante “Dá uma sensação maior de propriedade e nada como cheirar um livro!”, afirma.

Leia mais: TAG e Dois Pontos: por uma nova experiência de leitura

Adquirir livros em lojas físicas ou online

As vb superaram as das livrarias tradicionais, reduzindo a participação destas últimas de 30% para 26,6%. Consequentemente, o comércio eletrbônico se tornou o principal canal de vendas no mercado livreiro brasileiro. Ou seja, os leitores continuam a comprar livros físicos, porém, essa aquisição ocorre principalmente através da internet.

Preço define o canal de compra

A decisão de comprar online ou em livrarias físicas está frequentemente vinculada ao fator preço, como compartilhado por muitos leitores. A experiência de folhear e explorar livros em livrarias físicas é apreciada, mas a economia muitas vezes influencia a escolha pelo canal de compra.

Ruiz é um leitor que valoriza a experiência em livrarias, mas acaba comprando online pelo preço. “Eu simplesmente adoro entrar em livrarias, vou sempre e passo bastante tempo olhando os livros. No entanto, quando pesquiso o preço do livro que me interessa online, a diferença é muito grande. Você pode encontrar um livro, por exemplo, um livro mais técnico da minha área de TI, por até 50% mais barato do que na livraria física”, afirma.

Se os preços nas livrarias tradicionais fossem mais alinhados com os preços online, isso permitiria uma compra instantânea e espontânea nas livrarias físicas. “O ato de entrar na livraria e sair com o livro na mão é uma experiência muito satisfatória. A única questão é que os preços podem ser um obstáculo”, diz Ruiz.

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Mais tempo gasto em eletrônicos

Nem todos se adaptaram a leitura digital e existem pessoas que não o fazem simplesmente por não querer passar mais tempo usando mais um dispositivo eletrônico. Ruiz conta que no seu dia-a-dia já usa vários dispositivos para realizar outras tarefas, e não se adaptou muito à ideia de ter que pegar um dispositivo dedicado apenas para leitura de livros. “É como se eu associasse com o celular e acabava distraído. Se tentava ler no notebook, chegava uma mensagem, eu lia a mensagem e esquecia o livro. Acredito que também é uma questão de foco”, opina.

Livros digitais X livros físicos

Ambos têm suas vantagens e desvantagens, e a preferência por um sobre o outro é muitas vezes uma questão pessoal. Aqui estão alguns pontos-chave a serem considerados.

Vantagens dos livros físicos

  • Experiência tátil: muitos leitores ainda apreciam a sensação tátil de um livro físico, desde a capa até o cheiro das páginas. Segurar um livro nas mãos é uma experiência que a digitalização não pode replicar completamente;
  • Estética da estante: ter uma estante cheia de livros físicos é uma forma de expressão pessoal e decoração para muitos leitores. Os livros físicos também são frequentemente dados como presentes e podem ser colecionáveis;
  • Menos distrações: para alguns, a simplicidade de um livro físico é uma vantagem. Não há notificações de dispositivos eletrônicos para distrair durante a leitura, permitindo uma imersão mais profunda na história;
  • Compartilhamento físico: emprestar ou compartilhar livros físicos com amigos e familiares é uma prática comum. A experiência de passar um livro adiante cria conexões tangíveis.

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Vantagens dos livros digitais

  • Conveniência e portabilidade: os livros digitais são leves e podem ser armazenados em um único dispositivo, permitindo que os leitores carreguem uma biblioteca inteira consigo onde quer que vão. Isso é especialmente útil para leitores em trânsito;
  • Acesso global: com a digitalização, é possível acessar livros de qualquer lugar do mundo, a qualquer momento. Isso é benéfico para leitores que desejam explorar literatura internacional sem ter que importar livros físicos;
  • Recursos interativos: e-books frequentemente oferecem recursos interativos, como hiperlinks, busca de texto e dicionários embutidos, tornando a experiência de leitura mais enriquecedora e informativa;
  • Publicação independente: autores independentes encontram na publicação digital uma maneira acessível de lançar seus livros no mercado, alcançando um público global sem a necessidade de uma editora tradicional.

O futuro do mercado literário

À medida que o mercado literário brasileiro continua a evoluir, fica claro que as preferências dos leitores desempenharão um papel fundamental na direção que esse mercado tomará. Ambas as formas de leitura podem coexistir e prosperar. O desafio é encontrar maneiras de atender às necessidades e desejos variados dos leitores, equilibrando tradição e inovação. Em última análise, a decisão entre livros físicos e digitais continua sendo uma escolha pessoal, moldada por experiências individuais e preferências.

Enquanto a tecnologia avança e as opções se multiplicam, o mercado literário brasileiro permanece em um estado de evolução constante. Os leitores estão no centro dessa jornada, moldando o futuro da leitura em um mundo cada vez mais digital e conectado. E quem sabe esse futuro não pode ser híbrido? Cardoso comenta que ele gostaria na sua experiência de compra de livros é ter as duas opções ao mesmo tempo. “Poder levar uma versão PDF/kindle do livro vinculado ao físico seria ótimo”, afirma.



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