A MBRF chega ao seu primeiro Natal após uma das maiores fusões do setor alimentício no País. Para a temporada, conta com uma estratégia agressiva de ampliação de mercado e reforço operacional. A companhia consolidou liderança de 60% em aves especiais e 75% no segmento de peru, e viu crescer o número de clientes ativos, hoje próximo de 56 mil (dentro da categoria de comemorativos). É mais que o dobro do valor registrado há três anos.
Para este fim de ano, tradicionalmente o período mais relevante do portfólio, a empresa estruturou o que pode ser a maior operação de Natal de sua história, combinando logística, expansão de portfólio e maior integração entre as unidades de negócio. “Temos feito um trabalho incansável de melhoria de atendimento e de presença e de novos clientes”, afirma Marcos Molina, principal acionista e presidente do conselho da companhia.
Transformando o desafio do Natal em resultado
A operação do Natal exige planejamento iniciado ainda em fevereiro. É nesse momento que a companhia define volume de insumos, número de aves, capacidade fabril e projeções de demanda, além da campanha de marketing. “Temos muito orgulho da capacidade que temos de conseguir transformar desafio em resultado. Eu acho que esse é o grande modelo da MBRF”, diz Manoel Martins, vice-presidente de Negócios Brasil e Marketing. “Nós somos uma companhia, hoje, bastante apoiada por Inteligência Artificial e por conhecimento técnico e funcional de todos os nossos colaboradores.”
Para 2025, a MBRF ampliou em 50% o ativo logístico, com contratação adicional de caminhões, motoristas, ajudantes e promotores de venda. O contingente temporário soma 5 mil promotores, somados aos 6 mil que já atuam durante o ano.
Desde o início do projeto, em 2022, a empresa vem melhorando de maneira consistente sua capacidade de atender à demanda. Houve um avanço expressivo na relação entre pedidos recebidos e entregas realizadas. “De cada 100 pedidos captados, conseguíamos entregar 68. Hoje, avançamos de forma significativa e estamos na faixa de 93 a 94”, observa Martins.
Segundo o executivo, dois terços do negócio de Natal estão no varejo tradicional, como o das grandes redes às mercearias e padarias, enquanto o terço restante corresponde aos kits corporativos, usados como benefício ao empregado em empresas de diferentes setores.
Empresa multiproteína
Um dos efeitos diretos da fusão é a formação de uma companhia multiproteína com capacidade integrada de vendas e distribuição. Em alguns estados, equipes comerciais já trabalham com portfólio completo – bovinos, suínos e aves –, ampliando a presença da marca em novas ocasiões de consumo. Para isso, a empresa usa a força de suas marcas Sadia e Perdigão, trazendo inovações para o portfólio comemorativo, como o Chester Perdigão Semi-Desossado Recheado com Farofa Natalina, o Empanado de Chester Perdigão, o primeiro da linha no formato de aperitivo, e o Meio da Asa e Coxinha Chester Perdigão Na Brasa.
Martins afirma que o ganho de escala se traduz em maior agilidade e simplificação da operação. “Temos uma companhia mais ágil, mais simples e melhor preparada para antecipar necessidades do consumidor.” A empresa também reportou, no último trimestre, crescimento próximo de 9% em produtos processados, categoria que acumula alta de quase 20% desde 2022, refletindo a tendência de conveniência e praticidade no consumo alimentar.

Como o consumidor brasileiro vive o Natal
Todas as decisões de inovação passam pelo Consumer Hub, plataforma proprietária que reúne dados de mercado, painéis com consumidores e aprendizados históricos de consumo. É desse núcleo que vêm os insights que orientam desenvolvimento de produtos e formatos para diferentes perfis de famílias.
Os produtos para 2026 já estão em desenvolvimento e apontam para mudanças relevantes no comportamento do consumidor, principalmente após a pandemia.
A companhia identifica hoje três grandes perfis no consumo de Natal:
- Tradicionais, que mantêm os rituais clássicos e retomaram força pós-pandemia;
- Inovadores, que buscam novidades e novos formatos;
- E os Simplificadores, que priorizam conveniência e porções menores.
O período também se fragmentou em múltiplas celebrações. Segundo dados da companhia, cerca de 40% dos consumidores realizam encontros adicionais além da ceia. Isso amplia a demanda por produtos como petiscos, carnes para churrasco e itens de preparo rápido.
Segundo Luiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da MBRF, marcas como Chester e Peru Sadia ainda têm forte apelo emocional e são determinantes para manutenção do market share em datas comemorativas. “Para se fazer relevante, é importante olhar para diferentes consumidores e atuar em cada um desses alvos para se fazer realmente presente no lar, no forno e no prato desse consumidor.”
Natal é jornada, não apenas a ceia
Um dos insights mais contundentes é que o Natal hoje não se resume à noite do dia 24. Comemorações começam já na montagem da árvore, passam pelos happy hours de fim de ano, amigos secretos, reuniões de família antecipadas e festas paralelas.
- 40% das pessoas fazem celebrações extras entre novembro e dezembro;
- 60% dessas celebrações acontecem entre 18 e 23/12;
- 7 em cada 10 brasileiros passam o Natal em casa;
- 53% dizem preferir churrasco em alguma das celebrações do período.
Além da operação comercial em quatro pilares (sortimento, espaço, preço e ativação), a MBRF monitora semanalmente indicadores internos de NPS (Net Promoter Score), logística e pós-venda. A intenção é elevar a satisfação no período de maior pressão operacional.
Martins observa que o nível de exigência do consumidor mudou: “Um ponto bastante importante do nosso negócio é o atendimento do cliente. Nós estamos focados em atendê-lo muito bem”, pontua.





