Por décadas, a maquininha de cartão cumpriu um papel preciso e limitado: receber pagamentos. Simples, silenciosa, operacional. Agora, o Itaú Unibanco aposta que esse equipamento pode – e deve – fazer muito mais pelo lojista e pela experiência do cliente.
Ele inaugurou o que chama de a primeira maquininha com IA generativa do mercado. Integrando, assim, a nova laranjinha+ à Inteligência Itaú, IA da companhia, diretamente no terminal, sem depender de celular ou qualquer dispositivo externo.
Cobrança por comando de voz
A funcionalidade central, por enquanto, é a cobrança por comando de voz. O lojista fala o valor e a forma de pagamento (crédito, débito ou Pix). A maquininha interpreta, conduz o fluxo e apresenta a cobrança na tela pronta para ser paga. Parece simples. E é justamente nessa simplicidade que reside a ambição do produto.
Estudos realizados ao longo do desenvolvimento da nova funcionalidade mostram forte aderência à proposta: 84,3% dos empreendedores demonstram interesse em uma maquininha com comando de voz, com destaque para ganhos de velocidade. Além disso, 82,5% afirmam que a funcionalidade teria impacto positivo na adoção e uso.
“A evolução da laranjinha reflete a forma como os empreendedores vêm operando seus negócios, cada vez mais dinâmicos e com múltiplas demandas ao mesmo tempo”, afirma Angelo Russomanno, diretor de Recebimentos e Adquirência do Itaú Empresas.
Experiência conversacional e fluida

O Instituto de Ciência e Tecnologia do Itaú (ICTi) conduziu a pesquisa aplicada. O teste envolveu diferentes modelos de linguagem de código aberto treinados internamente, com foco especial na redução da latência de reconhecimento de voz. O objetivo era garantir uma experiência conversacional fluida dentro das exigências de uma operação de varejo em tempo real, onde dois ou três segundos de delay já comprometem a usabilidade.
A busca por uma experiência conversacional fluida no varejo é legítima. Nos últimos anos, varejistas de diferentes portes investiram em assistentes virtuais, totens interativos e atendimento via WhatsApp justamente para reduzir o atrito na jornada de compra.
O que o Itaú propõe é deslocar esse ponto de contato para o momento mais crítico da relação entre lojista e consumidor: o fechamento da venda. A questão técnica central, portanto, não foi desenvolver um modelo de linguagem sofisticado, mas garantir que ele respondesse rápido o suficiente para não quebrar o ritmo natural de uma transação presencial.
A companhia informa que a ativação por voz é pontual, não contínua. A maquininha não fica “ouvindo” o ambiente – o que responde a uma preocupação legítima de privacidade. Além disso, a execução do pagamento mantém os mesmos protocolos de segurança atuais, com confirmação antes da finalização da transação.
O jogo da experiência e serviços agregados
O movimento do Itaú também precisa ser lido no contexto mais amplo do mercado de adquirência. Com o Pix consolidado e a concorrência entre maquininhas cada vez mais acirrada, a disputa saiu do campo das taxas e migrou para o da experiência e dos serviços agregados.
Integrar IA ao terminal, em vez de colocá-la em um app separado, é uma aposta na centralidade do ponto de venda e da maquininha como hub de experiência.
O Itaú informa que a atualização chega por software, sem necessidade de troca de equipamento, com implementação gradual a partir de junho.
“Esse é apenas o começo do uso da IA na adquirência. As próximas evoluções previstas incluem novas funcionalidades de suporte ao lojista e geração de insights sobre vendas”, frisa Adriano Tchen, diretor de Tecnologia do Itaú Unibanco.
A questão que fica para o setor é: o quanto dessa tecnologia realmente muda a vida do lojista e do consumidor? Por ora, o anúncio posiciona o Itaú na vanguarda de uma corrida que, cedo ou tarde, os demais players do mercado deverão entrar.





