Embora a discussão sobre a presença de mulheres em cargos de CEO tenha ganhado destaque nos últimos anos, ainda existe um hiato quando o assunto é mulheres em posição de liderança no alto escalão. No setor de tecnologia, a Amazon Brasil deu um passo à frente ao nomear Juliana Sztrajtman como CEO em janeiro deste ano. Com uma trajetória marcada pela comunicação e pela busca por equilíbrio, Juliana tem um estilo de liderança que ressignifica o papel das mulheres em posições de comando.
Ao assumir o cargo, Juliana fez questão de reforçar sua identidade para a equipe, pontuando primeiro que é mãe de Felipe e André, antes de falar sobre seu papel como CEO da Amazon. Seu discurso, firme e ao mesmo tempo sutil, foi intencional para que os colaboradores pudessem perceber seu estilo de liderança, modelo valorizado pela Amazon.
Juliana assume a Amazon Brasil em um momento desafiador, com a crescente concorrência de marketplaces chineses que investem massivamente em marketing e expansão das operações no país. No entanto, ela não está sozinha nessa missão. “Na Amazon, temos mulheres que eu sei que querem fazer a diferença e já fazem hoje em diversos sentidos, seja nos negócios, nas pessoas é um orgulho fazer parte mesmo”, diz.
Liderança com equilíbrio
Formada em Comunicação, Juliana acredita na intencionalidade como parte essencial de sua mensagem. “Minha liderança é sobre equilíbrio. Essa é a palavra”, afirma. Para ela, ser uma boa líder significa manter a firmeza necessária para tomar decisões estratégicas e, ao mesmo tempo, cultivar um ambiente respeitoso e inclusivo. “Liderar é olhar para os números, entregar resultados e bater metas, mas também se preocupar com as pessoas que fazem isso acontecer todos os dias”, destaca.
Sztrajtman também rejeita a ideia de que equilíbrio significa fazer tudo de forma perfeita e simultaneamente. “Às vezes estaremos mais de um lado, outras vezes mais do outro. E está tudo bem, equilíbrio é sobre encontrar harmonia ao longo do tempo. Só é possível equilibrar porque trabalhamos em equipe, com muitas pessoas e um time diverso que se complementa”, explica Juliana. “Só assim é possível alcançar o equilíbrio”.
Com experiência na própria Amazon iniciada em 2017, a executiva saiu para atuar na Johnson & Johnson antes de retornar à empresa em 2022. Sua nomeação como CEO é um reconhecimento de sua carreira, mas também a confirmação de que mulheres podem liderar grandes corporações sem abrir mão de sua identidade e valores.

Expansão da Amazon no Brasil
A Amazon tem o Brasil como um de seus mercados prioritários, investindo significativamente para ampliar sua presença. Hoje, a empresa oferece mais de 150 milhões de produtos no país e busca expandir ainda mais esse número. Além disso, a Amazon tem ampliado sua malha logística para acelerar as entregas. Atualmente, a empresa opera 12 centros de distribuição e 150 polos logísticos, garantindo entregas em todos os municípios brasileiros. Em 200 cidades, os produtos chegam em um dia; em outras 1.300, em até dois dias.
“A Amazon é uma empresa que respira execução e melhoria contínua. Sou detalhista, gosto de ver como as coisas são feitas e aprender com cada detalhe. E pensamos no Brasil com uma visão de longo prazo. Estamos em um momento muito, muito especial para Amazon no Brasil”, afirma.
O Brasil, aliás, é estratégico para a Amazon globalmente, segundo a CEO. “Temos um enorme potencial de clientes. Para atender essa demanda, estamos investindo forte: expandindo nossa malha logística, contratando mais pessoas e melhorando a experiência de compra. Hoje, entregamos em todos os municípios do país e queremos ser ainda mais rápidos.”
Mulheres no ambiente empresarial
A Amazon aderiu ao Movimento Mulher 360, associação independente sem fins lucrativos que tem como objetivo ampliar a participação das mulheres no ambiente empresarial, na cadeia de valor e na comunidade.
“Acreditamos que este é um trabalho diário e super importante, então continuaremos investindo em ações que refletem os clientes que atendemos, ajudem nossas equipes a crescerem, prosperarem e se conectarem, e continuamos dedicados a oferecer experiências inclusivas para clientes, funcionários e comunidades ao redor do mundo”, pontua Juliana.
Para se ter uma ideia, fornecer às mulheres as mesmas oportunidades econômicas que os homens poderia adicionar aproximadamente US$ 12 trilhões (cerca de R$ 67,5 trilhões) ao PIB global até 2025, um aumento de 11%, de acordo com estudo realizado pela McKinsey Global Institute. “Por sermos uma empresa global que atende centenas de milhões de clientes, estamos comprometidos em construir equipes de trabalho e uma cultura que reflita a diversidade nas comunidades que atendemos”, comenta Sztrajtman.





