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CM Entrevista: “Não há futuro sem o cliente”

CM Entrevista: “Não há futuro sem o cliente”

Referência na experiência do cliente, Andrea Carpes lidera a transformação digital e humanizada de um banco centenário que tem como lema ser "Feito de Futuro"
Andrea Carpes, diretora de Atendimento do Itaú Unibanco, recebe homenagem nos 30 anos da Consumidor Moderno.
Andrea Carpes, diretora de Atendimento do Itaú Unibanco, recebe homenagem nos 30 anos da Consumidor Moderno.
Foto: Consumidor Moderno.

Um dos nomes mais respeitados em Customer Experience é Andrea Carpes. Com três décadas de dedicação à área, ela se tornou referência no assunto e está liderando a experiência do cliente em um banco centenário que tem como lema ser “Feito de Futuro”. Sua liderança é sinônimo de um atendimento de qualidade, combinando uma estrutura robusta de dados, Inteligência Artificial e, acima de tudo, humanização.

No contexto atual, o consumidor está cada vez mais empoderado, desejando acessar serviços de qualidade no momento e canal de sua preferência. Esse novo paradigma exige uma integração total entre os canais de atendimento, proporcionando uma visão unificada das necessidades do cliente. O desafio é grande: antecipar demandas e oferecer soluções personalizadas de forma ágil.

Foi com esse olhar voltado para a inovação que o Itaú Unibanco adotou o slogan “Feito de Futuro”, ao completar 100 anos em 2024. No atendimento ao cliente, essa visão se traduziu em uma verdadeira transformação.

Para Andrea Carpes, diretora de Atendimento da instituição, o futuro do atendimento ao cliente está na perfeita combinação entre tecnologia e proximidade.

Homenageada nos 30 anos da Consumidor Moderno, ela conversou com exclusividade para o portal. Confira!

Do que é feito o futuro

Consumidor Moderno: O Itaú Unibanco se posiciona como um banco “feito de futuro”. Como você enxerga o papel da experiência do cliente nessa construção? 

Andrea Carpes: Para nós, não há futuro sem o cliente, e isso se reflete nas entregas que fazemos a cada cliente. Temos equipes dedicadas à experimentação, com a participação dos próprios clientes para validar as inovações antes de colocá-las em produção.

Além disso, temos equipes de Customer Experience e User Experience em todas as áreas, tanto no digital quanto no atendimento humano, para entender qual é o processo de menor esforço para o cliente, dado o processo que precisamos executar.

Nos últimos anos, os indicadores de atendimento passaram a medir esforço e satisfação do cliente, em vez de apenas indicadores operacionais. Uma coisa que aprendemos, que só medir a satisfação não responde tudo. Medir o esforço nos ajuda a entender quanto tempo o cliente leva para resolver um problema, desde o primeiro contato até a resolução final. Essa é uma medição de esforço que tem sido muito útil até para a gente revisar nossos processos.

CM: Qual foi o momento mais desafiador de sua trajetória liderando o atendimento do Itaú e como você superou esse desafio? 

Eu trabalho com atendimento há mais de 30 anos. Comecei na época em que o atendimento era feito exclusivamente por telefone, e as possibilidades de acesso do cliente eram bastante limitadas. Ter acompanhado essa transformação tecnológica – em que hoje nos comunicamos com o cliente pelo WhatsApp, pelas redes sociais e também pelos canais tradicionais, como chat, telefone e e-mail – é, ao mesmo tempo, desafiador e fascinante.

Lembrar de como eram as possibilidades há 30 anos e, hoje, poder interagir com o cliente no canal de sua preferência, de forma instantânea, trocando não apenas informações, mas também imagens, é uma grande evolução. Agora, ele pode escolher por onde e a que horas quer falar conosco, já que o atendimento funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Naquela época, era restrito ao horário comercial, das 9h às 18h.

Ter vivenciado essa transformação na indústria de atendimento e continuar atuando nela até hoje é um grande desafio, mas também extremamente estimulante. Além disso, quanto mais digital o banco se torna, mais importante fica a presença do atendimento humano, especialmente para questões realmente críticas. Por isso, adaptar o perfil do agente de atendimento a essa nova realidade também é um desafio constante.

IA e humanização

CM: O banco equilibra uma estrutura complexa e, ao mesmo tempo, robusta de dados e Inteligência Artificial com um atendimento humanizado. Como garantir que a tecnologia fortaleça, e não substitua, a conexão com os clientes? 

No Itaú, a tecnologia vem para ajudar a conexão com os clientes. Somos um banco que integra a experiência física e digital, permitindo que o cliente escolha o canal de comunicação que preferir: agências físicas, telefone, chat, app, assistentes virtuais, entre outros.

Um dos grandes investimentos recentes é a utilização de Inteligência Artificial para apoiar os agentes humanos, fornecendo dados e informações necessárias para resolver problemas de forma rápida e eficaz. Isso reduz o esforço e o tempo de atendimento do cliente. Então, temos usado IA para ajudar o humano a ser mais humano e conseguir realmente investir o tempo dele na empatia com o cliente, porque os dados, o processamento, teremos uma tecnologia fazendo pelo humano.

CM: A experiência do cliente no setor financeiro evoluiu significativamente nos últimos anos, com o Open Finance e novas fintechs. Como o Itaú se mantém relevante e competitivo nesse cenário? 

Mudando o nosso mindset, de fato, e garantindo que o banco inteiro esteja pensando no que gera valor para o cliente e em como que a gente evolui não só as nossas tecnologias, como os nossos processos.

A questão da hiperpersonalização que todo mundo fala tanto, é difícil de ser feita. Afinal, qual o momento ideal da hiperpersonalização? Não é quando o cliente vem procurar a gente, mas sim, quando conseguimos, de maneira proativa, procurar o cliente antes que um problema aconteça.

Na hora que reconhecemos que houve algum evento que mudou a relação normal dele com o banco, por exemplo, como é que proativamente a gente consegue entender o que acabou de acontecer? Isso faz parte do nosso investimento em curso.

Ouvir o cliente

CM: Se você pudesse deixar um único aprendizado para as futuras gerações de profissionais que desejam transformar o atendimento ao cliente, qual seria? 

Ouçam o cliente, pois ele está muito presente na área de atendimento. Essa área precisa ter a missão de repassar para toda a instituição o que o cliente está nos dizendo. Essa é a missão da área de atendimento.

Além disso, a equipe deve conseguir comunicar a cada colaborador da empresa: “Olha, o teu produto agrada, é muito bom para o cliente nisso, mas está falhando naquilo”. O cliente oferece esse presente para a área de atendimento. Quando ele separa um tempinho do dia para nos ligar, mesmo que seja para reclamar de algo, isso é um presente. Ele nos dá a oportunidade de dizer: “Olha, não estou gostando disso, isso não está funcionando”.

Sempre digo: enquanto o cliente está falando conosco, temos a oportunidade de resolver o problema e de reter esse cliente. No dia em que ele parar de falar com a gente, é porque já foi embora.

Por isso, o que digo para todos que querem trabalhar com atendimento é: aprendam a ouvir o nosso cliente. Ele nos traz muitos presentes todos os dias com o que nos fala.

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