A Inteligência Artificial está mudando a lógica do ensino, e um dos maiores impactos no setor é a comoditização do conteúdo. Se antes as instituições eram guardiãs do conhecimento, agora qualquer pessoa pode acessar materiais em múltiplos formatos, em qualquer lugar e a qualquer hora.
“Cada vez mais o conteúdo deixa de ser o enorme diferencial. A verdadeira oportunidade está em entregar engajamento e relacionamento”, destaca Renato Cagno, diretor de Tecnologia do CNA.
No debate levantado no painel IA aplicada à Educação: transformando conhecimento em negócio escalável, no CONAREC 2025, o executivo lembra que a IA, quando usada para aliviar a carga administrativa de professores e equipes, abre espaço para que a atenção se volte ao que realmente importa: “a conexão com os alunos”.
Eficiência e personalização no ensino
Na Cogna Educação, a aplicação prática da Inteligência Artificial já mostra ganhos de escala. A tecnologia vem sendo usada para automatizar tarefas operacionais e liberar o tempo dos profissionais de ensino para a “interação de qualidade” com os estudantes.
“Hoje, conseguimos desonerar cerca de 60% do tempo administrativo dos tutores, como correção de trabalhos e provas. Isso devolve a eles o papel mais nobre: orientar e apoiar o desempenho dos nossos alunos”, explica Tatiana Rhinow, sócia e diretora de Experiência do Cliente da companhia.
A executiva reforça ainda o poder da personalização proporcionada pela IA. “Cada aluno aprende de um jeito, no seu ritmo. Nessa perspectiva, a IA permite adaptar a jornada de aprendizado em tempo real, respeitando preferências e necessidades individuais”, complementa.
Dados e governança como base
Os convidados lembram que a IA só se torna viável quando apoiada em bases sólidas de dados. Para a mediadora do painel, Tania Zahar Mine, CEO da Trade Design, “o importante é estruturar informações e dar voz aos diferentes agentes do ecossistema educacional”.
O debate avançou para os desafios da implementação da tecnologia sem preparo adequado.
“Sem dados estruturados, a personalização não acontece. E sem governança, o risco é espalhar soluções desconectadas. É preciso organizar os repositórios, proteger informações e estabelecer políticas claras para treinar os agentes de IA”, alerta Renato. “No CNA, 70% dos alunos são crianças e adolescentes, o que exige responsabilidade redobrada. Não podemos permitir que uma IA ensine algo errado. Governança é fundamental para garantir ética e qualidade em cada interação”, conclui.





