A Frimesa vive um novo capítulo de crescimento. Com faturamento superior a R$ 7 bilhões em 2025, a cooperativa paranaense inicia a chamada “terceira onda de evolução” com uma meta ambiciosa: dobrar de tamanho e alcançar R$ 15 bilhões até 2032.
O plano combina expansão territorial, reposicionamento de marca, canais de distribuição omnichannel e uma estratégia mais orientada ao consumidor. Como parte desse movimento, a empresa inaugura novos escritórios comerciais em São Paulo e no Distrito Federal. Hoje, São Paulo representa cerca de 17% da receita da companhia. A meta é dobrar esse volume e elevar a participação no estado de 2,5% para 4,5% até 2030.
“São Paulo é o coração do consumo no Brasil. Estar aqui nos permite ouvir o varejo em tempo real, ganhar agilidade logística e garantir protagonismo nas gôndolas”, afirma o superintendente Comercial Rodrigo Fossalussa.
Consumo em transformação
A aposta da Frimesa está diretamente ligada a uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. Com a carne bovina mais cara em determinados períodos, a carne suína tem ganhado espaço como alternativa mais acessível no consumo das famílias.
“Quando a carne de boi sobe, ela puxa o consumo da carne suína. Já o frango tem menor elasticidade, porque o consumo per capita já é elevado”, explica Elias José Zydek, presidente da Frimesa.
Apesar do consumo de alimentos estar estável no Brasil, pressionado pelo poder de compra, o preço segue como fator decisivo. Nesse cenário, a suinocultura aparece como uma opção competitiva.
“Existe um potencial muito grande de consumo interno. Acredito em um futuro promissor, que vai depender da nossa capacidade de mostrar ao consumidor o que é uma carne saudável e como a proteína se posiciona como a fonte que ele busca”, destaca Elias.
Além disso, a companhia aposta no avanço das exportações, sustentado pela competitividade do Brasil no mercado global e pela abertura de novos destinos comerciais.

Vantagem cooperativista
Parte importante dessa expansão está ancorada na operação da unidade de Assis Chateaubriand (PR), considerada a maior planta de processamento de suínos da América Latina. Com isso, a capacidade produtiva da Frimesa deve chegar a 23 mil suínos industrializados por dia.
O modelo cooperativista também é apontado como diferencial competitivo. A central reúne cinco cooperativas filiadas: Copacol, C.Vale, Copagril, Lar e Primato, além de milhares de produtores integrados. Atualmente, é a quarta maior empresa brasileira no abate e processamento de suínos, com mais de 560 produtos e cerca de 48 mil clientes em diferentes canais. A companhia está atrás de MBRF, Aurora e JBS, por meio da marca Seara.
“Nossa força está na intercooperação. Temos controle de toda a cadeia, do grão à industrialização, sem camadas de pressão entre os elos. Nós somos um corpo de cooperação dentro dessa cadeia. Isso nos dá vantagem de custo de produção”, diz Zydek.
Rebranding e foco na jornada do consumidor
A expansão física vem acompanhada de um reposicionamento de marca. O novo rebranding busca traduzir a evolução da companhia e fortalecer a conexão com o consumidor final.
“A proposta é comunicar uma marca mais moderna, sem perder a essência. Queremos reforçar que somos um ecossistema que combina tradição, qualidade e inovação com a praticidade que o consumidor atual busca”, afirma Eduardo Rizzo, gerente de Marketing da Frimesa.
Esse movimento inclui também uma revisão completa do portfólio, com foco em saudabilidade e no conceito de “comida de verdade”. Produtos com formulações mais simples e naturais ganham destaque no portfólio, como itens com menos ingredientes ou livres de aditivos desnecessários.
A empresa também estuda reforçar sua atuação com suporte nutricional especializado para desenvolver novas soluções alinhadas às tendências de consumo, que incluem maior preocupação com saúde e bem-estar.
Construção de marca
Para sustentar o crescimento, a Frimesa reconhece que precisa ir além da produção e investir na construção de marca. Um dos desafios é reduzir barreiras ainda existentes no consumo de carne suína, como a preferência por produtos congelados ou percepções equivocadas sobre qualidade.
“Existe um trabalho importante de comunicação para mostrar que a carne suína é saudável, rica em proteína e pode fazer parte do dia a dia do consumidor”, afirma Zydek. A empresa implementou o programa de certificação de propriedades (“suíno certificado”), assegurando o bem-estar animal, segurança alimentar, rastreabilidade e proteção ambiental.
Além disso, a estratégia inclui também ampliar a presença de cortes resfriados no varejo, atendendo a uma demanda crescente por produtos frescos.
Pressões externas e impacto nos custos
Apesar das perspectivas positivas, o cenário macroeconômico e geopolítico impõe desafios. A guerra no Oriente Médio já gera impactos indiretos na operação, especialmente no aumento dos custos logísticos e de insumos. O consumo de carne suína é estritamente proibido no Alcorão, mas Elias afirma que já sente de forma indireta os impactos.
“Há reflexos no aumento de custos: hoje, não apenas os navios que vão para o Oriente Médio, mas as operações marítimas como um todo ficaram mais caras.”
O frete marítimo sofreu reajustes com a criação de taxas adicionais, enquanto o encarecimento do petróleo pressiona diretamente o preço das embalagens plásticas, que já registram alta de até 25%, segundo Elias.
“O aumento do combustível e dos insumos chega rápido na indústria e, inevitavelmente, tende a impactar o consumidor”, afirma o presidente. “Vai dar efeito no consumidor. O efeito da guerra já existe e é imediato. Isso é custo na veia. Como as indústrias e a produção não têm essa margem para absorver, vai passar nos preços. Isso é líquido e certo.”





