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Fintechs e bancos digitais precisam investir em educação financeira

Fintechs e bancos digitais precisam investir em educação financeira

Novos formatos no mercado financeiro trazem uma relação diferente com o dinheiro e abrem espaço para o conhecimento sobre o assunto

O termo “educação financeira” tem sido cada vez mais citado. Uma explicação para isso está na maior inclusão financeira da população, oportunidade trazida especialmente pelo surgimento de fintechs e bancos digitais. Em paralelo, crises econômicas aumentam a atenção dos consumidores para a necessidade de entender melhor sobre finanças pessoais.

Ao aumentar a penetração de serviços financeiros em um país onde o percentual de endividados é de 66,5%, segundo estudo da CNC, essas fintechs e bancos digitais acabaram se tornando agentes importantes para uma maior consciência financeira dos consumidores brasileiros.

A importância da educação financeira

A educação financeira nada mais é do que o ensino sobre tudo o que envolve dinheiro. Muito além de abordar a economia doméstica, é preciso incentivar também o entendimento sobre investimentos e mercado.

Quem diz isso é o Banco Central do Brasil, que fornece inúmeros conteúdos voltados à educação financeira, desde e-books até planilhas e minicursos. O conteúdo produzido pelo Bacen tem objetivo de promover maior entendimento das pessoas sobre dinheiro no geral, mas foca bastante na economia doméstica.

Isso porque entender sobre esse assunto é o primeiro passo para ter uma relação melhor com o dinheiro, entendendo como planejar gastos e evitar endividamento, por exemplo. Por isso, a educação financeira ganha esse papel importante tanto para a saúde financeira dos brasileiros quanto para a própria economia.

Mas a instituição governamental não está sozinha nessa jornada. As fintechs e bancos digitais chegaram mudando a maneira como as pessoas enxergam o dinheiro e os investimentos e acabaram assumindo, mesmo que, às vezes, sem querer, esse papel na educação financeira brasileira.

Fintechs, bancos digitais e a mudança da relação com o dinheiro

“Essas instituições conquistam aquelas pessoas que não se identificam com os bancos tradicionais. Também fazem a inclusão no mercado financeiro de um grupo chamado de ‘não-bancarizados’, que somam mais de 35 milhões de pessoas”, diz Alessandro Silva, head de produto e marketing da Keycash, fintech de crédito com garantia em imóvel.

Conseguir atrair até as pessoas que antes não se interessavam em cuidar do seu dinheiro tem uma explicação: a facilidade e simplicidade na hora de resolver problemas ou entender melhor sobre finanças. A partir da tecnologia e da inovação, essas instituições conseguem oferecer novas ferramentas e serviços voltados especificamente para esse público que antes se sentia excluído ou pouco interessado pelo assunto.

“As fintechs tendem a olhar de forma diferente para o consumidor, focando em dores específicas, e resolvendo com muita tecnologia, de forma simples e inovadora, problemas antigos dos clientes dos bancos tradicionais”, explica Alessandro Silva.

Segundo ele, essa transformação digital simplifica o acesso a produtos de investimento e de crédito, fazendo com que mais pessoas pensem em poupar e comprar de forma consciente.

E tudo isso é incentivado a partir da própria educação financeira promovida pelas fintechs e bancos digitais. Afinal, conseguindo, finalmente, entender as “regras do jogo”, fica mais fácil ter interesse em participar da partida.

Para Felipe Chanes, economista e controller do Pravaler, plataforma de soluções financeiras para educação, “as fintechs têm atraído o público mais jovem para, no mínimo, se informar sobre os tipos de serviços que elas oferecem. A estratégia de divulgação aliada às redes sociais e o atendimento, em sua maioria, 100% digital, são elementos chave para facilitar o acesso do público geral às informações sobre serviços como conta corrente, cartão de crédito, empréstimos, financiamentos e investimentos”.

Tanto para Felipe Chanes quanto para Alessandro Silva, as redes sociais têm um grande papel nisso, já que as pessoas passam muito tempo nesses aplicativos, tornando-se algo cotidiano e de fácil acesso.

“Para atrair a atenção de potenciais clientes, as fintechs postam uma quantidade relevante de conteúdos nas redes sociais, como vídeos e textos rápidos com explicações sobre seus produtos e como eles afetam o cotidiano das pessoas. Esse tipo de abordagem pode estimular o público a procurar maiores informações sobre os temas abordados, por exemplo”, explica o controller do Pravaler.

Por que investir em educação financeira?

Essa maior proximidade com os clientes, uma maneira descomplicada de explicar termos financeiros e a facilidade de uso são alguns dos potenciais das fintechs que atraem cada vez mais pessoas para elas.

“A ideia de trazer soluções mais simples, sendo cada vez mais prático controlar os gastos, fazer aplicações e até realizar um planejamento financeiro eficiente e flexível em poucos minutos, mostra que a relação com o dinheiro pode ser mais simples e prática, quebrando as barreiras entre as instituições financeiras mais antigas e seus clientes”, opina o economista.

Entretanto, a educação financeira também tem seu papel nisso. Isso porque, para os especialistas, o primeiro passo para entender de finanças é ter esse interesse, que é criado pelo conteúdo dessas instituições, principalmente nas redes sociais.

Ao promover a educação financeira, as fintechs e os bancos digitais, portanto, atraem cada vez mais pessoas para sua instituição e, mais do que isso, criam uma relação de confiança entre cliente e banco – essencial para qualquer relação envolvendo dinheiro.

Para Felipe Chanes, adquirindo conhecimento sobre finanças, as pessoas tendem a utilizar melhor os recursos disponíveis, assim como suas possibilidades de uso de crédito, por exemplo. “Ainda vemos muitas pessoas que só de ouvir ‘investimentos’, já pensam que aquilo não é para elas. Há um público grande que pode ser conquistado através da educação, que é a maneira mais sustentável de incentivar as pessoas a utilizarem os serviços oferecidos pelas fintechs, além de influenciar positivamente toda a cadeia na qual esta pessoa está inserida”, explica.

Dessa forma, ao utilizar a facilidade e a simplicidade, essas novas instituições conseguem promover mais educação financeira tanto para seus clientes quanto para as pessoas no geral, que, consequentemente, criam maior interesse no assunto.

Isso por si só já é visto como benéfico: contribui com a saúde financeira das pessoas e promove essas instituições que tornam a relação com o dinheiro menos complicada.

Como a educação financeira pode contribuir com a sociedade

A educação financeira é vista pelo Banco Central como primordial para o crescimento social e econômico do país. Entretanto, esse conhecimento sobre finanças ainda está longe de ser algo democratizado, na opinião do controller da Pravaler, que salienta as grandes diferenças econômicas existentes entre as regiões do Brasil.

“O tema passou a ser abordado na educação básica somente em 2020. Acredito que faz parte do papel social das fintechs estimular seu público a aprofundar os conhecimentos sobre o tema e como a educação financeira pode contribuir positivamente para a sua vida, com escolha de produtos e serviços que sejam adequados à sua realidade”, explica.

Por isso, ele acredita que um dos papéis das fintechs é estimular o público a aprofundar conhecimentos sobre esse tema e contribuir positivamente para a sociedade ao estimular a educação financeira.

Alessandro Silva vai além. O head de produto e marketing da Keycash afirma que essas instituições têm um papel ainda maior ao promoverem a educação financeira: “serem agentes de mudança no setor como um todo”.


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