Pesquisar
Close this search box.
/
/
Excesso de sódio é problema social

Excesso de sódio é problema social

Diminuir a quantidade de sal deve partir do governo, como regra, da indústria, como produtora, e da população, quanto consumidora

Sódio, açúcar, transgênicos, organismos geneticamente modificados, gordura trans. As substâncias ?do mal? no momento e o relacionamento de grandes indústrias alimentícias com elas. Afinal, se elas fazem mal, por que as empresas continuam usando? O que mudou desde que descobriram seus malefícios? Como essas companhias lidam com o fato delas causarem problemas à saúde?

O Consumidor Consciente contatou as empresas Unilever, PepsiCo e Nestlé para responder a essas e outras perguntas relacionas à sua saúde. O primeiro assunto deste Especial Alimentação é o sódio.

No Brasil, o consumo médio de sódio excede em mais de duas vezes a ingestão máxima recomendada pela OMS ? de 2g por dia. Mesmo que grande parte dessa ingestão seja realizada ?por vontade própria?, no preparo de alimentos, outra parcela disso se deve aos alimentos processados.

Para tentar amenizar a situação, o governo criou o Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados, um compromisso firmado pelo Ministério da Saúde e Associação das Indústrias da Alimentação (Abia). De 2011 até 2014, o consumo de sódio diminuiu em 7.652 toneladas, segundo dados do ministério divulgados no mês passado. A meta do governo é atingir a retirada voluntária de 28.562 toneladas de sal do mercado.

Leia também: Alimentação não saudável mata mais do que o tabagismo

O plano é apoiado nos seguintes eixos:
1.    Redução voluntária dos níveis de sódio nos alimentos processados e alimentos comercializados;

2.    Aumento da oferta de alimentos saudáveis;

3.    Rotulagem e informação ao consumidor.

O problema é que parte dos produtos já estava dentro das metas antes do início do acordo.

Ainda assim
Segundo Érika Salgado, diretora da categoria de Salgados da PepsiCo, a companhia é, desde 2011, signatária do acordo com o Ministério da Saúde que objetiva reduzir progressivamente o sódio em determinados alimentos. ?Mesmo antes desse movimento, a empresa, em 2006, deu início voluntariamente a um processo de redução de sódio no seu portfólio. As iniciativas já permitiram reduzir o sódio em 40% na marca Fandangos, em 38% em Cheetos, em 27% nos produtos da linha Ruffles e, na marca Doritos, a diminuição chegou a 30%?.

Na Unilever o compromisso é dobrar, até 2020, a proporção do portfólio que está de acordo com padrões nutricionais, baseados em orientações sobre dietas globalmente reconhecidas e em 2014, a companhia alcançou a redução de  sal em 28,4% de todo o seu portfólio de alimentos.

 ?Nossas frentes de nutrição se organizam em torno de três iniciativas: o Programa de Aprimoramento Nutricional (NEP, ou Nutrition Enhancement Programme), a Estratégia de Redução de Sódio e a Política de Fortificação de Alimentos. A Estratégia de Redução de Sódio existe desde 2009 e propõe metas específicas para disseminar o padrão de ingestão diária máxima de 5g de sal como padrão de consumo?, conta Isabella Rizzo, gerente de marketing da marca Knorr.

Em 2005, a Nestlé introduziu uma política interna para reduzir o conteúdo de sódio em seus produtos de forma significativa, como parte do compromisso em melhorar constantemente o conteúdo nutricional de seu portfólio. Entre esse ano e 2012, foram retiradas globalmente 14.043 toneladas de sódio de suas receitas. Em 2013, esta política foi fortalecida para acelerar a redução de sódio, em apoio ao objetivo estabelecido pela OMS de não mais do que 2g de sódio por pessoa, por dia, em 2025.

Leia também: Ser saudável vai além da alimentação

Em 2014 a política interna da Nestlé foi atualizada com o objetivo de reduzir o teor de sódio em 10% ? sobre o volume de vendas ? em seu portfólio ao longo de três anos ? 2014-2016.

Menos sal até amanhã, por favor
O fato é que, como a importância na diminuição da quantidade de sódio ingerida diariamente é algo deste século, a cultura do brasileiro é sim a de ingerir sal a gosto ? a gosto de cada um! Portando, o governo precisa fazer mais campanhas relacionadas a esse hábito e a indústria tem a responsabilidade, sim, de diminuir a quantidade da substância em seus produtos.

Porém, essa alteração na produção do alimento não é tão simples quanto parece. Mudar o gosto de algo que as pessoas estão habituadas a comer não pode ser feito do dia para a noite, de uma só vez. ?A redução de sal em alimentos não é uma tarefa fácil e nem tampouco existem regras exatas para cumpri-la, uma vez que este ingrediente não está relacionado apenas ao gosto salgado, mas também exerce outras funções no produto?, comenta Isabella Rizzo.

?O sabor constitui um fator crítico que influencia a aceitação dos alimentos pelos consumidores e, desta forma, a redução pode impactá-la diretamente e de forma negativa, já que este ingrediente está relacionado ao sabor global dos alimentos do qual faz parte. O desafio é reduzir o sal sem a percepção do consumidor?. Isabella conta que existem algumas técnicas para superar esse desafio: a simples redução (diminuição gradual); uso de outros sais (cloreto de potássio, por exemplo), ácidos (cítrico, succínico, etc.), aminoácidos (arginina, glutamanto), adição de aromas, ervas e especiarias, entre outras.

?Fazemos diversas análises, estudos e experimentos para buscar diminuir constantemente a quantidade de sódio em nossos alimentos. A grande dificuldade que enfrentamos é alinhar os avanços técnicos à manutenção do sabor característico dos produtos, fortemente reconhecidos por nossos consumidores devido à tradição das marcas?, afirma Érika Salgado, PepsiCo.

?Outro desafio é comparar as técnicas e suas combinações de forma a obter o melhor custo benefício para os consumidores. Diversos protótipos são desenvolvidos e avaliados internamente pela equipe de Pesquisa e Desenvolvimento através de testes relacionados à formulação, processo de fabricação e aplicação de produtos, seguindo as receitas dos nossos consumidores e dos nossos Chefs de Cozinha?, detalha Isabella.

Leia também: 10 dicas para ter uma alimentação mais saudável

Em 2003, a Unilever lançou o Programa de Aprimoramento Nutricional a fim de melhorar a qualidade dos alimentos e bebidas da companhia e, desde então, todos os produtos passam por uma análise de concentração de quatro nutrientes prioritários: sódio, açúcar, gordura saturada e gordura trans. ?A partir de 2005 foram reduzidas substancialmente as concentrações desses quatro nutrientes no portfólio e o programa continua a impulsionar melhorias nos já existentes e em futuras inovações?, conta Isabella.

Fiscalização
Cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por legislação, fazer o monitoramento de todos os produtos que estão no mercado, inclusive aqueles abarcados pelo último acordo, geralmente sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). A legislação brasileira atribui a esse ministério a responsabilidade pela produção de alimentos como carnes e derivados de leite.

Assim, a autorização para entrar na fábrica, fazer inspeção para fiscalizar a qualidade, fechá-la ou interditá-la eventualmente, bem como todas as medidas sanitárias possíveis, estão a cargo do MAPA, sendo vedado à Anvisa realizar essas atividades.

No entanto, uma vez que o produto esteja no comércio, a responsabilidade passa à Anvisa, que tem o condão de fiscalizar todos os produtos com vistas à proteção da saúde do consumidor.

Num mundo globalizado, se um alimento produzido em determinado país pode atingir níveis mais baixos de sódio, não há motivo para que esse mesmo produto não seja fabricado com o mesmo teor de sódio em outra parte do globo. Na verdade, a ausência de valores máximos para a quantidade de sódio nos alimentos prejudica o consumidor. Além disso, essa regra poderia existir por categoria, a fim de nortear as empresas.

Mas é preciso lembrar que a informação precisa estar em todo lugar e a todo o momento para que o consumidor tenha total noção do que ele, também, precisa fazer com relação ao alimento produzido em casa.

 

Acompanhe o Especial Alimentação por meio da hashtag #alimentação.

Recomendadas

MAIS MATÉRIAS

SUMÁRIO – Edição 282

As relações de consumo acompanham mudanças intensas e contínuas na sociedade e no mercado. Vivemos a era do pós-consumidor, mais exigente e consciente e, sobretudo, mais impaciente, mais insatisfeito e mais intolerante com serviços ruins, falta de conveniência, serviços deficientes e quebras de confiança. Mais do que nunca, ele é o centro de tudo, das decisões, estratégias e inovações. O consumidor é digital sem deixar de ser humano, inovador sem abrir mão do que confia, que critica sem consumir, reclama sem ser cliente, questiona sem conhecer. Tudo porque esse consumidor quer exercer um controle maior sobre suas escolhas e decisões. Falamos de um consumidor que quer respeito absoluto pela sua identidade – ativista, consciente, independentemente de gênero, credo, idade, renda. Um consumidor com o poder de disseminar ideias, que rapidamente se organiza em redes orquestradas capazes de mobilizar corações, mentes e manifestações a favor ou contra ideias, campanhas, marcas, empresas. Ele cria tendências e as descarta na velocidade de um clique. Acompanhar cada passo dessa evolução do consumidor é um compromisso da Consumidor Moderno, agora cada vez mais uma plataforma de distribuição de insights e conteúdo multiformato, com o melhor, mais completo, sólido e original conhecimento sobre comportamento do consumidor e inteligência relacional, ajudando executivos de empresas que tenham a missão de fazer a gestão eficaz de comunidades de clientes a tomar melhores decisões estratégicas. A agenda ESG, por exemplo, que finalmente ganha relevo na agenda corporativa, ocupa nossa linha editorial há muito tempo, porque já a entendíamos como exigência do consumidor no limiar da era digital. Consumidor Moderno também procura mostrar o que há de mais avançado em tecnologias, plataformas, aplicações, processos e metodologias para operacionalizar a gestão de clientes de modo eficaz, conectando executivos e lideranças em um ecossistema virtuoso de geração de negócios e oportunidades.

Concepção da capa:
Camila Nascimento


Publisher
Roberto Meir

Diretor-executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes-comerciais
Andréia Gonçalves
[email protected]

Daniela Calvo
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head
Melissa Lulio
[email protected]

Editora-assistente
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Repórteres
Bianca Alvarenga
Cecília Delgado
Jade Lourenção
Jéssica Chalegra
Júlia Fregonese
Lara Madeira
Marcelo Brandão

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Designer
Melissa D’Amelio

Revisão
Elani Cardoso

MARKETING
Coordenadora
Mariana Santinelli

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues

CX BRAIN
Data Analyst
Camila Cirilo
[email protected]


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Eireli.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias
assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com
autorização da Editora ou com citação da
fonte. Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright, sendo vedada a
reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Eireli.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados e
informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

SUMÁRIO – Edição 282

As relações de consumo acompanham mudanças intensas e contínuas na sociedade e no mercado. Vivemos a era do pós-consumidor, mais exigente e consciente e, sobretudo, mais impaciente, mais insatisfeito e mais intolerante com serviços ruins, falta de conveniência, serviços deficientes e quebras de confiança. Mais do que nunca, ele é o centro de tudo, das decisões, estratégias e inovações. O consumidor é digital sem deixar de ser humano, inovador sem abrir mão do que confia, que critica sem consumir, reclama sem ser cliente, questiona sem conhecer. Tudo porque esse consumidor quer exercer um controle maior sobre suas escolhas e decisões. Falamos de um consumidor que quer respeito absoluto pela sua identidade – ativista, consciente, independentemente de gênero, credo, idade, renda. Um consumidor com o poder de disseminar ideias, que rapidamente se organiza em redes orquestradas capazes de mobilizar corações, mentes e manifestações a favor ou contra ideias, campanhas, marcas, empresas. Ele cria tendências e as descarta na velocidade de um clique. Acompanhar cada passo dessa evolução do consumidor é um compromisso da Consumidor Moderno, agora cada vez mais uma plataforma de distribuição de insights e conteúdo multiformato, com o melhor, mais completo, sólido e original conhecimento sobre comportamento do consumidor e inteligência relacional, ajudando executivos de empresas que tenham a missão de fazer a gestão eficaz de comunidades de clientes a tomar melhores decisões estratégicas. A agenda ESG, por exemplo, que finalmente ganha relevo na agenda corporativa, ocupa nossa linha editorial há muito tempo, porque já a entendíamos como exigência do consumidor no limiar da era digital. Consumidor Moderno também procura mostrar o que há de mais avançado em tecnologias, plataformas, aplicações, processos e metodologias para operacionalizar a gestão de clientes de modo eficaz, conectando executivos e lideranças em um ecossistema virtuoso de geração de negócios e oportunidades.

Concepção da capa:
Camila Nascimento


Publisher
Roberto Meir

Diretor-executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes-comerciais
Andréia Gonçalves
[email protected]

Daniela Calvo
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head
Melissa Lulio
[email protected]

Editora-assistente
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Repórteres
Bianca Alvarenga
Cecília Delgado
Jade Lourenção
Jéssica Chalegra
Júlia Fregonese
Lara Madeira
Marcelo Brandão

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Designer
Melissa D’Amelio

Revisão
Elani Cardoso

MARKETING
Coordenadora
Mariana Santinelli

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues

CX BRAIN
Data Analyst
Camila Cirilo
[email protected]


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Eireli.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias
assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com
autorização da Editora ou com citação da
fonte. Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright, sendo vedada a
reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Eireli.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados e
informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]