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Especial Liderança: para Sérgio Herz, um líder precisa ser transparente e “sem frescura”

Especial Liderança: para Sérgio Herz, um líder precisa ser transparente e “sem frescura”

O CEO da Livraria Cultura, que toca uma empresa que acabou de comprar uma rival, fala sobre as suas ideias sobre gestão e liderança
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Parte do mercado acordou confusa no dia de 19 de junho do ano passado. Isso porque foi naquela data em que houve o anúncio da compra da operação brasileira da Fnac, uma das maiores varejistas da Europa, pela Livraria Cultura, uma das principais empresas do setor, mas que passava por momento financeiro complicado.

O negócio, que teve formas de pagamento bem pouco convencionais no mercado, foi fechado. A missão, desde então, está com Sérgio Herz, CEO da empresa e filho do fundador da Livraria Cultura, Pedro Herz.

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Em entrevista à Consumidor Moderno, o executivo fala sobre os desafios de tocar uma empresa que está em processo de junção, líderes que inspiram ele e até mesmo a respeito de sua maneira dura de tocar os negócios. Para ele, um líder precisa ser objetivo, transparente e sem frescura.

“Posso também parecer uma liderança mais dura, mas garanto que isso tem a ver com a minha personalidade e a educação alemã que recebi”, diz Herz.

Confira, abaixo, a sua entrevista:

CONSUMIDOR MODERNO – Na sua opinião, qual é o perfil do executivo de hoje? Mudou algo em comparação a outros tempos?

Sérgio Herz – O perfil de qualquer executivo hoje deve combinar dinamismo e resiliência, porque ele precisa estar preparado para mudanças muito rápidas, num cenário cheio de incógnitas. Basta olhar o que está acontecendo à nossa volta. Essa formidável revolução digital cria, também, um ambiente mais instável.

A meu ver, deve-se procurar um equilíbrio entre conversa e ordem. Ou seja, a conversa é importante, sim, mas há momentos para dar ordens. Até porque, se tudo se resolvesse pela conversa, seria o paraíso, só que não vivemos nele.

CM – Como o sr. se enxerga como líder? E como é o seu trato com os seus funcionários?

SH – Eu me defino como uma liderança objetiva, transparente e sem frescura. Não gosto da enrolação. Também não curto ficar discutindo o passado, porque é um tempo que já foi e não se pode mudar. Prefiro pensar e discutir o futuro. Posso também parecer uma liderança mais dura, mas garanto que isso tem a ver com a minha personalidade e a educação alemã que recebi.

CM – Em quais líderes o senhor se inspira?

SH – Me inspiro em Bill Gates, fundador da Microsoft, e em Elon Musk, da Tesla Motors. Também coloco, entre os líderes preferidos, Winston Churchill (ex-primeiro-ministro inglês), Golda Meir (ex-primeira-ministra de Israel) e Margaret Thatcher (ex-primeira-ministra britânica). Por quê? Pela inteligência de cada um deles e pelo que realizaram.

CM – O perfil do líder mudou. Na sua opinião, quais foram as alterações mais perceptíveis e importantes?

SH – Mudou e isso tem a ver justamente com a velocidade das transformações que se apresentam no nosso tempo. O líder agora tem que responder de forma mais efetiva e rápida aos desafios. No que diz respeito às pessoas, de modo geral, talvez não tenha ocorrido grandes mudanças. Por exemplo, existem características dos “millennials” que ainda são desconhecidas das lideranças de hoje.

CM – Em sua opinião, quais são as principais características e desafios para o CEO de hoje?

SH –  Tem que ter coragem, resiliência, perseverança. E não ter medo de errar. Mas, quando errar, reconhecer rápido. Não posso ter compromisso com o erro! Sobre os desafios, como já disse, um que me parece essencial é a capacidade de reagir e mudar, num ambiente de instabilidade. E não posso me esquecer de que todo CEO deve encarar o desafio de como não ficar para trás.

CM – Você está liderando uma junção de companhias, já que a Livraria Cultura comprou a Fnac. Como é o desafio de unir as duas culturas?

SH – Não vamos trabalhar com duas culturas. Trabalharemos com a cultura da Livraria Cultura, a única que temos e que é o nosso modo de operar. Claro, investiremos muito em treinamentos, para que todos se adaptem à nossa cultura.

CM – Mas e como lidar com o receio e até medo de alguns funcionários, que sentem que podem ser demitidos em meio ao processo?

SH – O risco de uma demissão não está relacionado com o processo de aquisição e todo um processo de engajamento que está em curso, mas, sim, com a capacidade de entrega de cada indivíduo. Bons profissionais terão emprego em qualquer lugar do Brasil e, claro, também na Livraria Cultura. Sempre.

CM – Qual a sua visão sobre o conflito de gerações? Ele existe?

SH – O conflito de gerações é positivo. Eu diria mesmo que é altamente salutar. Se não tiver conflito, é sinal de que existe algo errado. Por isso, todo líder deveria gostar desse tipo de conflito, o geracional, porque ao longo dele estará sendo provocado e desafiado. Se não gostar disso, não é um líder.

CM – Existe alguma preparação para assumir a cadeira de CEO?

SH – Estou me preparando, sempre. Tornar-se presidente é uma conquista, mas também uma evolução, um processo. A verdade é que, quando se assume a presidência, é que se descobre não estar preparado para ela. E os desafios logo começam a aparecer, entre eles, entregar mais do que se espera, ver como se tornar relevante no meio e mesmo como começar a abrir o caminho para quem possa nos suceder um dia. Como sempre digo, sucesso é coisa do passado. Prefiro olhar para a frente.

CM – Como será o líder do amanhã?

SH Basicamente, são as mesmas características do líder de hoje. Porém, com mais abertura para as novas gerações, que virão e certamente serão muito diferentes da nossa.

Confira as outras entrevistas do Especial Liderança clicando aqui

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