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Nasce um bebê, nasce uma mãe, nasce uma empreendedora

Nasce um bebê, nasce uma mãe, nasce uma empreendedora

No 5º Fórum Empreendedoras, realizado em São Paulo, pesquisa revela que o empreendedorismo feminino nasce atrelado a novas responsabilidades. Veja quais são

O que motiva uma mulher a se tornar empreendedora no Brasil? Essa foi uma das questões levantadas pela pesquisa Dados e Cenário do Empreendedorismo Feminino no Brasil – Quem são Elas?

A pesquisa, feita pela Rede Mulher Empreendedora em parceria com a KZM Research, foi apresentada durante o 5º Fórum Empreendedoras, realizado pela Rede Mulher Empreendedora, na manhã de quinta-feira (22) no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo. O estudo destacou o papel feminino nas iniciativas de negócios no País e comprovou: a maioria das mulheres empreendedoras iniciam seu próprio negócio no Brasil no momento que casam e resolvem ter filhos.

De acordo com a pesquisa, mais da metade delas, 61%, são casadas. A maioria também é mãe: 55%. E 50% delas são chefes de família, ou seja, as responsáveis pelo sustento do lar. A necessidade de uma renda extra, um horário flexível e proximidade com o bebê foram os principais motivos para a mulher se tornar dona do seu próprio negócio. Ana Fontes, fundadora da Rede de Mulheres Empreendedoras, conta que “o cenário brasileiro, apesar de todas as dificuldades, tem estimulado o empreendedorismo entre as mulheres”.

A pesquisa ouviu cerca de 1,4 mil mulheres empreendedoras em todo o Brasil. As áreas avaliadas foram: perfil, habilidades e gerenciamento. Redes de apoio (institutos, amigos e família), networking, informação e formação foram alguns dos temas que obtiveram maior grau de importância entre as pesquisadas.

Investimentos

Sobre as fontes de renda para iniciar o negócio, 40% das pesquisadas respondeu ter recorrido a rescisão de contrato de trabalho ou a poupança. Apenas 6% tem acesso a investimento/anjo e 59% informou que se houvesse mais incentivos, certamente, recorreria aos bancos para iniciar seu negócio.

Local de trabalho, marketing e faturamento

A pesquisa revelou que as redes sociais, Facebook e Instagram, são os canais preferidos das empreendedoras para divulgarem sua marca. Como local de trabalho 50% escolheu a própria casa. Sobre faturamento, 33% das empreendedoras lucram, em média, R$ 2,5 mil por mês, 33% conseguem rendimentos de R$ 10 mil mensais e acima de R$ 100 mil por mês somente 6% delas.

Feira e Oficinas

O evento também contou com uma ferira de negócios com cerca de 30 expositores. Um núcleo de “mentores do Facebook”, estavam instalados em salas para tirarem dúvidas dos participantes sobre a utilização da rede social para impulsionar o seu negócio. O Instagram também levou uma oficna para as interessadas em cirar sua conta empresa no canal. E a Apex, uma das apoiadoras do evento, trouxe uma rodada de conversa com investidores que se conectaram com 54 empreendedoras pré-selecionadas.

Confira alguns dados da pesquisa divulgados durante o evento.

Perfil da mulher empreendedora

  • Idade média 38 anos
  • 80% superior completo
  • 55% tem filhos
  • 44% são chefes de família
  • 42% tem negócio com menos de 3 anos
  • 59% investiram em redes de serviço
  • 31% em comércio
  • 25% tem o marido como sócio
  • 49% das mulheres comandam as empresas sozinhas
  • 35% das pesquisadas tem dívida
  • 38% não tem crédito
  • 14% não faz controle financeiro
  • 36% usa Excel
  • 20% anota no “caderninho”
  • 34% possuem um software de gestão financeira

Riscos

A pesquisa apontou que 8% das mulheres disseram: “meu negócio não está sujeito a imprevistos”. Um dado interessante foi que 58% disse “eu dou um jeito”. Apenas 20% possuem uma reserva financeira e 10% possuem seguro empresarial.

Networking

Como forma de iniciarem sua rede de contatos 2/3 das pesquisadas participam de eventos e 59% fazem parte de alguma rede de empreendedorismo.

Desenvolvimento

As mulheres procuram desenvolver suas habilidades e informações sobre finanças, planejamento, formação de preços, marketing e gestão por meio de pesquisas na internet ou participam de eventos. E 53%  através de livros.

Painéis

Durante o evento ocorreram alguns painéis. Um deles foi “Elas fazem e acontecem”, mediado por Mariana Macário, do Google. O foco foi a comunicação voltada para o público feminino. Juliana de Faria, da “Think Olga”, jornalista especializada em jornalismo feminino, falou do exemplo do seu projeto, uma plataforma de conteúdo voltada para assuntos do universo feminino. “Com a Olga buscamos quebrar estereótipos sobre a comunicação para mulheres e nos conectarmos com os interesses desse público”.

Semayat Oliveira, jornalista e fundadora da “Nós, Mulheres da Periferia”, um coletivo que tem por missão um caminho de mídia alternativo para atingir os interesses femininos, destacou a importância do debate nos meios de comunicação sobre o papel da mulher. “Buscamos em nossa plataforma digital discutir desafios e oportunidades e também o comportamento e a representatividade das mulheres que vivem fora dos grandes centros”, conta. “Propagar iniciativas de pessoas que estão apoiando o empreendedorismo feminino e mudanças de gênero e raça é uma forma muito poderosa de valorizar a mulher e a diversidade no mercado”, pontua.

Juliana de Faria também destacou a importância do apoio entre as mulheres. Como exemplo ela destacou uma ação do “Think Olga” chamada “Entreviste uma Mulher”, um banco de dados digitais para consultas com entrevistas exclusivas sobre diversos temas com mulheres de diversas áreas.

Sucesso feminino

O painel de destaque foi: “Sucesso no feminino. Venci! Como posso ajudar?”. Mediado por Ana Fontes, da Rede Mulher Empreendedora, as palestrantes convidadas Sonia Hess, da Lide Mulher, Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza e Chieko Aoki, da rede Blue Tree Hotel, evidenciaram o caráter criativo e engajado das mulheres que empreendem no Brasil.

Chieko Aoki, falou da importância de se “apoiar em amizades verdadeiras” para suportar os desafios de quem empreender. Luiza Trajano lembrou que “paixão pelo negócio” é fundamental. “Não tenham medo de errar e de espaço para novos erros, mas não repita os mesmos”, disse. Como dica Luiza frisou: “fluxo de caixa não é lucro”. “Pense rico e aja com a realidade de seu bolso”, brincou a executiva. Sonia Hess, lembrou da importância de documentar cada passo da empresa e de se organizar. “Mantenha uma empresa que você conheça”, disse.

O cuidado com a gestão financeira foi um dos destaques do painel. Para Luiza Trajano a empreendedora “tem que ter a matemática do seu negócio em mente, de forma simples, pela qual ela entenda o seu negócio”.

Chieko Aoki complementou: “pode delegar mais tem que acompanhar”. Sonia Hess lembrou da importância de não postergar os problemas nesse caso. “Insista, com o tempo o nosso olhar vai sendo educado”, disse.

Ao final, Luiza Trajano fez uma ressalva sobre a importância de ser uma pessoa positiva e transformadora quando se quer empreender no Brasil. “Como brasileira temos que lutar para nós, a sociedade civil, ser o nosso maior partido. Vamos ser protagonistas das melhores mudanças que esperamos neste País”.

 

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