/
/
Direitos do consumidor ainda valem quando está endividado

Direitos do consumidor ainda valem quando está endividado

Recuperação de crédito deve respeitar cliente endividado, métodos abusivos podem gerar punição
Legenda da foto
Foto: Shutterstock

No Brasil, fatores como diminuição da renda, imprevistos, perda do trabalho ou familiar desempregado, alta dos preços e a falta de controle financeiro são os fatores chave para que 71,9 milhões de pessoas estejam com suas contas em atraso, o equivalente a 44% da população do país. A informação é da Serasa.

Por si só, estar devendo já é bem estressante. E mais exaustivo ainda são os procedimentos de cobrança utilizados por algumas empresas e instituições financeiras. Tais estabelecimentos, ou por desconhecimento da legislação, ou por pressa de reaver o dinheiro, acabam se utilizando de métodos abusivos, o que pode piorar a situação do consumidor, mas também ser bem desagradável para o próprio estabelecimento, que arrisca ter problemas judiciais.

Independentemente do valor do débito, todo consumidor inadimplente tem direitos, os quais devem ser respeitados. Essas prerrogativas têm início antes mesmo da pessoa ser considerada “devedora”. E nesse caso, o consumidor tem o direito de ser avisado, previamente, sobre sua inscrição em registro de inadimplentes pelo mantenedor de cadastro de proteção ao crédito, conforme estabelecido o art. 43, § 2º, do Código de Defesa do Consumidor (CDC). O prazo para essa comunicação é de 10 a 15 dias e serve para que o consumidor compreenda a dívida que está sendo gerada e fazer uma proposta de pagamento.

Há empresas que esperam a pessoa acumular multas e juros para comunicar, mas isso é uma prática não consentida pela legislação. Assim, o prazo de comunicação, garantido pelo CDC, também é útil para que o consumidor não seja pego de surpresa ao tentar fazer uma compra ou contratar um serviço, e ter seu nome recusado.  Neste sentido, o CDC diz assim: “a cobrança abusiva por meio de coação, humilhação ou constrangimento, que viola a norma do art. 42 do Código de Defesa do Consumidor e configura crime de consumo.

É direito do credor obter o pagamento da dívida após o vencimento sem a devida quitação, mas a recuperação do crédito deve ser realizada de maneira apropriada e dentro de limites admissíveis.

Insistência das empresas

Telefonar dezenas de vezes por dia, enviar e-mails com frequência ou ameaçar leiloar os bens do endividado se a dívida não for paga são algumas das práticas mais comuns realizadas pelas empresas de cobrança que querem reaver o dinheiro o quanto antes. Nenhuma dessas ações é permitida, da mesma forma que não há consentimento para o credor entrar em contato com o endividado em horários inoportunos, como fim de semana, feriado ou durante a noite.

As empresas devem ter em mente ainda que, por mais difícil que seja estabelecer uma comunicação com o endividado, em hipótese alguma elas podem fazer isso por meio de outras pessoas, como familiares, funcionários da empresa onde a pessoa trabalha ou amigos

As três formas permitidas para contato com consumidor inadimplente são: telefone, carta ou e-mail.

Juros abusivos

Se a cobrança for considerada abusiva pelo consumidor, como juros altos e multas acima da média do mercado, ele poderá recorrer da própria cobrança.

A Lei nº 14.871, conhecida como a Lei do Superendividamento, fixa que é obrigatório que as empresas informem o consumidor acertadamente sobre taxas, encargos, custos e tudo o que puder interferir para majorar o preço final do serviço ou do produto ofertado.

Importante ressaltar que juros altos e multas pesadas são reflexos de falta de comunicação financeira, por parte da empresa, ou supressão de transparência.

Estresse por causa de dívidas

Hoje, de cada 10 brasileiros, seis sentem alto nível de estresse quando o assunto é controle das contas. É o que mostra pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – Anbima, realizada com o Datafolha, os quais, preocupados com a saúde mental da população, aponta que numa escala de zero a dez, o ato de deixar de pagar as contas é motivo para alto nível de pressão psicológica para 57% dos entrevistados.

Na visão de Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, a atual conjuntura é consequência da pandemia, quando muitas pessoas passaram por dificuldades financeiras e acabaram perdendo o controle das suas finanças. “Infelizmente, os sentimentos de estresse, insegurança e ansiedade prevaleceu em muitas famílias”, pontua Billi.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Mesmo com a regulação, o avanço das plataformas ilegais expõe consumidores a riscos e limita a atuação do Estado.
Apostas ilegais no Brasil: o maior desafio para o jogo responsável
Em meio ao avanço das bets no Brasil, especialistas discutem os desafios da regulação, os riscos do mercado ilegal e os caminhos para fortalecer a proteção ao consumidor.
Nova fase da NR-1 e discussão sobre jornada 6x1 expõem o desafio de equilibrar produtividade, saúde mental e impacto no consumo.
Menos horas ou mais produtividade? O impasse do trabalho no Brasil
Nova fase da NR-1 e discussão sobre jornada 6x1 expõem o desafio de equilibrar produtividade, saúde mental e impacto no consumo.
Entre acesso e interpretação, cresce o risco de confiança excessiva na IA e em respostas jurídicas automatizadas.
Quando a IA responde como advogada, e o consumidor acredita
Entre acesso e interpretação, cresce o risco de confiança excessiva na IA e em respostas jurídicas automatizadas.
Burocracia, falta de transparência e fricções na jornada ajudam a explicar o avanço de novos players no setor de saúde suplementar.
CM Entrevista: Crise dos planos de saúde expõe falha estrutural de experiência do cliente
Burocracia, falta de transparência e fricções na jornada ajudam a explicar a insatisfação de beneficiários da saúde suplementar.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.