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Consumidores veem recuperação da economia com cautela e otimismo

Consumidores veem recuperação da economia com cautela e otimismo

Para a maioria, a previsão é de uma retomada de médio a longo prazo
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Mesmo acompanhando notícias preocupantes e um cenário de incertezas sobre o impacto contínuo da pandemia de Covid-19, os consumidores se dividem entre o otimismo e a cautela quanto às perspectivas de recuperação da economia no curto prazo, segundo pesquisa realizada pela KPMG nos Estados Unidos.

O levantamento, intitulado The Big Thaw: Covid-19 consumer pulse survey report, contou com a participação de mil norte-americanos para traçar tendências em um provável cenário de pós-pandemia, identificando sinais permanentes de mudança nos hábitos e na percepção dos clientes.

Unindo isso ao fato de que o PIB brasileiro demonstrou uma melhora no último trimestre, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados apresentados podem estimular a discussão sobre a retomada do setor econômico no país.

Insights favoráveis à recuperação da economia

A imunização é a principal esperança para o retorno à normalidade, com grande peso na avaliação dos entrevistados. O papel das vacinas é destaque positivo, especialmente entre os que desejam viajar e intensificar o convívio social (64% dos millenials).

Além disso, qualidade de vida e alimentação também estão em pauta, já que diversos hábitos que vieram com a pandemia chegaram para mudar concepções que se tinha antigamente, como a ida a restaurantes e a prática de exercícios.

“O tema saúde está à mesa e as pessoas se preocupam em comer e viver mais e melhor. Em países em estágio avançado de vacinação e que estão superando a pandemia, nem todos novos hábitos gerados por esse acontecimento estão sendo descartados, como a máscara e o álcool gel”, coloca Fernando Gambôa, sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul.

Se em março de 2020, quando o primeiro lockdown foi decretado, 17% acreditavam que a recuperação e o aquecimento da economia teriam início ainda nos próximos dois anos, esse índice agora representa 27%. Também entre os que apostam em uma retomada mais rápida, em até seis meses, o cenário é de maior cautela: enquanto na edição anterior do estudo 17% avaliavam esse resultado como provável ainda no próximo semestre, hoje apenas 14% seguem com essa perspectiva.

“Observamos indicadores poderosos, como a percepção do estímulo econômico e o sucesso das campanhas de vacinação. Além disso, após um período de demanda reprimida, os gastos e investimentos registraram alta pela primeira vez em mais de um ano”, pontua o líder regional de clientes e mercados das regiões Norte e Nordeste da KPMG, Paulo Ferezin.

“Todo mundo está procurando por um norte pós-pandemia, porque existe a ideia de que haverá uma explosão de crescimento. Mas nos Estados Unidos, onde a pesquisa foi conduzida, as pessoas esperam por uma recuperação sustentável da economia de médio a longo prazo, dentro de cerca de dois anos. No Brasil, não devemos atingir um platô muito mais alto do que temos a curto prazo. Isso porque a economia está melhorando, o dólar está caindo, a pressão inflacionária assusta e o desemprego não está reduzindo como deveria. Esse fator é nosso ponto fraco”, explica Fernando Gambôa.

O que pode se esperar dos millenials?

Ao contrário do que muitos pensam, os millenials, neste momento, desempenham um papel mais de influência nas compras on-line do que de âncoras para a recuperação da economia, uma vez que o poder de compra está concentrado entre a geração Z e os baby boomers.

Contudo, isso não quer dizer que as organizações não devem focar neste público desde já. “As empresas precisam ficar atentas a este grupo, principalmente pelo engajamento do ponto de vista político e social. É necessário fazer um alinhamento de visão, propósito e confiança já que esse público utiliza isso como direcionadores de compra. Essa geração prioriza os fatores ESG”, diz o sócio-líder de consumo e varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul.

Por isso, é primordial que as companhias, principalmente do varejo, invistam em digitalização e conectividade para terem segurança no futuro, quando os millenials realmente assumirem a posição de geração de consumo forte. “Há a necessidade real de olhar para a transformação dos negócios com a tecnologia. Você não se preparar agora significa não conseguir potencializar tudo isso”, salienta Paulo Ferezin.

Trabalho remoto, emprego e o novo normal impactam as empresas

O relatório da KPMG indica que as mudanças provocadas pelo distanciamento social causaram impacto não apenas no local de trabalho, mas também em estabelecimentos em torno de distritos comerciais.

Entre os norte-americanos, a preferência pelo home office mantém-se alta, com 28% dos entrevistados citando benefícios como economia de tempo no trajeto aos escritórios, enquanto 24% destacaram condições de trabalho mais confortáveis em casa e melhor equilíbrio trabalho/vida como motivadores. Por outro lado, 41% disseram que as expectativas do empregador irão conduzir os arranjos de trabalho no futuro próximo. 34% dos entrevistados dizem que seus empregos foram afetados pela pandemia, mas 75% afirmam ter retornado ao trabalho com um impacto menos severo na renda.

Para Paulo Ferezin, tudo isso deve ser levado em consideração pelos gestores brasileiros, já que houve uma migração de colaboradores e consumidores dos centros urbanos para cidades litorâneas ou do interior.

Futuro da economia brasileira em aberto

A recuperação da economia avança a passos curtos no Brasil, mas a pesquisa norte-americana da KPMG serve de farol para possíveis tendências comportamentais que irão auxiliar em novos direcionamentos. Fato é que a tecnologia, que modificou as relações sociais, laborais e de consumo no último ano, é a palavra-chave daqui para frente.

Entre tantas incertezas, uma coisa é certa: não dá para imaginar que a vida pré-pandemia irá voltar sem nenhuma transformação. Afinal, as pessoas mudaram. E elas esperam que os negócios também.


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