Ao longo das últimas três décadas, o Brasil se consolidou como uma das principais referências globais em defesa do consumidor. E nomes como o do advogado Ricardo Morishita foram fundamentais nesse processo.
Ricardo Morishita é uma verdadeira inspiração quando o assunto é a evolução do atendimento ao cliente no Brasil. Seu legado se traduz na construção de uma literatura e uma prática efetiva de defesa do consumidor, que tornam o nosso País uma referência global no assunto. Ele também foi um dos profissionais responsáveis pelo famoso Decreto do SAC, em 2008.
Especialista na área e atuante em diversos órgãos e iniciativas voltadas à proteção e ao fortalecimento dos direitos do consumidor, atualmente, ele contribui com uma série de empresas para as boas práticas nas relações de consumo. É também professor de Direito do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
História e avanços
Ricardo Morishita teve seu trabalho reconhecido na celebração dos 30 anos da Consumidor Moderno, em um tributo que celebrou não só sua trajetória, mas também o papel da revista na construção desse ecossistema.
Em entrevista exclusiva, Ricardo compartilhou suas reflexões sobre os avanços históricos da área, os desafios contemporâneos e o papel das novas tecnologias nesse novo momento da relação entre consumidores, empresas e a própria sociedade.
Confira!
Defesa do consumidor em 30 anos
Consumidor Moderno: Quais foram os principais avanços na defesa do consumidor nos últimos 30 anos?
Ricardo Morishita: Os maiores avanços aconteceram quando o consumidor se apropriou dos seus direitos. Isso transformou não só o indivíduo, mas também a sociedade. A defesa do consumidor é uma pauta de convivência em equilíbrio.
Ao longo dos anos, tivemos uma lei excepcional, instituições fortes e um mercado que amadureceu e passou a contribuir para a efetivação desses direitos. Mas, acima de tudo, tivemos comunicação: o direito só existe quando é conhecido, comunicado e apropriado pelas pessoas.
CM: E quais são os desafios atuais que ainda exigem atenção da sociedade?
Hoje vivemos um momento marcado por uma individualização excessiva. Precisamos recuperar a saúde social – valorizar as relações, os vínculos. Isso afeta diretamente o consumo: precisamos consumir de forma consciente, sustentável e entender que nem tudo se compra. O Código de Defesa do Consumidor nos lembra que relações são feitas entre pessoas. E pessoas importam.
O futuro da defesa do consumidor
CM: Como a Inteligência Artificial entra nessa equação?
A IA traz um enorme poder, e com isso vem uma grande responsabilidade. Princípios como a não maleficência, a precaução e a transparência são fundamentais. A tecnologia não pode machucar. Ela deve servir às pessoas, gerar confiança e permitir decisões conscientes. Toda inovação traz riscos, e é preciso saber mediá-los com senso de justiça.
CM: Qual conselho você daria para profissionais – sejam do Direito, do mercado ou da sociedade – que lidam com esse tema?
O “combinado não sai caro”. Transparência e equilíbrio são essenciais. Erros podem acontecer, mas precisam ser reparados. O mercado, como o Estado e a religião, também é uma instituição que transmite valores – e precisamos estar atentos a quais valores estamos entregando às pessoas.
CM: E o que representa para você receber essa homenagem da Consumidor Moderno?
É uma enorme alegria. Representa muito para mim, para minha equipe e para todos os órgãos de defesa do consumidor que enfrentaram desafios com coragem. E vindo da Consumidor Moderno, que acompanhamos desde o início, tem ainda mais valor.
Há 30 anos, o Código de Defesa do Consumidor tinha apenas cinco anos, mas já existia uma revista especializada que promovia o diálogo com o mercado e impulsionava essa causa. Esse reconhecimento é muito significativo.





