Ir ao cinema já não significa assistir um filme em uma tela grande. Aliás, há diversos rituais que sempre fizeram parte dessa experiência. É a escolha do melhor assento, a compra da pipoca, a antecipação para o início da exibição e até as novidades trazidas pelos trailers.
Mas, agora, as salas de cinema estão dando um passo além para surpreender o público com novas experiências. E, mais do que isso, atrair novas pessoas para as unidades. É o caso do Cinesystem, que realiza o Cine Crochê mensalmente em diferentes localizações da rede – nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Maceió.
O objetivo é levar o ritual que, geralmente, é realizado em casa – no sofá da sala ou na mesa de jantar com a televisão ou o computador ligados na novela, no filme ou na série – para o cinema.
Como funciona o Cine Crochê
Segundo Samara Vilvert, gerente de Marketing do Cinesystem, a iniciativa parte da percepção de que o cinema é, por natureza, uma experiência coletiva e sensorial.
“O que a gente fez foi adicionar mais uma camada a isso. Quando você está sentada em uma sala com a luz levemente adaptada, assistindo a um filme e criando algo com as próprias mãos, acontece uma coisa interessante: você está presente de uma forma diferente”, destaca.
Uma vez por mês, uma exibição de lançamento recebe a sessão especial. A sala permanece com as arandelas acesas em 50% de intensidade durante todo o filme. Afinal, além de acompanhar o longa-metragem, quem faz crochê também precisa enxergar os pontos, as linhas e agulhas que está utilizando.
Essa é a característica central da sessão, e é comunicada aos clientes que compram ingressos desavisados. Já que as luzes acesas, muitas vezes, podem comprometer a imersão para quem não pratica crochê ou outras artes manuais.
Além disso, o Cinesystem se propõe a fazer sessões temáticas do Cine Crochê. Em junho, por exemplo, à época do lançamento de Toy Story 5, a proposta foi criar peças inspiradas no universo da animação. Tanto que o cinema distribuiu guias de passo a passo para ajudar o público artesão na criação.
Ao fim da sessão especial, o público sai com duas experiências: o filme e a produção do crochê em comunidade.
Experiências além do filme
Além do Cine Crochê, o Cinesystem oferece diferentes experiências que extrapolam as sessões tradicionais. É o caso do Cine Pets, no qual os espectadores podem levar seus cães para uma exibição especial e um pouco caótica.
Nela, o volume do filme fica 30% mais baixo e as luzes também ficam levemente acesas. A rede recomenda que os animais cheguem para a sessão já cansados de um passeio ou atividade prévia e, claro, com a bexiga vazia. Mesmo assim, a indicação é sempre levar um tapete higiênico.
Outra recomendação é que apenas cachorros mansos e acostumados com a presença de outros animais participem da sessão. E claro, que todos estejam vacinados e usando coleira. Assim, há menos preocupações e todos os espectadores – humanos e não humano – aproveitem o filme.
Já o Cine Azul é uma sessão adaptada para pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Para essa experiência, a iluminação e o som também são adaptados. Além disso, o público pode caminhar pela sala, dançar, cantar e se expressar à vontade, de forma que todos se sintam confortáveis durante a exibição.
“É um público que, muito provavelmente, estaria em casa, uma vez que o som mais alto e o ambiente escuro não oferecem uma boa experiência para pessoas com TEA”, aponta Fernanda Frutuoso, gerente do Cinesystem Pompéia. “Com o Cine Azul, temos uma experiência mais aconchegante e acolhedora onde todos sabem que ali as pessoas podem interagir e conversar.”
Por fim, o Cine Livro exibe adaptações literárias com experiências exclusivas, como distribuição de brindes, ações especiais e propostas para incentivar o hábito de leitura e a troca de experiências entre fãs.
Novos públicos

Foto: Reprodução/LinkedIn.
Em julho, o filme escolhido para a sessão especial do Cine Crochê foi o live-action da animação da Disney Moana. Já em agosto, no dia 12, será exibido o novo longa da saga do Homem Aranha: Um Novo Dia.
O Cinesystem ainda está conhecendo o público que frequenta o Cine Crochê. Mas, a rede já percebe que os principais espectadores são aqueles que já praticam o hobby e as pessoas curiosas em aprender mais.
“A ideia é justamente apresentar essa experiência para novos públicos e incentivar que eles continuem frequentando o cinema em outras ocasiões também”, aponta Samara.
Além disso, Samara aponta que as diferentes propostas de experiências da rede de cinemas criam um público particular, quase que comunidades com interesses em comum.
“Projetos assim geram uma fidelização genuína, porque as pessoas criam vínculos não só com a rede, mas entre si, se tornando grupos e voltando juntos”, diz.
Comunidades cinéfilas
A sessão de julho foi divulgada por Franciele França, crocheteira, professora e criadora de conteúdo pelo perfil Anny Ateliê (@annyatelie10). Para ela, é uma nova oportunidade de se conectar com seguidores e crocheteiros da comunidade online de forma presencial.
“Essa conexão é muito importante. Muitas vezes, as pessoas veem conteúdos sobre crochê nas redes sociais e ficam idealizando o processo de fazer crochê. Mas, aqui, se conectam com outras pessoas que praticam o mesmo hobby ou até empreendem no crochê”, explica Franciele.
Assim como no Cine Crochê, as diferentes sessões especiais da rede partem do entendimento de que cada pessoa precisar encontrar seu lugar nas salas de cinema.
“O cinema precisa continuar se reinventando para oferecer presença, comunidade, o imprevisto de estar em um lugar com outras pessoas vivendo a mesma coisa ao mesmo tempo”, explica Samara. “Não existe um único tipo de cinéfilo, e a programação de experiências reflete isso.”





