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CM Entrevista: Mais do que liderar, o papel do novo CEO é ser o embaixador da marca

CM Entrevista: Mais do que liderar, o papel do novo CEO é ser o embaixador da marca

Líderes como Alexandre Frankel, da Housi, e João Adibe, da Cimed, mostram que o novo papel do CEO envolve representar, vender e humanizar o propósito da marca.
CEOs saem dos bastidores e assumem o papel de vendedores da marca
Foto: Shutterstock.
Alexandre Frankel (Housi) e João Adibe (Cimed) exemplificam essa nova liderança, em que propósito, transparência e presença ativa são pilares da credibilidade. Ambos destacam que o líder moderno deve ser o “guarda-chuva do propósito”, conectando discurso e prática, inspirando equipes e construindo confiança com o público. A atuação direta em frentes como marketing, relacionamento com clientes e comunicação reforça a humanidade das marcas e cria vínculos autênticos. Para eles, o futuro pertence aos CEOs visíveis, acessíveis e coerentes.

Empresas de diferentes segmentos têm entendido que o sucesso está diretamente ligado à capacidade de seus líderes de traduzirem valores em atitudes. Ou seja, transformar propósito em movimento. Nesse cenário, o papel do CEO tem passado por uma evolução. Ele deixou de ser o estrategista que comanda das salas de reunião para se tornar o rosto público de uma marca.

Em um mercado cada vez mais guiado por propósito, transparência e conexões humanas, o líder moderno não se limita à gestão: ele representa a essência do negócio. A confiança que outrora dependia apenas de produtos e serviços, hoje nasce da presença, da coerência e da voz de quem lidera.

Alexandre Frankel, CEO da Housi, enxerga essa transformação como essencial. Ele acredita que o líder contemporâneo não pode se limitar a decisões de bastidores, mas precisa representar o propósito da empresa de forma viva e humana.

Ser CEO hoje é muito mais do que liderar uma empresa: é ser o principal embaixador da marca. Sempre estive envolvido em cada etapa: do produto à experiência do cliente. Representar a Housi é defender ideias, inspirar confiança e gerar movimento.”

O espelho da marca

Alexandre Frankel, CEO da Housi.

Para Frankel, esse papel torna o propósito tangível e reforça vínculos com clientes e parceiros. “Quando o líder assume o papel de vendedor da marca, ele traz humanidade para o negócio. Mostra propósito, dá rosto à visão. Essa presença influencia tudo, do padrão de qualidade às relações que construímos. No fim, é isso que diferencia empresas que crescem das que apenas operam“, pontua.

Frankel acredita que a coerência entre discurso e prática é o alicerce da credibilidade. Segundo ele, quando o público percebe que o líder é coerente com o que a empresa entrega, isso se transforma em um ativo de longo prazo: a confiança.

“A coerência entre discurso e prática gera credibilidade. Se o público percebe que existe verdade entre o que eu digo e o que a Housi entrega, isso vira confiança. E confiança é o ativo mais valioso: retém clientes, atrai parceiros e fortalece o ecossistema”, frisa.

Conexão com o consumidor

Na mesma linha, João Adibe, CEO da Cimed, reconhece que sua imagem e a da empresa estão entrelaçadas de forma intencional. Ele reforça que o cliente compra de quem confia. E essa confiança nasce quando a marca tem uma cara, um propósito claro e uma presença real.

A minha imagem e da Cimed se confundem, e isso é intencional. Eu não tenho medo de aparecer, de mostrar os bastidores, os desafios, os acertos e até os erros. Quando mostro meu jeito direto, simples e acessível, o público entende que esse é o mesmo DNA da marca: próxima, democrática e feita por brasileiros para brasileiros”, relata.

O equilíbrio entre gestão e presença

Equilibrar a gestão com a presença estratégica é um desafio, mas também algo comum aos dois líderes. Frankel ressalta a importância de delegar operações e reservar tempo para decisões que moldam o futuro do negócio.

“Tenho um time forte que toca a operação com autonomia. Mas gosto de estar presente nas frentes que moldam o futuro, grandes parcerias, marketing institucional, novos produtos”, comenta.

Ele explica que essas participações diretas são cruciais quando as ações têm potencial de gerar impacto e visibilidade, exigindo sua visão e envolvimento. “Quando percebo que uma ação pode gerar escala, impacto ou visibilidade relevante, mergulho de cabeça. O segredo está em equilibrar a execução com o olhar estratégico, sem perder o pulso do que realmente importa”, diz.

João Adibe compartilha uma visão semelhante. Segundo ele, o papel do CEO inclui estar presente nas frentes que exigem proximidade com o mercado.

O meu papel é estar onde eu gero mais valor. Tenho uma equipe de gestão muito forte, junto com a minha irmã Karla. Isso me permite estar presente nas frentes estratégicas de vendas, marketing, inovação e relacionamento com o varejo”, relata. “Eu gosto de negociar pessoalmente, conversar com o cliente, sentir o mercado. Isso me mantém conectado à realidade do consumidor e garante que as decisões da empresa estejam alinhadas com o que o público realmente quer.”

Propósito e narrativa

João Adibe, CEO da Cimed.

Para ambos os líderes, o propósito é o norte da comunicação. “O CEO é o guardião do propósito. É quem garante que o que está escrito na parede também acontece na prática”, ressalta Frankel.

Na Housi, esse propósito se traduz na transformação da moradia e na busca por uma experiência mais inteligente e conectada. Além disso, a empresa trabalha para tornar o acesso mais simples e mais inteligente. Isso se reflete em tudo: nos produtos, nas parcerias, na tecnologia, no atendimento.

“Transparência também faz parte dessa narrativa. Mostrar o que funciona, o que estamos construindo e até o que ainda precisa evoluir cria uma relação honesta com o público. E essa relação é o que sustenta uma marca a longo prazo”, pontua Frankel.

João Adibe reforça essa visão ao afirmar que o papel do líder é ser o porta-voz da cultura da empresa.

“Não adianta ter um discurso bonito se o líder não vive o propósito da empresa no dia a dia. Na Cimed, a missão é democratizar o acesso à saúde no Brasil, e eu falo sobre isso com verdade, porque é o que guia todas as decisões. Quando você é coerente entre o que fala e o que faz, o público percebe, e a marca ganha credibilidade”, destaca.

Cultura e engajamento

A presença do CEO nas operações impacta diretamente a cultura organizacional. Frankel acredita que quando o líder participa das iniciativas e acompanha as equipes, cria-se uma cultura de propósito compartilhado e pertencimento.

“Sempre estou próximo de todas as nossas BU’s, justamente para entender o andamento das ações, próximos passos e reforçar padrões de excelência, inovação e foco no cliente. Cultura se constrói pelo exemplo, não pelo discurso”, diz.

Adibe tem uma visão semelhante. Para ele, o envolvimento do CEO nas vendas e no relacionamento com clientes cria um sentimento coletivo de responsabilidade e orgulho.

“Quando o time vê o CEO envolvido, falando com cliente, indo para o ponto de venda, participando de campanhas, isso cria um sentimento coletivo de dono”, pontua.

Ele costuma resumir seu estilo de liderança em três palavras que se tornaram lema dentro da Cimed: ritmo, rotina e ritual. “Isso inspira o time, dá energia e cria uma cultura de alta performance e orgulho”, complementa.

Resultados e reconhecimento

O papel de porta-voz não é apenas simbólico: traz resultados concretos. Frankel observa que quando assumiu o protagonismo na divulgação do modelo de licenciamento da Housi, o impacto foi imediato.

A visibilidade gera confiança, e confiança acelera negócios. O mercado passa a entender o valor do que fazemos e a enxergar oportunidade. Além disso, estar presente como líder em mídia e conteúdo posiciona a marca como referência e atrai talentos, investidores e parceiros estratégicos. É um efeito multiplicador: quanto mais forte o nome, mais rápido a empresa avança”, destaca.

Na Cimed, Adibe percebe o mesmo efeito. Ele acredita que sua presença ativa nas redes sociais e na mídia fortalece a marca e gera resultados mensuráveis: crescimento de vendas, fortalecimento de marca e atração de talentos que se identificam com a cultura da companhia. “Quando o CEO está presente, a marca ganha alma, e o mercado percebe isso”, acrescenta.

O futuro do “CEO vendedor”

Para Frankel, o perfil do líder visível e engajado veio para ficar. Ele acredita que o futuro pertence aos CEOs que se mostram acessíveis, coerentes e humanos. Ele acrescenta que vulnerabilidade e autenticidade são pilares dessa nova liderança.

O mercado não quer executivos distantes, quer pessoas com propósito, que acreditam no que constroem e que vivem os desafios desse processo”, frisa. “O ‘CEO vendedor’ é aquele que inspira, conecta e traduz o propósito da marca para o mundo. Isso exige novas habilidades: comunicação autêntica, leitura de dados, empatia com o cliente e coragem para expor vulnerabilidades e aprendizados. Liderar vai além de apenas gerir números, é inspirar movimento. E o movimento começa pela voz do líder.”

Adibe compartilha da mesma convicção. Para ele, acabou o tempo do CEO ficava apenas nos bastidores. O novo líder precisa ter carisma, comunicação e coragem para se expor, defender sua marca e construir reputação com autenticidade.

“O público quer saber quem está por trás das empresas e os líderes que entenderem isso sairão na frente. A nova geração de CEOs vai precisar ser híbrida: boa gestão, boa gente e que tenha uma boa história. Liderar, vender e inspirar são partes do mesmo trabalho”, finaliza.

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