A elite do varejo brasileiro esteve reunida no Harvard Club, em Nova York, para acompanhar a programação exclusiva desenvolvida pela delegação BTR NOVAREJO. Um momento de muito conteúdo e relacionamento entre os mais de 200 participantes. ?A presença de representantes de todo o setor neste local é, acima de tudo, um símbolo da união do varejo brasileiro, o maior empregador da economia nacional?, afirmou Roberto Meir, publisher da revista NOVAREJO.
?O que vimos aqui mostra que o varejo brasileiro não deixa nada a desejar na organização de nossos eventos?, afirma João Galassi, vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). ?Temos networking, muito conteúdo de altíssimo nível, palestrantes incríveis. Só não temos Nova York?, brinca.
O evento foi aberto com um choque de realidade. Aldo Musacchio, professor de Harvard e autor do livro ?Reinventando o Capitalismo de Estado ? O Leviatã nos Negócios: Brasil e Além?, criticou duramente as escolhas do governo Dilma e desenhou um cenário delicado para os próximos anos. ?Estamos crescendo menos e em um ambiente de mais insegurança.
É preciso fazer um enorme ajuste nas contas públicas e também ajustar as expectativas do mercado, para que o País possa voltar a crescer mesmo em um momento complicado, de queda no preço das commodities?, analisa Musacchio. Não à toa, apenas três dias depois da apresentação, o governo deu início a uma série de ajustes para aumentar as receitas em 2015, incluindo aumento de alíquotas de impostos e não reajuste do imposto de renda. ?O Brasil está em uma situação ruim, que ainda pode piorar, mas o governo está emitindo os sinais corretos para os investidores, o que deverá evitar uma crise?, afirma.
Depois disso, foi a vez de Scot Wingo, CEO da Channel Advisors e um dos maiores estudiosos da Amazon no mundo, dissecar a empresa e mostrar o que faz a ?loja de tudo? ter um impacto tão grande sobre o varejo global. ?O uso intensivo de dados para entender e antecipar o comportamento dos consumidores, a infraestrutura logística sem igual e um marketplace que financia o desenvolvimento de novos projetos, a Amazon é uma ameaça a negócios de todos os tipos?, afirma Wingo. O que não significa que a empresa seja imbatível. ?Investimento em marcas próprias, participar de marketplaces rivais, ser mais eficiente que a própria Amazon em determinadas categorias e muita agilidade para inovar são alguns fatores em comum entre as empresas que estão derrotando a Amazon em diversos países?, comenta.
O roadmap da inovação
Com esse alerta à necessidade de inovar, Wingo passou o bastão para Mark Payne, CEO da Fahrenheit 212, uma das principais empresas de consultoria em inovação dos Estados Unidos. Payne apresentou um mapa estratégico de como criar uma cultura de inovação voltada ao cliente e às necessidades dos negócios. ?Um erro comum é apresentar uma inovação que seja ótima para o cliente, mas não agregue valor à empresa. Ou vice-versa. A inovação que gera retorno financeiro e aumenta a competitividade é aquela que alia criatividade e visão de negócios, com foco nos ganhos para todos os stakeholders?, explica.
Ao apresentar a metodologia Money & Magic, que combina a inovação com senso de realidade e capacidade de despertar emoção, Payne mostrou que a estratégia vencedora precisa resolver tanto o ?wow? (o encantamento do cliente) quanto o ?how? (como realizar de uma forma prática). ?A inovação precisa se adaptar à marca, e não destruí-la. Quem precisa mudar em virtude da inovação é o mercado, não a empresa?, alerta.
Por estar em um meio termo entre o conhecido e o desconhecido, criatividade é essencial para o desenvolvimento de uma estratégia de inovação corporativa. ?A dificuldade é encontrar o ponto de equilíbrio entre as necessidades atuais e as demandas futuras. O hoje não pode matar o amanhã, e o amanhã não pode estar descolado do que acontece atualmente?, pondera.
Depois do almoço, foi a vez de Rajiv Lal, professor de varejo da Universidade de Harvard, mostrar como o varejo especializado pode sobreviver em meio à revolução do setor. ?Os players on-line mudaram o equilíbrio de forças e exigem que o varejo utilize novas ferramentas para entender seus clientes e ser mais conveniente?, comenta. Como o retorno do investimento sobre as lojas vem caindo, o varejo vem se questionando qual será o futuro dos pontos de venda. ?Os pontos de venda precisam oferecer uma experiência diferenciada para que compensem o fato de ser menos conveniente que as compras on-line?, avalia.
Parta para o ataque
Andrea Fishman, sócia da área de consultoria da PwC, mostrou em seguida como as oportunidades existentes para que o varejo melhore seu desempenho ao ampliar o relacionamento com o cliente para o mundo digital. ?Esse conceito de separação de canais existe dentro das empresas, mas não para os clientes. Os consumidores não veem o mundo em compartimentos: para eles, tudo está conectado?, afirma. Por isso, os grandes varejistas do futuro serão aqueles que criarem grandes experiências para seus clientes, baseadas em produtos, mas cercadas por serviços e interatividade. Para Andrea, a melhor defesa é o ataque. ?Antecipe as necessidades de seus clientes. Quem for ágil, agressivo e pensar fora da caixa terá mais chances de sucesso do que aqueles que ficarem presos ao status quo?, teoriza. ?Precisamos imaginar o que será possível fazer e ir atrás disso. A inovação é a grande oportunidade de diferenciação?, completa.
Para encerrar o Harvard Day, um painel trouxe grandes lideranças do varejo brasileiro. Hilgo Gonçalves, CEO da Losango; Sergio Herz, CEO da Livraria Cultura; Ronaldo Pereira, presidente da Óticas Carol; e Julio Baião, CIO da Via Varejo, debateram com Roberto Meir, CEO do Grupo Padrão e publisher da revista NOVAREJO, os rumos do varejo. Em comum, a visão de que o varejo brasileiro vive um momento de busca por eficiência, mas não deve entrar no discurso de crise. ?Vemos previsões ruins para toda a economia, mas muitos varejistas que estão aqui conosco irão crescer em dois dígitos em 2015. É um momento de grandes oportunidades e possibilidades de inovação?, avalia Roberto Meir.