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A canção da desigualdade está no fim?

A canção da desigualdade está no fim?

SXSW mostra que quando o assunto é igualdade de gênero, a indústria de música ainda desafina. Até quando?

A indústria da música foi por décadas um segmento dominado por homens. Apesar de progressos recentes, com executivas do sexo feminino comandando algumas gravadoras, uma área permanecia “reservada” para os homens, justamente a responsável pelos Artistas e Repertórios (A&R). O SXSW dispôs-se a discutir qual é o limite da atuação feminina na indústria da música e o seu papel na área de A&R, enfrentando estereótipos ainda remanescentes.

“Mulheres à frente de Artistas e Repertório: ultrapassando os estereótipos”, esse foi o tema do painel no SXSW sobre a evolução das mulheres na indústria da música, que contou com a presença de Alyssa Castiglia, Diretora de Artistas e Repertório (A&R) da Island Records, Kristina Grossman, da Republic Records, Michelle Fantus, Diretora de Criação Sênior da Razor & Tie Music Publishing e Molly Jonke, Diretora de A&R da Atlas Music Publishing.

Alyssa diz que o preconceito que permanece para as mulheres na área de A&R é justamente o emocional. Fantus por outro lado, diz que a confiança em seu trabalho, pelos artistas é muito grande. As artistas femininas confiam muito nessas executivas e os homens sentem-se à vontade. Grossman fala que a paisagem musical atualmente é favorável às mulheres porque há mais oportunidades. Mesmo nas gravadoras e na indústria de entretenimento há mais mulheres executivas.

Castiglia diz que ainda percebe dificuldades, em sua companhia, na Island Records, há apenas dois homens. Por isso, na opinião dela, a mentoria ajuda muito a superar essa barreira, principalmente para facilitar o acesso de mulheres a outras posições na indústria.

Jonke levanta a questão de que modo será possível conciliar a família, filhos e a ascensão na carreira de executiva. Na opinião de Fantus há mais opções para facilitar essa transição e essa combinação. “Mas atualmente estou totalmente focada na minha carreira e nem sequer penso ainda na possibilidade de chegar em casa e cuidar de um filho”. Alyssa considera que seria interessante ter um parceiro que cuide da família enquanto ela trabalha. A flexibilidade no trabalho, home office e plataformas de comunicação digital facilitam um pouco essa situação e acomodação.

Foto de Jacques Meir
Foto de Jacques Meir

“Spotify e Google são empresas sensíveis à essas questões envolvendo a conciliação da vida pessoal e profissional, mas ainda há um grande caminho a ser percorrido não só para mulheres, mas para que os homens possam ter flexibilidade em sua vida profissional”, comentou Jonke.

Comunidade

“Mulheres trabalham bem juntas?”, provoca Jonke. Michelle Fantus e Kristina Grossman diz que não há dúvidas que sim. Mulheres se apoiam, se ajudam, já participam ativamente de premiações e reconhecimentos e são sim, muito próximas, motivando a criação de comunidades. Castiglia diz que essa ideia de “agressividade” associada às mulheres não condiz com a verdade, na medida em que os homens normalmente são eles sim, agressivos. Ela diz que não se deve confundir a paixão com que se envolvem no trabalho com sentimentos negativos.

Sexo afronta?

E como lidar com músicos e canções que encaram a mulher como objeto? Segundo as painelistas, isso faz parte da indústria do entretenimento, deve ser encarado como parte do trabalho, por mais ofensivo que pareça. Uma posição contraditória, no mínimo.

Quais são as mulheres mais admiradas na indústria da música? Algumas delas, citadas no painel foram Judy Garson, mãe, talentosa e grande editora musical, Alessandra Patsavas, uma personalidade impactante, Samantha Cox, muito respeitada por todos os compositores e artistas do segmento. Via de regra, as mulheres mais admiradas são aquelas que mostram como as coisas podem ser feitas e como passam por cima dos estereótipos, conseguindo superar a visão de gênero e prevalecer pela própria competência e talento.

O que as mulheres fazem de diferente com os artistas? Castiglia diz que sua maturidade emocional permite lidar melhor com os artistas. Para Fantus, é possível realmente colaborar melhor com os artistas, dando tranquilidade para que produzam canções melhores. Já para Grossman, ela procura não comparar ou rotular que mulheres têm mais talento que homens. Ela diz que a função é de confiança e que a responsabilidade é grande. Cultivar uma cultura na qual a questão de gênero não seja colocada na mesa. O trabalho precisa ser feito. Na área de A&R o trabalho é feito em conjunto com os artistas, produtores, engenheiros, mixadores, advogados, normalmente funções que são assumidas por homens. Há toda uma mentalidade desenhada para homens e que precisa ser revista. Mas para isso, é necessário encorajar mulheres a fazer parte da indústria.

Estranheza e competência

A grande questão do painel foi a “estranheza” que a presença feminina em algumas áreas causa. A cada nova geração, esse ruído é mais e mais absorvido, tornando natural – como deve ser! – a ascensão profissional das mulheres e sua participação em qualquer função corporativa, de qualquer segmento. A igualdade de gênero é um valor que melhora as chances de uma empresa triunfar e crescer.

Competência vira o jogo da desigualdade. Como definiu Michelle Fantus, no final do painel: “esteja junto com o seu time, faça amigos, mostre que você gosta realmente do negócio. Entregue-se com paixão e encontre novos artistas. Tenha paciência, peça a opinião dos colegas para tomar melhores decisões, entendendo o que leva um músico ao sucesso”.

*Jacques Meir é Diretor Executivo de Conhecimento, Conteúdo e Comunicação do Grupo Padrão. 

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