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Relatório do Banco Central mostra concentração bancária em queda

Relatório do Banco Central mostra concentração bancária em queda

Segundo o Banco Central, houve queda gradual nos índices de concentração de crédito, ativos e depósitos, enquanto cooperativas e instituições não bancárias expandem.
Relatório do Banco Central mostra concentração bancária em queda
Relatório do Banco Central mostra concentração bancária em queda

Nos últimos anos, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem passado por transformações significativas. Um dos movimentos mais relevantes é a gradual redução da concentração bancária, que revela uma maior diversificação dos players no mercado de crédito e serviços financeiros.

Dados divulgados no Relatório de Estabilidade Financeira, do Banco Central do Brasil (BCB), referente ao segundo semestre de 2024, mostram que a hegemonia dos grandes bancos está perdendo força diante da expansão das cooperativas de crédito e das instituições financeiras não bancárias.

O que dizem os indicadores do Banco Central?

Dois dos principais instrumentos utilizados para medir a concentração de mercado são o Índice Herfindahl-Hirschman normalizado (IHHn) e a Razão de Concentração dos Quatro Maiores (RC4). Ambos apresentaram queda ou estabilidade em 2024. Porém, essa queda não é restrita ao período analisado no relatório mais recente; ela aconteceu também no ano anterior.

No caso das operações de crédito, o IHHn recuou de 0,1003 em 2022 para 0,0986 em 2024. A RC4, que representa a participação de mercado das quatro maiores instituições financeiras, também caiu. O número foi de 58,6% em 2022 para 57,9% em 2024. Essa leve, mas constante redução demonstra que outros agentes estão ganhando espaço em um setor tradicionalmente dominado por poucos.

A mesma tendência foi observada em ativos totais e depósitos, dois dos principais agregados contábeis do setor financeiro. O indicador IHHn para depósitos, por exemplo, passou de 0,0966 em 2022 para 0,0919 em 2024. No mesmo período, o RC4 caiu de 58,4% para 57,1%.

Quem ganha terreno?

O relatório mostra ainda que a participação de mercado dos grandes bancos caiu de 86,2% em 2022, para 85% em 2024. Ao mesmo tempo, houve uma expansão das cooperativas de crédito e das instituições não bancárias. As cooperativas, por exemplo, aumentaram sua fatia nas operações de crédito de 6,3% em 2022 para 7,2% em 2024. Já as instituições não bancárias ampliaram sua presença de 1,7% para 2,6% no mesmo período.

Segundo o Banco Central do Brasil, isso pode ser associado à atuação das instituições não bancárias no mercado de cartão de crédito e de crédito sem consignação. Ao mesmo tempo, as cooperativas reforçaram sua presença em modalidades como cheque especial e capital de giro.

Panorama por segmento de crédito

O levantamento do BCB mostra ainda que a análise por mercado relevante reforça a tendência de diversificação. Ao usar a métrica do Equivalente Número do IHHn (EN), que mede a quantidade efetiva de concorrentes relevantes em um mercado, foi possível notar que segmentos como capital de giro (PJ), cartão de crédito (PF e PJ) e operações com recebíveis (PJ) já são considerados desconcentrados.

No capital de giro para pessoas jurídicas, por exemplo, o EN saltou de 11,0 em 2022 para 13,5 em 2024, enquanto a RC4 caiu de 57,4% para 51,7%. Já no mercado de crédito pessoal sem consignação – único segmento com evolução no Razão de Concentração dos Quatro Maiores – o RC4 aumentou de 47,5% em 2022 para 49,2% em 2024, enquanto o número de instituições financeiras efetivas com mais de 0,1% de participação subiu de 54 para 72.

O Banco Central do Brasil reforça que a composição do mercado de crédito no Brasil e suas variações são influenciadas principalmente pela origem dos recursos para operações de crédito. Nos segmentos em que prevalece o crédito direcionado, como financiamentos com subsídios ou regras específicas, os bancos públicos lideram em participação. Já nos mercados com recursos de livre alocação, onde não há exigência de destino específico para o crédito, os bancos privados predominam.

Em 2024, os mercados de corretagem – como ações, mercadorias e futuros –, assim como o de distribuição de produtos de investimento, registraram aumento no nível de concentração em comparação aos anos anteriores (2022 e 2023). A tendência foi identificada tanto pelo índice de EN quanto pelo indicador RC4.

Apesar do avanço, os dados ainda indicam que, conforme os parâmetros estabelecidos pelo Guia de Análise Atos de Concentração, o mercado de corretagem segue classificado como desconcentrado. No caso da distribuição de produtos de investimento, o nível de concentração permanece moderado.

Ao mesmo tempo, ainda persistem altos níveis de concentração em setores como financiamentos habitacionais e financiamentos de infraestrutura. Nesses casos, a natureza exige maior volume de recursos e maior regulação. Nestes, os bancos públicos – como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil – seguem com o domínio da maior parte do mercado.

Grandes bancos ainda lideram

O relatório do BCB frisa ainda que, apesar da redução dos índices de concentração, os quatro maiores bancos do país – Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Bradesco – ainda concentram mais da metade do mercado de crédito, ativos e depósitos. Em 2024, a Caixa liderava com 19,7% das operações de crédito, seguida pelo Banco do Brasil (16,5%), Itaú (11,2%) e Bradesco (10,4%). Em 2022, esses percentuais eram, respectivamente, de 19,1%, 16,1%, 11,9% e 11,6%.

*Foto: Adilson Sochodolak / Shutterstock.com

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