Em um momento de crise nos aplicativos de namoro embalada pelo comportamento da Geração Z, a Bumble anunciou o corte de cerca de 240 funcionários, o equivalente a 30% da equipe, como parte de um esforço para reestruturar a empresa. A decisão, comunicada por meio de uma carta da CEO Whitney Wolfe Herd na quarta-feira (25) reflete um ponto de inflexão vivido por toda a indústria. “A realidade é que precisamos tomar uma ação decisiva para reestruturar e construir uma empresa resiliente, intencional e preparada para a próxima década”, afirmou.
Por trás do movimento está a tentativa de reagir à desaceleração do crescimento e à queda das ações no setor. Segundo reportagem do Wall Street Journal, as plataformas estão enfrentando dificuldades para conquistar a Geração Z, faixa etária que, nos últimos anos, perdeu o interesse pelos aplicativos de namoro tradicionais. Essa mudança de comportamento obrigou empresas como a Bumble a repensar produtos e estratégias.
Wolfe Herd destacou que a meta da empresa é voltar a operar com a agilidade de uma startup. Isso significa lançar produtos com mais velocidade e foco na experiência do usuário. Desde o boom da pandemia, os aplicativos de namoro viram uma explosão de cadastros, mas também passaram a lidar com um número crescente de usuários frustrados.
“Apps de namoro não funcionam como redes sociais, onde mais pessoas e conteúdo melhoram automaticamente o produto”, disse a CEO em ligação com investidores. Para ela, mais perfis nem sempre significam melhores matches, e, sim, mais incompatibilidades e perfis falsos.
A disputa pela atenção da Geração Z também levou o Match Group, dono do Tinder e do Hinge, a tomar medidas semelhantes. Em maio, a empresa reduziu 13% do quadro, eliminou níveis de gestão e reorganizou suas equipes com foco no desenvolvimento de produtos. O CEO Spencer Rascoff comparou o Tinder a um bar que precisa de reforma.
A ideia é deixar de lado a imagem de um app voltado apenas para encontros casuais e torná-lo mais convidativo aos jovens, com recursos voltados para encontros em grupo e uma atmosfera mais descontraída.
“Precisamos inovar para atrair mais pessoas ao nosso estabelecimento”, afirmou Rascoff. Com equipes mais enxutas, a expectativa é acelerar os lançamentos . “Os funcionários têm mais autonomia porque podem causar mais impacto. Não se trata de dar a uma pessoa o trabalho de três, mas de posicioná-la para que possa ter maior impacto e, então, cobrar responsabilidade.”
Tanto Bumble quanto Match Group reconhecem que reconquistar o interesse da Geração Z é vital para o futuro do setor. Com novos hábitos, valores e expectativas em relação aos relacionamentos, os jovens estão forçando as empresas a reinventarem não apenas suas plataformas, mas também sua linguagem e propósitos.





