/
/
Agentes de IA e o redesenho da cadeia do comércio

Agentes de IA e o redesenho da cadeia do comércio

Da descoberta à finalização da compra, o comércio agêntico subiu ao palco do IACX com o case da primeira transação via agentes de IA do Banco do Brasil.
Pedro Bramont, diretor de Meios de Pagamento e Serviços Bancários do Banco do Brasil.
Pedro Bramont, diretor de Meios de Pagamento e Serviços Bancários do Banco do Brasil, no IACX 2026.
Foto: Consumidor Moderno.
O e-commerce caminha para uma nova fase com a chegada dos agentes de IA aos meios de pagamento, inaugurando o chamado comércio agêntico. Um marco dessa transformação foi a primeira transação do tipo no Brasil, realizada pelo Banco do Brasil e Visa, em que um agente buscou, selecionou e concluiu uma compra em cerca de um minuto. A tendência, já em avanço global, promete uma verdadeira revolução no CX.

Em março, o Banco do Brasil e a Visa realizaram a primeira transação com agente de IA, em um piloto que ilustra o potencial de uma nova lógica de consumo.

A operação funcionou de forma simples, ao menos na interface para o usuário. O consumidor definiu parâmetros como produto, preço máximo e prazo de entrega. A partir disso, o agente buscou opções, selecionou o fornecedor e executou a compra automaticamente, com autenticação bancária e tokenização do pagamento. O processo levou cerca de um minuto.

No IACX 2026, Pedro Bramont, diretor de Meios de Pagamento e Serviços Bancários do Banco do Brasil, compartilha esse caso como a “revolução do comércio eletrônico”.

“Essa revolução desafia os arranjos de pagamentos existentes e mexe não apenas com audiência, mas com todos os players da cadeia de meios de pagamento”, pontua.

Em outras palavras, a lógica do e-commerce está prestes a mudar de forma estrutural e mais rápido do que muitos imaginavam. A chegada dos agentes de IA aos meios de pagamento inaugura o chamado comércio agêntico. No modelo, sistemas autônomos passam pesquisar, orientar e a executar compras com base em parâmetros definidos pelos consumidores.

Se até aqui o comercio digital evoluiu dos cartões (1958) ao e-commerce (1994), do mobile (2008) à atual fase de social commerce, agora vemos agentes de IA assumindo etapas inteiras da jornada de compra. Da navegação ao clique, o próximo salto é a delegação da decisão de compra via agentes de IA.

O embrião de uma nova dinâmica de consumo

Pedro Bramont, diretor de Meios de Pagamento e Serviços Bancários do Banco do Brasil, no IACX 2026.

Mais do que a velocidade, o experimento do BB revelou a capacidade de sistemas negociarem, decidirem e concluírem compras dentro de regras predefinidas, sem intervenção humana direta.

Esse movimento não é isolado e faz parte de um movimento global liderado por gigantes de tecnologia, bandeiras de pagamento e instituições financeiras.

Empresas de meios de pagamento e grandes plataformas digitais já investem na criação de seus próprios agentes, com um objetivo claro: não perder relevância na nova camada de interface de IA entre consumidor e consumo.

Isso porque a disputa deixa de ser apenas por preço ou sortimento no ambiente digital, e passa a ser por quem melhor se relaciona com o consumidor de forma ágil e precisa e de quem controla a decisão algorítmica sobre ofertas.

O impacto é direto na chamada “audiência digital”, como diz Bramont. Se hoje essa audiência ainda está concentrada em marketplaces e buscadores, ela tende a migrar gradualmente para ambientes mediados por IA, onde a descoberta não depende mais da navegação ativa do usuário.

Nesse cenário, Bramont faz um alerta: “quem não estiver integrado a esses agentes corre o risco de simplesmente deixar de existir no processo de escolha do consumidor.”

O que muda na jornada de compra

O comércio agêntico reorganiza três etapas centrais:

  • Descoberta: agentes passam a recomendar produtos com base em contexto, histórico e preferências.
  • Checkout: pagamentos são executados automaticamente dentro de parâmetros definidos.
  • Gestão do pedido: acompanhamento, trocas e disputas podem ser mediados pela própria IA.

Além disso, Bramont avalia que surgem novas dinâmicas, como negociações em tempo real, contraofertas e até “mini leilões” entre varejistas para conquistar a próxima compra do consumidor.

Desafios e oportunidades

A evolução e adoção desse modelo traz um conjunto complexo de implicações para o mercado. Segundo Bramont, as principais são:

Oportunidades
  • Conversão mais eficiente: redução de fricções no checkout e possibilita decisões mais rápidas.
  • Personalização em escala: permite compras baseadas em contexto, preferências e histórico.
  • Novos modelos de negociação: com preços dinâmicos e ofertas em tempo real entre agentes e varejistas.
  • Expansão de consumo: experiências mais simples podem aumentar frequência de compra.
  • Integração com Open Finance: uso de dados e consentimento para jornadas mais inteligentes.
Desafios
  • Definição de responsabilidade: quem responde por erros, agente, banco, varejista ou consumidor?
  • Segurança e fraudes: necessidade de novos padrões de autenticação e controle.
  • Privacidade e LGPD: uso de dados, inclusive de terceiros, exige governança rigorosa.
  • Critérios de escolha: como o agente decide entre opções equivalentes?
  • Disputa por relevância: marketplaces podem perder espaço para plataformas com agentes.
  • Complexidade regulatória: necessidade de regras claras sem travar a inovação.

O que está no centro dessa transformação?

Um dos pontos mais sensíveis e estratégicos levantados no painel do IACX sobre essa transformação com agentes de IA para compras, está nos meios de pagamento.

“Aqui surge um dilema: qual será o padrão dominante no comércio agêntico?”, questiona Bramont.

Na avaliação do diretor do Banco do Brasil, temos, de um lado, o Pix, com alta adoção e potencial de automação via iniciadores de pagamento. De outro, os cartões, com infraestrutura consolidada de tokenização e segurança.

“Essa disputa não é apenas técnica. Ela define como será estruturada toda a cadeia de valor, da experiência do usuário à distribuição de responsabilidades em casos de erro ou fraude”, define Bramont.

“Quando existe uma tecnologia com grande potencial disruptivo, menos é mais. Nesse caso, acreditamos que menos regulação passa a ser benéfico para criar regramentos em experiências concretas”, acrescenta o executivo.

O impacto na cadeia do e-commerce

O que fica claro no IACX é que o comércio agêntico não afeta apenas o consumidor. Ele redesenha toda a engrenagem do e-commerce.

Para os varejistas, o desafio será se tornar “legível” para agentes. Isso significa estruturar catálogos, garantir reputação, otimizar logística e participar de negociações automatizadas. “Quem não fizer isso, pode perder visibilidade e vendas”, frisa Bramont.

Para marketplaces, o risco é ainda maior com a perda da “centralidade na jornada de descoberta”. Ou seja, se a escolha passa a acontecer fora da plataforma, o tráfego deixa de ser um ativo garantido para os players.

Para instituições financeiras e meios de pagamento, surge uma nova camada de protagonismo e de responsabilidade. Elas passam a ser peças-chave na autorização, segurança e governança dessas transações.

Para consumidores, apesar de toda desconfiança que algumas tecnologias despertam, o ganho é claro: conveniência instantânea.

Quem decidirá pelo consumidor?

Contudo, essa revolução vem acompanhada de um novo tipo de relação com o consumo, mediada por algoritmos que decidem com base em regras e não, necessariamente, em emoção. Esse é um ponto que o IACX 2026 analisa com ênfase: o equilíbrio entre emoção humana e automação.

No fim, o comércio agêntico aponta para um futuro em que comprar passa a ser um processo automatizado. Se a experiência nesse novo contexto trará uma nova revolução, só o tempo dirá.

O que sabemos agora é que a IA avança rapidamente. E nesse novo jogo sobre comércio e agentes de IA, a pergunta central deixa de ser “onde ou com quem comprar?”, e passa a ser “qual o melhor agente de IA que decidirá por mim?“.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Caso real mostra como IA reduziu TMA em 30% e elevou a experiência do cliente ao dar mais autonomia aos atendentes.
IA no atendimento: como a tecnologia está elevando o humano no CX
Caso real mostra como IA reduziu TMA em 30% e elevou a experiência do cliente ao dar mais autonomia aos atendentes.
contexto do cliente IACX 2026
Entender o contexto do cliente é essencial para escalar com IA
Com o avanço da IA, a experiência do cliente ganha contexto, intenção e capacidade preditiva, exigindo integração e uma nova mentalidade orientada ao cliente.
Estratégia conversacional ganha protagonismo no CX: entenda como WhatsApp, agilidade e autonomia estão redefinindo a experiência do cliente.
IA transforma conversas em resultados: por que o WhatsApp virou o centro da estratégia de CX
Estratégia conversacional ganha protagonismo no CX: entenda como WhatsApp, agilidade e autonomia estão redefinindo a experiência do cliente.
Painel do IACX mostra que o futuro da experiência do cliente depende menos da tecnologia isolada e mais da forma como ela é aplicada – com estratégia, contexto e sensibilidade humana.
O humano ainda cabe na experiência automatizada?
Painel do IACX mostra que o futuro da experiência do cliente depende menos da tecnologia isolada e mais da forma como ela é aplicada – com estratégia, contexto e sensibilidade humana.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.