Em tempos de hiperconectividade, mudanças aceleradas e consumidores cada vez mais exigentes, o que define um bom líder? A resposta para essa pergunta está mudando – e rápido. Não basta mais delegar tarefas e esperar resultados. A liderança contemporânea exige presença, coragem, agilidade e, principalmente, a habilidade de construir ambientes em que decisões possam ser tomadas com velocidade e propósito.
Esse foi o tom do painel Na Velocidade do Agora: Liderança Ágil para o Mundo Digital, realizado durante o CONAREC 2025. Participaram da conversa os CEOs da Veloe, Kwai, UOL, Aramis e Havaianas. O painel, mediado por Tim Lucas, da Hyper Island, trouxe perspectivas complementares sobre como reinventar a liderança diante da transformação digital. Entre as práticas compartilhadas estão:
- Descentralização da tomada de decisões.
- Horizontalização das equipes
- Valorização da escuta ativa.
- Construção de culturas organizacionais que favorecem a experimentação e a velocidade.
Nesse sentido, André Turquetto, CEO da Veloe, destaca que agilidade não se confunde com pressa. “Mais do que velocidade, o líder ágil precisa interpretar o cenário e tomar decisões com assertividade, mesmo quando os sinais não são visíveis”, diz. O executivo aponta que, muitas vezes, os concorrentes surgem de fora do setor e que, diante de tanta complexidade, compreender o contexto se torna mais valioso do que agir rápido.
Já Claudine Bayma, diretora-geral da Kwai Brasil, destaca que liderar com agilidade passa por escutar os colaboradores. “A escuta ativa é muito importante. Hoje, além de vídeos curtos, temos live streaming e live commerce. A gente monitora e trabalha com dados 24 horas por dia, sete dias por semana. Não só acompanhando tendência, mas prevendo movimentos”, destaca. Nessa dinâmica, a executiva lembra que “erro não é falha, erro é aprendizado”.
No UOL, o CEO Paulo Samia vê a agilidade como uma das principais vantagens competitivas da empresa. “A gente lança, mede, aprende e, se não faz sentido, corrige rápido.” Para ele, “a chave para uma liderança ágil é delegar muito bem, dar autonomia e o poder para as pessoas tomarem decisões conscientes e, principalmente, terem liberdade para corrigir a rota quando necessário”.
Agilidade exige cultura forte e rituais claros
No varejo de moda, Richard Stad, CEO da Aramis, vem liderando uma transformação que une tecnologia, cultura e organização por squads. “Agilidade só acontece quando está todo mundo integrado em uma visão só. E isso se constrói com cultura e rituais”, afirma.
Na prática, os times trabalham com metodologias de gestão cruzadas e ciclos curtos de entrega, o que permite reagir a mudanças com eficiência sem perder o foco. Para Richard, a liderança precisa manter o olhar tanto no presente quanto nos horizontes de médio e longo prazos – garantindo que os investimentos de hoje estejam alinhados à visão de amanhã.
Em linha semelhante, Fernando Rosa, CEO da Havaianas Brasil, apresenta exemplos de como a marca transformou escuta social em resultados tangíveis. “Lançamos a coleção buttercream, que demorou dois anos para ser nomeada, e um consumidor apelidou de ‘Havaianas encardida’. A gente podia não falar nada, ir contra ou entrar na brincadeira. Entramos com tudo. Em poucas horas, mudamos o nome no cadastro do produto no nosso e-commerce e nas lojas. Desde então, esse produto está entre os top 3 modelos mais vendidos.”
Outro episódio envolveu uma fala polêmica de um dirigente do Corinthians: “Quatro dias depois, o Corinthians estava entrando em campo com a camisa ‘Vai de Havaianas’. E a gente explodiu de vender. Fizemos até live durante o jogo”, lembra.

Olhar para o agora sem perder o amanhã
O desafio de equilibrar decisões operacionais com visão de longo prazo é comum às lideranças. Nesse sentido, os executivos mostram como estão estruturando suas organizações para lidar com diferentes horizontes ao mesmo tempo.
Richard, da Aramis, resume: “Se você não colocar tempo e recursos em projetos de dois, três anos para frente, você se perde.” Claudine acrescenta que, “quando você sabe o que quer alcançar, as pequenas oportunidades no caminho ficam mais fáceis de abraçar”.
Além disso, os executivos indicam que a transformação digital exige mais do que novas ferramentas ou processos: é preciso um novo jeito de pensar, de delegar e de confiar. Em vez de decisões centralizadas no topo, o que se vê é uma aposta clara na descentralização com responsabilidade, na escuta que gera ação e em culturas que favorecem a ousadia.
“A transparência precisa ser mais do que um discurso – ela deve se traduzir em atitudes e exemplos concretos. Não há espaço para silos em uma organização que busca agilidade e alinhamento. Empoderar pessoas, mostrar que cada uma contribui diretamente para o futuro da empresa e reforçar a clareza da visão estratégica são formas eficazes de engajar times”, finaliza Samia, do UOL.





