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Errar rápido, aprender e ajustar: a lógica das startups no CX

Errar rápido, aprender e ajustar: a lógica das startups no CX

Cases das startups Yuool, Pipo Saúde, i2GO e Zapping mostraram, no CONAREC, que falhas bem analisadas podem ser combustível para inovações de impacto.
Cases das startups Yuool, Pipo Saúde, i2GO e Zapping mostraram, no CONAREC, que falhas bem analisadas podem ser combustível para inovações de impacto.
Cases das startups Yuool, Pipo Saúde, i2GO e Zapping mostraram, no CONAREC, que falhas bem analisadas podem ser combustível para inovações de impacto.

Práticas típicas do ecossistema de inovação podem ser aplicadas em empresas de diferentes portes para acelerar decisões e melhorar a experiência do consumidor.

“A mentalidade de startup não é só sobre o começo de uma empresa, sua fase inicial. Mas sobre como gerir de maneira ágil, mantendo o foco em resolver dores reais e aprendendo com a prática”, explicou Maximiliano Carlomagno, sócio-fundador da Innoscience, consultoria especializada em inovação e empreendedorismo corporativo.

Para o executivo, que mediou o painel Startup Thinking: a mentalidade que está transformando a jornada do cliente, realizado no CONAREC 2025, esse mindset interessa especialmente a quem atua em CX porque permite enxergar problemas reais de clientes e testá-los rapidamente, em vez de depender apenas de pesquisas e relatórios.

“É sair do escritório, ir até onde o cliente está e resolver sua dor de forma diferente das alternativas existentes”, reforçou.

Pilares do mindset

Para os convidados da mesa, os principais pilares associados às startups reproduzíveis mesmo em grandes empresas são: foco em problemas reais e recorrentes, proximidade direta com o cliente e cultura de experimentação contínua.

“Investir tempo ouvindo genuinamente o cliente é o que muda a trajetória de qualquer negócio. Muitas vezes, o que ele pede não é exatamente o que precisa. Cabe a nós separar essas camadas e agir com base em insights reais”, comentou Manoela Mitchell, CEO e cofundadora da Pipo Saúde, plataforma de gestão de benefícios de saúde corporativa.

A tônica do debate foi que a mentalidade não elimina processos tradicionais, mas os complementa com velocidade e flexibilidade. A conclusão abriu espaço para cases práticos de empresas que vivem o equilíbrio entre inovação e operação madura.

Yuool e os riscos de inovar

Para startups entrantes, arriscar faz parte do jogo. “Quando você é um novo player, precisa chamar mais atenção e se expor mais. Essa é a única forma de ganhar espaço”, disse Eduardo Abichequer, CEO da Yuool.

A marca de calçados focada em tênis de alto conforto viu essa estratégia render frutos quando apostou em uma ação ousada: convocou os próprios clientes a marcarem companhias brasileiras em uma mobilização digital que abriu portas para uma grande negociação com a Gol.

“Todos os comissários de bordo da Gol usam nossos tênis porque arriscamos. Fizemos barulho e conseguimos vender mais de 35 mil pares para a companhia aérea”, contou.

Mas nem sempre os testes dão certo. Um exemplo foi a tentativa da Yuool de lançar uma jaqueta biodegradável. “Pagamos o projeto porque todas as peças foram vendidas em tempo recorde. Mas a comunicação confundiu: já não sabiam se éramos uma empresa de tênis ou de moda. Tivemos que recuar”, relembrou Abichequer.

O executivo resumiu o aprendizado: “É preciso dar liberdade para errar, mas também saber quando parar – falhas bem analisadas viram combustível para os próximos acertos”, complementou.

Da i2GO à Vivo e o caso da Zapping

A i2GO nasceu como uma marca de acessórios para smartphones, criada para atender dores simples e recorrentes dos consumidores – como a falta de bateria – com itens como carregadores e fones de ouvido vendidos em canais alternativos, como lojas de conveniência.

O modelo cresceu rápido e, no início deste ano, a startup foi adquirida pela Vivo.

Marcelo Castro, cofundador da empresa e hoje diretor na Vivo, destacou a diferença entre experimentar em uma startup e dentro de uma corporação. “Na i2GO, testávamos rápido e barato. Já na Vivo, criamos comitês de produtos: levamos pequenos lotes, medimos resultados e só então escalamos. A agilidade existe, mas precisa de governança”, considerou.

A Zapping, serviço de TV ao vivo via internet, com operação no Brasil, Equador e Peru, trouxe um ponto complementar sobre limites de erro.

“No início, erramos bastante em marketing, mas estruturamos o SAC em pré-venda, pós-venda e retenção. Hoje, ouvimos os clientes por meio do atendimento humanizado com agentes de IA antes da transferência para o agente. Errar faz parte, mas errar sempre, não”, afirmou Cíntia Gonçalves, head de Customer Service da companhia.

Inovação contínua e equilíbrio

Um dos aprendizados mais valorizados no encontro foi a ambidestria organizacional – buscar o equilíbrio no core business com a criação de times pequenos dedicados à inovação.

“Na Pipo, 80 a 95% do time trabalha em métricas duras, mas sempre deixamos 5% a 20% olhando para novas hipóteses. Isso mantém a chama da inovação acesa sem perder a consistência do negócio principal”, disse Manoela.

O fechamento trouxe uma mensagem comum aos executivos: mais do que um modelo de gestão, o startup thinking é uma postura permanente de aprendizado – ouvir o cliente, experimentar, corrigir rápido e manter a inovação viva em qualquer escala de negócio.

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