Design e judicialização: experiências preventivas

Design e judicialização: experiências preventivas

Behavioural Designer na Hyper Island

   O atrito de um consumidor com uma marca pode começar nas entrelinhas. Seja por acaso, seja intencionalmente, a falta de transparência na interação de um cliente com um produto ou serviço pode custar caro – tanto para a empresa quanto para o cliente. Estima-se que mais de 5 milhões de novos processos envolvendo o direito do consumidor ocorram a cada ano. 

   Um dos princípios do Código de Defesa do Consumidor (CDC) fundamenta-se na tese de vulnerabilidade técnica, que tem como ideia central o fato de o consumidor não apresentar conhecimento específico a respeito do produto que está adquirindo. Assim, ele pode ser facilmente enganado e comprar algo que não atenda às suas expectativas. Portanto, “ter informações claras a respeito do produto” é uma das garantias mais importantes nas relações de consumo. 

   Na ciência comportamental existe um conceito chamado “nudge”, que traduzido seria “um empurrãozinho”. Tal conceito entende que pequenas mudanças em como as escolhas são apresentadas ou projetadas podem causar um grande impacto no comportamento do consumidor. Esse tipo de estratégia é muito utilizado para estimular melhores hábitos alimentares, financeiros etc. No entanto, em alguns casos, em vez de ajudar a fazer escolhas melhores, o objetivo é aumentar desnecessariamente os gastos do consumidor. Isso é chamado de “sludge” ou “escorregadinha”.

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   De acordo com uma pesquisa realizada nos EUA, 70% dos consumidores continuam a pagar por assinaturas indesejadas simplesmente porque se esqueceram de cancelar os serviços antes da data de renovação. O livro Evil by Design explora como algumas empresas se valem dos sete pecados capitais, abordando o lado obscuro do design persuasivo. 

   Com a enorme quantidade de dados de usuários disponíveis e com a capacidade de a IA analisar padrões evoluindo exponencialmente, torna-se desproporcional a relação de poder de certas empresas com o consumidor. Nesse sentido, o CDC avalia que, na relação consumerista, o consumidor é a parte mais frágil e, consequentemente, precisa ter seus direitos protegidos. E essa proteção pode começar no projeto das experiências.  

   Experiências transparentes, que trazem clareza do que está sendo contratado, que usem linguagem adequada para explicar os direitos e os deveres de um consumidor, sem sobrecarregá-lo, sem letras miúdas, sem asteriscos. Como diz Steve Krug: “Se você não pode tornar algo autoevidente, pelo menos precisa torná-lo autoexplicativo.” Um design amigável, transparente, preventivo e centrado no usuário pode evitar inimizades futuras. 

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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