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Tente imaginar se o CEO da empresa fosse da Geração Z

Tente imaginar se o CEO da empresa fosse da Geração Z

A Geração Z, como todas as anteriores, busca espaço, mudança e afirmação. Como nenhuma outra, tem influência. As consequências ainda são imprevisíveis
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   De tempos em tempos, mídia e sociedade discutem o conflito de gerações. Desde que o mundo é mundo, as gerações pregressas escandalizam-se com o comportamento da juventude. É do ser humano ser dramático e, por vezes, catastrofista. Como afirma Hans Rosling, fundador da Gapminder, instituição que se dedica a combater a devastadora ignorância factual que alimenta a polarização, não há praticamente nenhum aspecto da nossa vida que possa atestar que o mundo hoje é pior do que ontem. E isso, claro, é obra das diferentes gerações, que, uma após a outra, trouxeram ideias e espírito renovadores para resolver problemas humanos.

   Assim será com a Geração Z. Mas, por ora, convém entender um pouco melhor o que alimenta o espírito dos jovens que andam por aí, nas empresas, no TikTok e no YouTube, com AirPods nos ouvidos e espírito inquieto nas veias. Falamos de um contingente de milhões de pessoas entre 15 e 25 anos, sem preciosismos com datas exatas, que, guardadas certas diferenças de renda e alcance para determinadas formas de lazer, guardam certa mentalidade comum. Uma mentalidade orientada à busca incessante por dopamina, uma substância associada ao bem-estar e ao prazer e que normalmente é liberada quando adotamos (independentemente da idade) um comportamento associado a algum vício. 

   Todos temos nossa “droga de escolha” (Anna Lembke, Nação Dopamina, vale a leitura), seja chocolate, seja Coca Zero (a minha), sexo, maconha, Vape, funk e o que mais você imaginar. Bom, os jovens “Zs” são viciados em dopamina, querem emoções que liberem constantemente essa sensação de prazer e, além disso, são também caçadores de emoção.

   Mas, logicamente, após experimentar doses múltiplas de qualquer emoção capaz de liberar dopamina em quantidades oceânicas, estes jovens ficam exaustos. E demonstram essa exaustão sem freios. Sabemos que cerca de 14 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade, praticamente o mesmo número que se vicia nos proibidos cigarros eletrônicos – proibição de araque, já que uma busca na internet traz farta variedade de preços, modelos e dosagens dos Vapes e similares. Sim, o consumo mensal de cigarros eletrônicos anda na casa dos 14 milhões por mês (dados estimados, mas que, com pesquisa de Big Data, conseguimos dimensionar). Não por acaso, é uma geração desapegada de regras e padrões como “casamento eterno”, “carreira na mesma empresa”, “financiamento de casa própria” e outros compromissos que signifiquem perenidade. Os jovens vivem na instantaneidade, educados na cultura gamer, em busca da recompensa imediata e de novas fontes de emoção fortuita. 

   Por isso mesmo soam contraditórios. São frugais, mas gostam de objetos de marca; são sustentáveis e defendem o reuso, mas compram nos sites de barganha e nas lojas de desconto; são advogados da fluidez de gênero e românticos incuráveis – o Google Trends mostra que as buscas por “vestidos de casamento”, “anéis de noivado” e “frases de amor” permanecem sólidas e em volume maior do que qualquer iniciativa menos convencional. 

   A Geração Z também assumiu o Home Office e vai consolidar na marra o trabalho híbrido. Não importa a renda ou a atividade, o sonho de consumo profissional é justamente o trabalho remoto, mais do que a grana ou o “ambiente”. Ganharam aí o apoio entusiasmado dos Millennials e não adianta que os cinquentões da Geração X e alguns Boomers empedernidos briguem pela volta do trabalho full time na empresa.

   A Gen Z odeia o mainstream, razão pela qual adotou o TikTok em contraponto ao Facebook. Agora, se investe contra a cultura e a massa para valorizar a “microcultura”, como define estudo da WGSN, STEPIC Drivers 2025, também orientado à identificação de tendências de impacto na sociedade, na cultura, na moda e no mercado. O mesmo estudo destaca por que o modelo do escritório fixo, do trabalho sem flexibilidade, está caminhando rumo ao cemitério corporativo. 

   Estamos vivendo uma “Grande Migração”, para além da “Grande Desistência”, que caracterizou milhões de trabalhadores que se demitiram de seus empregos em busca de identidade de valores, fontes de dopamina profissional e maior flexibilidade. Estamos presenciando um retorno em massa a países do Leste Europeu – 1,3 milhão de romenos e 500 mil búlgaros voltaram para seus países, assim como números ainda maiores retornaram para seus países no Sudeste Asiático. Em paralelo, uma nova classe de nômades digitais está confrontando o mainstream para reescrever regras políticas e corporativas. Há estimativas de que 1 bilhão de trabalhadores poderão ser nômades digitais em até uma década. Dados do Datafolha revelam que 76% dos jovens brasileiros desejam deixar o País, uma taxa assombrosa se considerarmos a nossa autoimagem e o quanto somos fechados para o mundo exterior.

É essa geração, cheia de contradições e sonhos, ao mesmo tempo recheada de pragmatismo – quer se “aposentar cedo” – que irá ascender para o Top Level das empresas. Sim, você já pode imaginar-se sendo comandado por um CEO criado à base de videogame, ansioso ao extremo, que já teve dois empregos simultâneos e que, provavelmente, conduz uma empresa particular ao mesmo tempo em que desfia ordens para a empresa na qual você trabalha.

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   Nada disso será o fim do mundo, como não foram os jovens que criaram a linha de montagem, os jovens dos anos 60 que gritavam por “sexo, drogas e rock’n’roll” e diziam que é “proibido proibir”. Esses jovens assistiram à geração seguinte levar a liberação sexual ao limite até verem surgir a AIDS, doença incurável, transmissível sexualmente (não apenas), hoje, felizmente, sob razoável controle. E os jovens que sofreram com a AIDS viram os jovens dos anos 90 com sua aversão a banho, e com as calças jeans destroçadas deslizando pela cintura… Sim, é da natureza humana dramatizar a geração subsequente e acreditar que o “mundo de antigamente” era bom. 

   O fato é que a Geração Z consegue escrever suas próprias narrativas e, dessa forma, pautar as discussões na mídia e na sociedade. Exatamente por isso, sua influência assusta e intimida, porque nunca houve tamanha facilidade de repercussão à disposição dos jovens como atualmente.

   A nostalgia de um “mundo melhor”, ancorado em um passado sem volta, é simplesmente um exercício de viés de confirmação e de sentimento de separação, no qual existem ganhadores e perdedores e que, por isso mesmo, o mundo “perde” com o poder da Geração Z.

   Felizmente, os dados e a história desmentem essa impressão. O mundo ganha a cada geração, por vezes lentamente, agora mais rapidamente. E os CEOs da Geração Z, em breve, irão reclamar dos jovens Alpha, embriagados pela Inteligência Artificial e pela velocidade do Fortnite. Ainda assim, como tem acontecido há séculos e com mais evidência nas últimas cinco décadas, aqueles que amam o passado não veem que o novo sempre vem. E o novo agora, com home office, TikTok, inconstância, narcisismo digital, streaming, gênero fluido e comida orgânica, é a Geração Z. 

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