Geração Z vs. o poder das tribos: abrace as estranhezas

Geração Z vs. o poder das tribos: abrace as estranhezas

Behavioural Designer na Hyper Island

   Geração Z (ou Centennials, Zoomers etc.): há quem acredite que eles vão salvar o mundo; há quem os considere superficiais e desinteressados, atribuindo-os, pejorativamente, o apelido de “nem-nem”. Uns consideram que eles têm maior consciência coletiva, outros os acham mimados. Paradoxal, né? 

   É fato que a primeira geração nativa digital quebrou paradigmas na forma como vivemos e consumimos. São adeptos do smart buying, estão acostumados às barganhas e à conveniência das compras on-line. Com isso, provocam empresas e experiências a se adaptarem às suas necessidades. 

   Mas será que é mesmo possível tentar encaixar mais de 1/3 da população mundial em um único estereótipo? Pensando em uma curva normal de distribuição de comportamentos dentro de uma geração, existe mesmo uma maioria – um normal – atualmente? O mundo é cada vez menos preto e branco e mais tons de cinza, menos categorias e mais espectros. 

   Nos conectamos com as pessoas muito mais por interesses comuns do que por termos nascido no mesmo ano ou qualquer outro dado demográfico. O ser humano é essencialmente social. Historiadores dizem que nosso sucesso como espécie se deu porque colaboramos – construímos comunidades, tribos. Claro que as tribos dos primeiros sapiens são muito diferentes das atuais, mas a essência é a mesma: conexão. Hoje nos conectamos menos para sobreviver e mais para viver. 

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   O maior estudo longitudinal já realizado colocou as relações sociais como o maior preditivo de longevidade e felicidade. Compartilhamos hobbies, interesses, rituais: colecionadores de vinil, mães veganas. E é claro que o digital impulsionou as conexões entre essas tribos, mas elas vão muito além dos nativos digitais. Os vovôs do TikTok já migraram faz tempo para a internet.

   Ao tentarmos endereçar estratégias para toda uma geração, estamos produzindo para as massas. O mercado de massa faz produtos medianos para pessoas medianas – seu principal objetivo é fornecer produtos padronizados para o maior número de clientes com qualidade aceitável e preço baixo. O século 20 foi marcado por isso, mas a lógica das massas não é mais dominante na nossa cultura. A “geração Netflix” quer ter liberdade e controle sobre o que consome; insiste em fazer escolhas.

   Seth Godin, em seu livro We Are All Weird, define essa vontade de fazer escolhas como “estranheza”: “Tudo o que não é normal é estranho, e, agora, há mais estranheza do que nunca.” É sinal de que como sociedade – em cada tribo – estamos defendendo nossas crenças, escolhendo o que queremos, saindo da normalização das massas. Mirar as necessidades e os interesses comuns de membros de uma tribo é uma estratégia muito mais atual do que tentar conter toda uma geração. O futuro é abraçar as estranhezas!

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


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