No Paraná, o governador Carlos Massa Ratinho Junior sancionou uma lei que modifica o nome da Secretaria da Inovação, Modernização e Transformação Digital. Com efeito, agora, a pasta passou a ser chamada de Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA). A alteração é fruto da Lei nº 22.324, publicada em 2 de abril de 2025. Em resumo, seu objetivo é consolidar o Plano de Diretrizes de Inteligência Artificial na Administração Pública e enfatiza a intenção de adotar tecnologias inovadoras.
A SEIA será responsável por coordenar iniciativas que integram tecnologias emergentes no setor público. Por consequência, estabelecerá diretrizes que fomentem a pesquisa, a formação e a colaboração entre instituições de ensino e o setor privado.
Como a SEIA funcionará?
De acordo com o governo, entre suas responsabilidades da SEIA estão:
- O monitoramento de projetos;
- A avaliação de tecnologias emergentes;
- E a garantia de transparência no uso de ferramentas de IA no setor público.
O plano também abrange temas como ética, transparência e regulação. Nesse ínterim, propõe diretrizes para o uso responsável da IA, em conformidade com preceitos éticos e a legislação vigente, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A SEIA contempla uma série de ações voltadas para a capacitação da equipe técnica, a modernização da infraestrutura, o estabelecimento de parcerias estratégicas e a promoção do ecossistema de inovação no Estado.
Secretaria de IA para consumidor
Ademais a Secretaria terá como objetivo promover a capacitação de servidores públicos para o uso dessas tecnologias, garantindo que eles estejam preparados para implementar ferramentas de IA que possam transformar processos, melhorar a tomada de decisão e, consequentemente, oferecer um atendimento mais ágil e eficaz à população.
Por certo, as vantagens dessa mudança para o consumidor são diversas. Em primeiro lugar, a implementação de tecnologias de IA pode levar à melhoria da eficiência nos serviços públicos, reduzindo o tempo de espera e aumentando a qualidade do atendimento. Isso se traduz em uma experiência mais rápida e satisfatória para os cidadãos – contribuintes e consumidores.
Em segundo lugar, a promoção da pesquisa e da colaboração entre instituições de ensino e o setor privado contribuirá para o desenvolvimento de soluções mais adequadas às necessidades da população. De modo que a capacitação dos profissionais que atuam no setor público, com enfoque em tecnologias inovadoras, permitirá a elaboração de políticas públicas mais efetivas e direcionadas.
Outra vantagem importante é a transparência nos processos administrativos. A utilização de ferramentas de IA pode permitir uma análise mais aprofundada de dados, possibilitando a identificação de padrões e melhorias em áreas como saúde, educação, segurança e transporte. Isso pode resultar em uma gestão pública mais responsável e que responde de maneira mais eficaz às demandas da sociedade.
Ademais, a promoção de um ambiente favorável à inovação e ao desenvolvimento de novas tecnologias pode despertar o interesse de startups e empresas de tecnologia a investirem no Estado, gerando empregos e impulsionando a economia local.
Corrida dos Estados pela IA
“Essa mudança reafirma nosso compromisso com a modernização digital, agora com um foco estratégico no desenvolvimento e na governança de projetos de Inteligência Artificial. Desejamos que o Paraná se torne uma referência nacional nessa área”, declarou o secretário da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani.
O Paraná ocupa a terceira posição entre os Estados mais inovadores do Brasil, ficando atrás apenas de São Paulo e Santa Catarina, conforme a primeira edição do Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID). Os dados são do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), órgão federal vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Entre os destaques da pesquisa, o Paraná ocupa o terceiro lugar no indicador de economia criativa, evidenciada pela conversão de insumos em produtos inovadores. Ademais, o Estado está no quarto lugar de capital humano, que combina ensino básico, superior e pesquisa e desenvolvimento (P&D), além da dimensão de negócios, que abrange força de trabalho qualificada, apoio à inovação e absorção de conhecimento. No campo de conhecimento e tecnologia, o Paraná apresenta um bom desempenho em “criação de conhecimento”, considerando o impacto científico das publicações, o número de startups e depósitos de patentes de invenção.
PR quer ser hub de inovação
Esse resultado reforça a estratégia do Governo do Paraná de transformar o Estado em um hub de inovação. Em março, o Governo do Paraná anunciou um aumento de 37% nos aportes financeiros em comparação a 2023. Para 2024, foram destinados R$ 708,9 milhões a projetos de ciência, tecnologia e ensino superior, que incluem financiamentos a iniciativas inovadoras, bolsas de estudo, editais de fomento e a expansão do sistema de universidades públicas.
Alex Canziani é secretário estadual da Inovação, Modernização e Transformação Digital. Ele diz que, o volume de investimento que o Paraná tem realizado em ciência, tecnologia e inovação é recorde. Em suas palavras, isso se dá graças às parcerias com a iniciativa privada e outras organizações sociais. “O investimento representa um grande potencial de crescimento para os indicadores do Estado nos próximos anos”.
Hub de GovTechs
Como parte das ações para consolidar o Paraná como polo de inovação, o primeiro Hub de GovTechs do Estado começa a operar. A expectativa é que seja ainda neste mês no Canal da Música, em Curitiba. O espaço receberá R$ 15 milhões em investimentos ao longo de três anos. O hub será um ambiente de conexão entre governo e startups especializadas em soluções tecnológicas para o setor público.
Ele identificará os desafios da administração pública e proporá soluções inovadoras, muitas delas baseadas em IA. Entre os projetos, estão sistemas de atendimento automatizado, análise preditiva para políticas públicas e ferramentas de gestão de dados. A iniciativa segue modelos bem-sucedidos de países como Reino Unido, Portugal e Estônia, referências em transformação digital governamental. “O Hub de GovTechs é essencial para desenvolver soluções que melhorem a vida das pessoas. É aqui que startups e governo vão trabalhar juntos para criar serviços públicos mais eficientes e acessíveis”, destacou Canziani.
Em 2024, foi lançado o segundo edital do Paraná Anjo Inovador. Esse é o maior programa de incentivo financeiro público destinado a startups do País. O investimento inicial previsto foi de R$ 20 milhões. O Paraná também avança no polo Fábrica de Ideias, que deve se tornar um grande centro de tecnologia e cultura. A licitação das obras está em andamento.





