A transformação tecnológica chegou de vez na medicina. Um estudo da plataforma Doctoralia definiu um novo padrão de pessoas procurando ajuda médica: é o paciente digital, aquele que busca resolver todas as demandas online, pelo smartphone, de forma prática e facilitada. São consumidores que valorizam a conveniência, a transparência e a personalização.
“Se tivéssemos que personificar, poderíamos afirmar que é uma mulher, por volta dos 30 anos, moradora de um grande centro urbano, que resolve a maioria das questões pessoais e profissionais pelo celular e valoriza muito a dedicação e explicação detalhada dos profissionais de saúde. Muito bem-informada e exigente, busca conveniência e valoriza autonomia, rapidez e transparência”, explica Flávia Soccol, head Global de Patient Care da Doctorallia.
Comportamento
Entre os achados, a pesquisa mostrou que, além de localização do consultório e a disponibilidade de agenda, a avaliação de outros usuários é o principal ponto considerados pelo paciente digital na hora de escolher um profissional de saúde ou plano.
Nesse contexto, as cinco especialidades mais buscadas pelo paciente digital são: Ginecologia e Obstetrícia (12%), Psiquiatria (9%), Dermatologia (8%), Ortopedia (7%) e Psicologia (7%).
O estudo aponta também que um terço dos agendamentos no Brasil são feitos fora do horário comercial (9h às 18h) e que 13% do total de usuários prefere marcar consultas aos fins de semana.
A pesquisa também reforça outra característica importante do paciente digital: ele é uma pessoa mais esclarecida e interessada. Essa é uma tendência que a revista Consumidor Moderno, ao longo dos seus 30 anos, tem apontado como atributos do consumidor brasileiro.
“Hoje, a pessoa vai às consultas entendendo os sintomas que apresenta, inclusive com possíveis diagnósticos e opções de tratamento. Obviamente, muitas vezes as informações não estão totalmente corretas, mas isso revela que os médicos e empresas do setor devem estar ainda mais preparados para lidar com esse novo perfil de paciente.” Flávia Soccol, head Global de Patient Care da Doctorallia.
Isso nos leva a um outro indicador do estudo: o “interesse genuíno”. Ele é citado por 26% dos pacientes quando perguntados sobre o que eles mais valorizam na interação com o médico, seguido de “explicação detalhada” (23%).
Alinhamento frente às novas demandas
Sobre esse perfil do consumidor de saúde e a necessidade de capacitação para esse novo momento, Flávia Soccol percebe que médicos e clínicas estão atentos e mais abertos às tecnologias digitais, utilizando plataformas de telemedicina, gestão de consultas, prontuários eletrônicos e ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para melhorar o atendimento e eficiência de seus consultórios.

Um exemplo dessa jornada com o paciente digital é o Noa Notes, um assistente virtual com IA criado pela Doctorallia especialmente para médicos, que elimina a necessidade de anotações durante os atendimentos, melhorando a interação com o paciente, a qualidade da documentação e liberando tempo para o que realmente importa na saúde: o atendimento humanizado.
No entanto, Flávia diz que esse momento também traz grandes desafios. “Um dos maiores cuidados é garantir que a IA seja usada como uma ferramenta de apoio aos médicos, e não como um substituto da expertise clínica. Além disso, o compromisso é integral em desenvolver sistemas que sigam rigorosos padrões de segurança e conformidade regulatória para proteger as informações sensíveis dos pacientes”, frisa a executiva.
A integração entre diferentes sistemas ainda é uma questão em desenvolvimento, já que muitos hospitais e clínicas utilizam plataformas distintas, que nem sempre se comunicam bem, aponta Flávia. “Temos superado essas barreiras desenvolvendo e investindo em soluções escaláveis e adaptáveis às regulamentações locais e priorizando a usabilidade para médicos e pacientes. Também trabalhamos continuamente na integração dos nossos serviços com diferentes ecossistemas de saúde para oferecer uma experiência mais fluida e conectada”, explica.
O que esperar do futuro na saúde?
Nesse contexto não há dúvidas que as ferramentas digitais estão fazendo a diferença no relacionamento com o “paciente digital”. Mais do que automação, a IA oferece insights valiosos para os médicos através da análise de dados e cruzamento de informações.
Contudo, o Brasil ainda está em estágio inicial. Segundo dados da pesquisa TIC Saúde 2024, realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, cerca de apenas 4% dos estabelecimentos de saúde no país usam IA de forma institucionalizada. Entre os médicos, a adesão à IA Generativa foi de 17% (sendo 14% nos estabelecimentos públicos e 20% nos privados).
“Esses números nos mostram que a tecnologia tem um imenso oceano de oportunidades na área da saúde. O que temos hoje já contribui muito para a experiência do paciente e para a atuação dos estabelecimentos e dos profissionais. Mas, com o alto potencial da IA, podemos esperar, e temos trabalhado em prol disso, por ferramentas cada vez mais intuitivas. Tudo isso para que o foco da atuação seja sempre o fator humano no cuidado à saúde, priorizando a qualidade”, pontua Flávia.





