/
/
NPS desacoplado: Identificando as quebras na experiência do cliente

NPS desacoplado: Identificando as quebras na experiência do cliente

Para ter uma visão real da jornada de experiência, é preciso avaliar o NPS de forma segmentada, identificando pontos críticos de satisfação.
Legenda da foto
Muitas empresas aplicam o NPS de forma padronizada e ineficaz, correndo o risco de ignorar pontos críticos da experiência do cliente e obter resultados enviesados. Para Leandro Guissoni, a solução está em medir a satisfação de forma “desacoplada”, analisando cada etapa da jornada para identificar elos fortes e fracos.

Apesar da adoção em larga escala, a maioria das empresas ainda utiliza de maneira ineficaz o Net Promoter Score (NPS) – métrica que mede a lealdade e a satisfação dos clientes. O risco disso, como destaca Leandro Guissoni, cofundador da Decoupling, empresa de consultoria em disrupção digital, autor de cases de Harvard e professor da FGV, é perder insights importantes sobre a percepção dos clientes em relação à jornada de experiência.

“Já dizia Bill Gates: os clientes mais insatisfeitos são a maior ponte de aprendizado. Então, por que revelamos apenas os dados dos clientes satisfeitos?”, provoca Guissoni.

A realidade inconveniente do NPS

O especialista explica que o NPS, frequentemente, falha ao medir a experiência real do cliente, especialmente quando aplicado de forma padronizada, como instrumento de marketing, ou em situações em que clientes são induzidos a dar notas altas.

“Muitas empresas usam o NPS de maneira ineficaz. Pesquisas podem gerar resultados tendenciosos, seja pela metodologia ou até mesmo pelo comportamento do cliente”, explica Leandro. 

Exemplos práticos disso, segundo Guissoni, são escalas de insatisfação com números elevados, brindes oferecidos por avaliações positivas, e pesquisas em locais inconvenientes, como banheiros públicos, que acabam desengajando os consumidores.

“O cliente recebe um bombardeamento de pesquisas para responder. Brinco que o Brasil é o país do carnaval, do futebol e do NPS, porque todo lugar estão tentando implementar essa métrica”, diz o professor.

Medindo o NPS de forma desacoplada

Como solução para resolver essa realidade inconveniente do NPS, o especialista afirma que a chave está em medir a experiência de forma desacoplada, avaliando os elos fortes e fracos ao longo de toda a jornada do cliente.

Na prática, isso significa mapear a jornada como um todo e medir a satisfação em cada etapa. Isso porque o NPS agregado não revela os momentos críticos de insatisfação.

“Se você trabalha com CX, precisa apontar o dedo para os pontos de frustração do cliente. Lembra da frase do Bill Gates? A insatisfação é a principal fonte de aprendizado. Você não precisa ‘operar o paciente inteiro’. Ao identificar, localmente, o que precisa ser feito para melhorar a experiência do cliente, o problema é solucionado e o consumidor fica mais satisfeito”, afirma.

A metodologia foi aplicada em setores como automotivo, varejo e saúde. Com isso, identificou-se, por exemplo, que atividades como teste drive em concessionárias e recebimento de receitas digitais são elos fortes da jornada de experiência, enquanto espera excessiva ou problemas de disponibilidade representam pontos frágeis.

Além disso, Guissoni destaca que comparar indicadores com concorrentes é essencial para identificar oportunidades reais de melhoria

Além dos números

Leandro reforça que medir a satisfação do cliente vai muito além de números agregados. As empresas precisam entender em quais momentos a experiência quebra, ou seja, compromete a satisfação como um todo, e agir de forma estratégica. 

“Onde a experiência quebra na sua empresa? Mensure e analise o NPS, de modo desacoplado e use os dados já disponíveis”, conclui ele, enfatizando que a verdadeira vantagem competitiva surge ao compreender o comportamento do cliente em cada ponto específico da jornada com a empresa, utilizando tecnologia de maneira inteligente.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

C6 Bank amplia estratégia no PJ com benefícios e IA para ganhar escala
Compra da Alymente amplia o portfólio de serviços para empresas, enquanto o uso de IA acelera o desenvolvimento de novos produtos e processos do banco.
Vanessa Rissi, superintendente de Performance e Experiência do Cliente da Veloe.
Ter mais dados ajuda uma empresa a conhecer melhor o cliente?
Para Vanessa Rissi, da Veloe, acumular informações não basta: qualidade dos dados e capacidade de análise são fundamentais para transformar informação em decisão.
Experiência sensorial é a tendência para marcas irem além das telas
Fadiga das telas e homogeneização digital levam marcas a explorar sentidos, emoções e experiências presenciais para criar valor e fidelidade.
A Virgin Atlantic mostra que orquestração vem antes da automação: a IA absorve o volume operacional, mas as interações de maior carga emocional permanecem território exclusivamente humano.
Virgin Atlantic: quando uma IA aprende a respeitar o luto de uma bagagem perdida
A Virgin Atlantic mostra que orquestração vem antes da automação: a IA absorve o volume operacional, mas as interações de maior carga emocional permanecem território exclusivamente humano.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 297

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | Runway


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]


Leandro Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Carolina Paes
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Gerente
Leonam Dias

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência? Novas cobranças do WhatsApp Marco Legal da Cibersegurança: o que muda?