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Como as mulheres podem ajudar a resolver as diferenças de gênero nos negócios?

Como as mulheres podem ajudar a resolver as diferenças de gênero nos negócios?

No CONAREC 2017, executivas e empreendedoras contaram o que fazem para reduzir um problema quase crônico nas companhias: a falta de diversidade
Legenda da foto

Debate em rodas de negócios ao redor do mundo, a questão da diversidade de gênero deixou de ser há muito tempo uma questão social. “Precisamos entender que é uma questão econômica”, disse Ana Fontes, empreendedora e fundadora da Rede Mulher Empreendedora, que mediou debate sobre como as mulheres podem influenciar os negócios a reduzir a desigualdade de gênero. O debate aconteceu no primeiro dia do CONAREC 2017, que acontece nesta semana, em São Paulo.

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“Não podemos ignorar o tema e precisamos olhar para um viés econômico: 80% das decisões de compra da família parte das mulheres”, disse, ao lado de mulheres que, de jeitos diferentes, influenciam as empresas onde trabalham e aquelas com as quais se relacionam para, de alguma forma, reduzir essa realidade. São conhecidos os estudos que mostram que, embora a mulher dedique mais tempo aos estudos, elas ainda não recebem os mesmos salários que os homens que atuam nas mesmas posições que elas. Isso sem contar a infinidade de preconceitos e demonstrações de machismos enfrentados pelas mulheres em muitos mercados.

Embora mais evidente, a questão da mulher não resume os debates sobre gêneros. Negros, homossexuais, e tantos outros temas também entram na conta da diversidade – uma equação que poucas companhias sabem resolver. “Para muitas empresas é uma realidade assustadora, mas ela está mudando”, afirmou Patrícia Molino, sócia da KPMG no Brasil. O cargo atual de Patrícia não resume sua competência a atuação nessas questões. Psicóloga e advogada, a especialista tem oito pós-graduações e comanda o Comitê de Inclusão e Diversidade da KPMG no Brasil. Além disso, ajudou a lançar a iniciativa Voices dentro da companhia para justamente dar voz a tanta diversidade. “A diversidade existe, ela está dada. A nossa batalha é a de inclusão”, disse.

As novas gerações, como as dos Zs e as dos Millennials, têm ajudado a dar mais transparência ao debate. Mais do que isso: têm ajudado as companhias a agir, principalmente quando o assunto é igualdade de gênero. “Isso porque essa nova geração tem muito a ver com o que sempre foi a expectativa da mulher. As mulheres são mais preocupadas com o risco, com o entorno, com o bem-estar de todos, estabelecem relações de longo prazo e de confiança. E é justamente isso que a nova geração cobra”, afirmou. “Quando olhamos quais são os atributos de liderança que procuramos hoje, eles são femininos”, disse.

Sem contar que sem diversidade dificilmente há inovação. “É difícil imaginar inovação sem falar com outras pessoas e pessoas diferentes de você, que pensa e age diferente de você”, disse. O diferente sempre esteve na vida de Camila Achutti, empreendedora de 25 anos, fundadora e CTO da Mastertech. Desde pequena a empreendedora se interessou pelo mundo dos códigos e mesmo sendo questionada até pela própria família enveredou-se nessa área: da sua turma de Ciência da Computação, na USP, era a única mulher. “Ali, ao invés de olhar para o problema, fui tentar entender o que estava acontecendo e buscar uma solução”, contou durante o congresso. “Debater diversidade é um debate capitalista e não de mulheres”, disse. Com isso, a empreendedora realizou uma série de ações para inserir as mulheres no mercado de tecnologia.

Território do julgamento

Como tudo na vida, boa parte do que acontece conosco é de responsabilidade nossa. Apesar de todo o histórico de machismo arraigado na cultura brasileira – em todas elas, inclusive na corporativa – e apesar de toda a bagagem que as mulheres e todo e qualquer tipo de gênero ainda precise enfrentar, a posição que a mulher ocupa na sociedade e nas empresas também é proporcional ao papel a que ela mesma se dá. “A sociedade nos impõe um papel e quando não nos identificamos com ele isso vira um peso”, disse Patrícia. “Temos de debater a questão das pessoas serem o que elas quiserem ser. A gente julga as pessoas por tudo”, disse Ana. Isso inclui o nosso próprio julgamento. Desde que percebeu que ela mesma poderia barrar seu próprio potencial, a empreendedora Carla Link, do projeto Talking City e professora do IED, parou de falar frases aparentemente inofensivas. “Tirei do meu vocabulário frases como ‘está estressada porque está na TPM’ e coisas desse tipo”, disse.

Especialista em design de serviços, Carla atua em três áreas ainda muito masculinas: governo, design e o mundo acadêmico. “Eu entendi que poderia ter um papel bem mais ativo na questão do empoderamento feminino. A mulher tem sim potencial de empreender e fazer coisas grandes, tem de saber, sim, vender a própria imagem. Um homem se candidata a uma vaga quando responde por 40% das competências exigidas. As mulheres nem com 90% elas se candidatam. Precisamos mudar isso”, diz.

Espalhar o debate para além da roda de mulheres é um dos passos, acredita Fabiana Zuanon, diretora-executiva Comercial, Inovação e Novos Negócios do Grupo Padrão, companhia de serviços de informação para empresas em diversas plataformas, inclusive eventos como o próprio CONAREC. “Temos de parar de falar sobre nós para nós mesmas. Precisamos nos empoderar mesmo e estender a discussão e mostrar que, sim, podemos fazer mais”, afirmou. Para Fabiana, a mulher precisa defender as próprias bandeiras, valores e convicções com vigor
Para as executivas, o grande debate não é se a mulher é melhor ou pior que os homens. A grande questão a ajudar a mudar essa realidade com ações. “Existe uma diferença entre se colocar no papel de vítima e de protagonista. Entendo que também tenho um papel no processo”, afirmou Carla.

“A realidade vai mudar e está mudando e fico muito feliz com essa geração que tem uma cabeça diferente, que atua de forma diferente, e que conecta as coisas de outra forma. Somos responsáveis para que essa geração mantenha esse mindset organizado. Existe uma dificuldade das próprias mulheres de se colocar, elas se boicotam”, afirmou. Para Ana, no fim, é preciso deixar o julgamento de lado, o dos outros e o próprio. “Temos de sair desse território de julgamento, porque ele deixa a sociedade menos inclusiva. Só assim a gente consegue evoluir”, afirmou Ana.

Confira aqui a cobertura completa do Conarec 2017, que tem como tema “Somos todos Millennials”

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