Em um mundo saturado por inputs virtuais, buscar alternativas para se comunicar cara a cara com seu público tornou-se estratégico. Desde a pandemia, o marketing de experiência, especialmente os eventos, as ativações de marca, as campanhas de incentivo e o endomarketing, vem ocupando um papel de protagonismo na alocação de verba dos clientes. Trata-se de um momento de ouro para o setor: as marcas sentem a necessidade e têm a oportunidade de transformar seus valores em experiências tangíveis com poder de encantar e inspirar, criando legado.
Sabemos que o comportamento do consumidor mudou. Hoje, ele não quer mais ser um mero espectador. Quer sentir-se parte da história da marca. E, nesse cenário, o marketing de experiência ganha destaque e os investimentos em ações capazes de gerar envolvimento humano crescem exponencialmente.
Segundo um levantamento da consultoria Cognitive Market Research, o mercado global de marketing de experiência movimentou US$ 49,5 bilhões em 2024 e se expandirá a uma taxa composta de crescimento anual de 4%, de 2024 a 2031. Os números refletem um movimento claro: as marcas entenderam que conexões verdadeiras com seu público não se resumem a impactos momentâneos. Elas são construídas com autenticidade, consistência, emoção e com entretenimento.
E para ilustrar bem essa tendência, o sucesso do Festival The Town que conseguiu replicar na capital paulista todo porte e magia do já consagrado Rock In Rio é um exemplo concreto.
O futuro da comunicação não está mais em falar com o público no papel de mero ouvinte, mas em dialogar com ele, entender suas “dores” e proporcionar vivências memoráveis. Como trago em meu livro Marketing sem blá blá blá: inspirações para a transformação cultural na era do propósito, as marcas devem ampliar seu conceito de clientes e consumidores e passar a buscar criar uma legião de fãs, uma comunidade engajada com sua marca através de conexões emocionais profundas, fruto de experiencias memoráveis vividas.
À medida que tecnologias como a Inteligência Artificial avançam, o ser humano fica cada vez mais assustado e mentalmente sobrecarregado. A necessidade de nos sentirmos humanos e de viver a vida no mundo real nos aproxima cada vez mais a temas como sustentabilidade, diversidade e propósito.
Com isso, o marketing de experiência, que num passado muito recente era tratado pejorativamente como “bellow the line”, mostra sua importância para a consolidação de uma cultura mais diversa, inclusiva e sustentável em nosso planeta. De fato, esse é um momento estratégico para o setor: a experiência é o novo elemento mágico. Em tempos em que atenção é o ativo mais disputado, quem humaniza prevalece.
*Alain S. Levi é fundador e CEO da Motivare e autor do livro Marketing sem blá blá blá: inspirações para a transformação cultural na era do propósito.





