Tecnologia, Inteligência Artificial (IA) e modelagem analítica estão transformando por completo a forma como as instituições do setor financeiro se relacionam o cliente. Durante o CONAREC 2025, Júlio Guedes, diretor de Modelagem, Gestão de Portfólio e Precificação do Bradesco, Denis Silva, CEO do Efí Bank, e Eduardo Mônaco, vice-presidente de Crédito e Plataformas da Serasa Experian se reuniram para analisar essa evolução e compartilhar as estratégias que estão usando dentro de suas empresas.
Para Júlio Guedes, nesse cenário de transformação, tudo deve começar e terminar com a experiência do cliente. “Não adianta ter processos super bem estruturados se não houver um bom UX (User Experience). Hoje, em vez de um único modelo, temos muitos modelos customizados para resolver problemas específicos, com apoio da cloud e de parceiros como a Serasa”, afirma.
Agilidade também se torna essencial. “Também não adianta desenvolver modelos e esse processo levar seis meses. Você tem que fazer um modelo e, em um mês, ele já precisa estar em uso”, defende o executivo.
“Com a IA generativa, estamos passando por uma transformação como nunca antes. O futuro do ciclo de crédito será totalmente diferente, com agentes autônomos conversando com clientes em tempo real. Se olharmos para o Bradesco de dois anos atrás, vemos hoje uma empresa mais leve, moderna e tecnológica. Analytics e IA estão em todas as áreas, desde o jurídico até a auditoria”, compartilha.
Além da inovação, o Bradesco mantém forte atuação social. Júlio destaca a Fundação Bradesco, que investe R$1 bilhão por ano em educação: “Boa parte das pessoas que passam por lá ganham uma nova oportunidade de vida e podem até serem contratadas pelo banco”.
Inclusão digital com apoio da inteligência de dados
Representando o olhar das fintechs, Denis Silva explica como o Efí, presente na vida de 80 milhões de brasileiros, aposta na simplicidade e na inteligência de dados para se diferenciar em um mercado altamente competitivo. “Às vezes queremos criar modelos complexos para responder perguntas que nem sabemos se vão acontecer. O segredo está em fazer as perguntas certas e responder de forma simples e ágil. Porque hoje, o banco digital tem dezenas, centenas de fintechs operando, o meu diferencial precisa trazer valor para o meu cliente”, afirma o CEO.
E desta maneira, um dos principais diferenciais do Efí é alcançar localidades onde grandes bancos não chegam. “Eu sou, às vezes, a única instituição financeira do cliente. Ele não tem um Bradesco na cidade, não tem acesso a outros bancos. E cabe a nós entregar soluções que atendam suas necessidades reais.”
Além disso, Denis destaca o impacto social do trabalho de modelagem em parceria com a Serasa. O banco será responsável por levar infraestrutura de internet a escolas, creches e pequenos empreendedores em regiões sem fibra óptica: “Isso graças aos nossos dados e outras soluções da Serasa, que deixam claro o potencial do mercado e a diferença que a gente vai fazer nesse processo. Estamos trabalhando nessa disseminação, e em 2026, vamos começar a distribuir tecnologia em cidades de até 30 mil habitantes, criando condições para o desenvolvimento econômico local”.
Encantando clientes
O papo dos estatísticos deixou claro que a inteligência analítica vai além de estatísticas ou políticas de crédito: ela já faz parte da estratégia central de grandes bancos e fintechs.
Como sintetiza Eduardo Mônaco, “dados, transformação cultural e a criatividade humana para fazer as perguntas certas formam o tripé de quem vai ganhar o jogo. Afinal, no fim do dia, o grande objetivo de todos nós é encantar o cliente e gerar mais negócio para todos”.





