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O papel da IA na recuperação de crédito

O papel da IA na recuperação de crédito

Tecnologia é aliada na criação de processos de cobrança automatizados, preditivos e personalizados, ajudando a evitar a inadimplência.
Um homem segura um cartão de crédito enquanto digita em um computador.
Um homem segura um cartão de crédito enquanto digita em um computador.
Foto: Shutterstock.

As estratégias de recuperação de crédito devem estar sempre presentes como parte da gestão contínua do negócio. Para a empresa, ajudam a evitar danos causados pela inadimplência; já para o consumidor, proporcionam a oportunidade de regularizar sua situação financeira e negociar eventuais débitos.

Uma nova aliada nesse processo é a Inteligência Artificial (IA). Utilizando algoritmos e análise de dados em larga escala, a tecnologia não só otimiza a identificação de clientes em potencial risco de inadimplência, como também personaliza estratégias de cobrança, aumentando as chances de recuperação de crédito de forma mais rápida e eficaz.

Para entender as principais aplicações desta tecnologia no setor, seus benefícios e os desafios que devem ser enfrentados, a Consumidor Moderno ouviu o advogado, doutor em Ciência da Informação e Pós-Doutor em Administração, Mac Cartaxo, que hoje é professor de direito e diretor da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Brasília.

Recuperação de crédito: abordagens clássicas

Há momentos específicos em que a atenção e os esforços nas estratégias de recuperação de crédito precisam ser intensificados. É o caso, por exemplo, de períodos de rápida expansão do negócio, em que pode ocorrer um aumento significativo no volume de vendas e crédito; de tempos de recessão ou crise econômica geral, quando a capacidade dos clientes de pagarem suas dívidas acaba comprometida; ou ainda durante uma mudança interna de política de crédito.

“Esses cenários podem aumentar a inadimplência e demandarem ações de recuperação de crédito”, comenta o diretor. Para isso, então, ele relembra algumas estratégias clássicas que podem sempre ser uma carta na manga.

Elas envolvem desde contato proativo e personalizado com devedores, por meio de ligações, e-mails ou SMS, negociações de dívidas que tragam planos de pagamento e descontos para quitação antecipada, políticas de educação financeira e suporte ao cliente, e até terceirização da cobrança para agências especializadas. Em casos extremos, ações legais e garantias também podem ser uma solução possível.

O uso da tecnologia, por sua vez, já se faz presente nas abordagens clássicas e pode auxiliar os sistemas de gestão de crédito (CRM) e a automação de cobranças. Hoje, no entanto, seu uso vai além disso.

Benefícios da IA na recuperação de crédito

“De fato, a tecnologia auxilia na recuperação de crédito por meio da automação de processos de cobrança, enviando lembretes e notificações de atraso de forma eficiente. Sistemas de gestão de crédito permitem monitorar e gerenciar contas a receber com precisão. Já ferramentas de análise de dados ajudam a identificar padrões de inadimplência e prever riscos. Além disso, a comunicação digital permite um contato mais rápido e personalizado com os devedores”, explica Mac Cartaxo.

Diante de todas essas funcionalidades tecnológicas, a IA entra para otimizar ainda mais os processos de recuperação de crédito. Afinal, com sua análise preditiva, ajuda a priorizar os esforços de cobrança, focando nos casos com maior probabilidade de recuperação e analisando grandes quantidades de dados para não só segmentar clientes, mas também prever mais eficientemente os riscos de inadimplência.

A IA ainda trabalha com uma personalização apurada de ofertas de pagamento, ajustando condições conforme o perfil do devedor. Já de maneira preventiva, pode identificar padrões de comportamento que indicam dificuldades financeiras, permitindo intervenções antecipadas.

Para Cartaxo, o uso desta inovação tecnológica é claramente benéfico para as empresas, uma vez que é peça importante para a eficiência na recuperação do crédito e, consequentemente, para a manutenção do equilíbrio financeiro. Mas também faz diferença para os consumidores. “Com o seu poder de processamento, a IA beneficia clientes ao oferecer soluções de pagamento mais flexíveis e adequadas às suas capacidades financeiras”, explica, acrescentando que a IA é uma ótima aliada para ações preventivas.

Nesse aspecto, a Inteligência Artificial melhora a comunicação entre empresa e consumidor, proporcionando lembretes e notificações em momentos oportunos que, ao antecipar dificuldades financeiras e atuar na prevenção, evitam que a inadimplência aconteça. O acesso à educação financeira personalizada é outro ponto que auxilia na gestão eficiente das finanças pessoais.

Implementação da IA na prática

Para garantir que os benefícios de otimização e eficiência da IA sejam alcançados na recuperação de crédito, é importante que as empresas pensem na adaptação tanto da sua estrutura quanto das pessoas que lidarão diretamente com a tecnologia. Até porque, como toda inovação, a Inteligência Artificial demanda preparo para lidar com novos desafios inerentes a ela.

Cartaxo esclarece que os desafios são diversos. Estruturalmente falando, passam, por exemplo, pela necessidade de se utilizar grandes volumes de dados de alta qualidade para treinar modelos de IA e pela complexidade da integração com sistemas legados. “Por isso, a adoção da IA requer investimento constante em infraestrutura tecnológica e capacidade da equipe para operar e manter as novas soluções”, alerta.

Questões éticas também não podem ser negligenciadas, então, é preciso sempre ter a preocupação com a privacidade e a segurança dos dados dos consumidores. Além disso, existe o risco de vieses nos algoritmos, que podem resultar em decisões injustas.

Diante dos desafios, a dica do especialista é, primeiramente, focar na qualidade dos dados, na segurança e privacidade, na integração com sistemas legados e na mitigação de vieses nos algoritmos. Depois disso, é importante conciliar a tecnologia com a sensibilidade humana, mesmo ao se pensar na recuperação de crédito.

“O treinamento do pessoal para o uso eficiente das novas ferramentas é um aspecto muito relevante”, sugere. “Quem for usar a IA na recuperação de crédito tem que ter em mente que ela vai automatizar as tarefas repetitivas e analíticas. Porém, eles continuarão lidando com casos que necessitam de empatia e julgamento humano, e é isso que garante abordagens éticas e realmente personalizadas”.

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