Liderar requer do C-level algo muito mais profundo do que experiência e arrojo. A incerteza deixou de ser exceção e passou a ser o contexto padrão. IA, geopolítica e volatilidade econômica estão encurtando ciclos de planejamento e exigindo novas formas de leitura de cenário.
Em conversa com a Consumidor Moderno, Benito Berretta, Managing Director da Hyper Island Américas, organização focada em transformação digital, inovação e aprendizado prático, conta como tem sido essa jornada de entendimento de cenários e construção prática de estratégias que compreendem o papel da liderança atual. Uma liderança adaptativa e em constante transformação, que estabelece novos critérios, traduzindo emoções e conhecimento em ações práticas e bons resultados.
Um novo modelo mental para liderar
De início, Benito conta que há muitos anos encontrou o melhor contra-argumento para quem ainda aposta na estabilidade como modelo mental para liderar. Ele cita, Francis Bacon, filósofo e estadista inglês, que escreveu na obra Instauratio Magna (ou “Grande Restauração”, em português, publicada em 1620): “Quem não aplica novos remédios deve esperar novos males, pois o tempo é o maior inovador.”
“Lutar contra o tempo exige um mindset com três características fundamentais: compaixão, para se conectar com o que realmente importa; curiosidade, para aprender em movimento; e coragem, para agir mesmo sem todas as respostas”, completa Benito sobre a citação.
É com esse mindset que a Hyper Island foca suas estratégias em quatro áreas em 2026. São elas:
Visão de futuro e estratégia
Desenvolver a capacidade de analisar futuros e tendências torna-se cada vez mais necessário para as empresas. Trata-se de estruturar abordagens que apoiem a tomada de decisão estratégica, permitindo interpretar sinais relevantes, identificar padrões emergentes e transformar movimentos de mercado em insumos práticos para decisões no presente.
Liderança, equipes e cultura
Desafios ligados à liderança, times e cultura seguem centrais dentro das empresas. Coordenação entre áreas, trabalho híbrido, desgaste emocional, perda de confiança e lacunas de liderança continuam impactando performance e engajamento.
Líderes e equipes precisarão lidar melhor com esses desafios, fortalecendo a capacidade de adaptação, tomada de decisão e condução de mudanças no dia a dia.
Inovação, design e criatividade
Inovação, design e criatividade seguem relevantes como motores de engajamento e mudança. Para a Hyper Island, essas práticas podem ser conectadas de forma mais direta à estratégia e ao impacto real nos negócios para entregar mais valor aos clientes.
Transformação digital e tecnologias emergentes
A transformação digital segue como um dos territórios mais críticos para competitividade, produtividade e sobrevivência das empresas. Com a aceleração da IA, a urgência deixou de ser tecnológica e passou a ser organizacional e cultural. O desafio será integrar tecnologias emergentes de forma consciente, conectando tecnologia com cultura, modelos operacionais e liderança.
Aplicação dos sinais e a liderança pelo exemplo

Mas, com tanto “ruído” e informação, como os líderes podem interpretar sinais relevantes, entender padrões emergentes e transformar tendências em insumos práticos para decisões no presente?
Segundo Benito, este é um processo interativo e mutante. “É preciso estudar as consequências de primeira, segunda e terceira ordem, e assim, ressignificar a relevância daquela tendência que, a priori, pode mudar à medida que vamos entendendo as consequências não intencionais daquilo”, avalia.
O importante, diz Benito, é o entendimento correto e aplicação eficiente desses sinais. “Acredito cada vez mais na dupla: segurança psicológica e liderança exemplar. É sobre criar o ambiente certo para o time, tomar riscos na frente dos demais somado a um esforço permanente por ser um indivíduo melhor. Uma pessoa mais compassiva e curiosa, é corajosa. Segurança psicológica e liderança pelo exemplo devem caminhar juntas.”
Liderar na era da IA
Com os líderes sendo cada vez mais testados perante os novos desafios e novas oportunidades com IA, Benito percebe que essa tecnologia é muito mais do que uma ferramenta para o líder. “É também um espelho dos valores da liderança. Ela aprende com os nossos dados, que não é outra coisa senão a cristalização do nosso mindset.”
Dessa forma a IA é uma nova oportunidade de ‘redesenhar’ o humano, ele diz. E diante desse cenário complexo e exigente, o C-level se vê testado a conectar design, criatividade e inovação de forma rápida e diretamente ligada à estratégia de negócios. Mas como?
Criando impacto real em um contexto em trânsito
Para Benito Berretta, o segredo para impactar e obter resultados hoje está na habilidade do líder em integrar diversidade cognitiva à capacidade de colaborar.
“A palavra colaborar implica que cada indivíduo traga o seu potencial de contribuição com conteúdo, pontos de vista, abstrações e ideias que muitas vezes se chocam com outras. Mas é neste trânsito de conflitos que o líder precisa separar o real do abstrato e conectar com aquilo que constrói impacto real.”
Contudo, o maior desafio para o líder talvez seja interpretar as transformações pelas quais o mercado e sociedade atravessam e adequá-las ao seu propósito de liderança e ao seu modelo de negócio. Para Benito essa tarefa exige hoje algo a mais do C-Level: é necessário administrar feedbacks, medos e frustrações.
“Estamos sendo moldados para limites de frustração cada vez mais curtos. Superar essa tríade (feedback, medo e frustração) é o objetivo que líderes de verdade devem encarar agora. Transformação é adaptação. É passar por todas essas etapas até que, finalmente, se aprende alguma coisa, aplique isso, e siga adaptando.”
Assim como Francis Bacon defendia que a adaptação brota da observação constante e de uma mente flexível, não há dúvidas que para liderar nos dias atuais é preciso entender que transformações não descontroem ideais, mas, forjam o líder resiliente de amanhã.
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