Uma pesquisa inédita revela que 55,1% dos profissionais de Direito estão aplicando a Inteligência Artificial (IA) generativa em suas rotinas diárias. Entre os usuários regulares da tecnologia, um dos benefícios inclui a otimização do tempo. Ademais, a melhoria na gestão de tarefas e uma maior eficiência nas atividades jurídicas.
A aplicação da Inteligência Artificial Generativa na rotina dos advogados traz uma série de vantagens que impactam diretamente a defesa do consumidor. Primeiramente, a agilidade no processamento de informações permite uma análise mais rápida de documentos e dados relevantes. Isso, por consequência, resulta em uma resposta mais eficaz às demandas dos consumidores. Isso significa que os advogados podem atuar de maneira mais assertiva em casos que envolvem a proteção dos direitos do consumidor.

Em prol do consumidor
Ademais, a personalização dos serviços jurídicos é ampliada com o uso de IA. Com algoritmos que analisam perfis e comportamentos, advogados podem oferecer consultorias mais direcionadas, atendendo às necessidades específicas de cada cliente. Esse atendimento personalizado pode aumentar a satisfação do consumidor e melhorar a relação de confiança entre advogado e cliente.
Outro aspecto importante a considerar é a capacidade da IA de gerenciar grandes volumes de dados. Em casos que envolvem múltiplos consumidores ou ações coletivas, por exemplo, a tecnologia pode identificar padrões e auxiliar na formulação de estratégias jurídicas mais eficazes. Com isso, a IA não só contribui para a economia de tempo, mas também potencializa a possibilidade de sucesso nas demandas.
Novo estudo
Nesse sentido, os dados de crescimento da IA generativa entre advogados consta em um novo estudo realizado pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção São Paulo (OAB SP). O Jusbrasil, a Trybe e o Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio) participaram do levantamento e apresentaram-no na sede da OAB SP no dia 21 de fevereiro.
Em suma, o material traz um panorama abrangente sobre a adoção e a percepção da IA generativa no setor jurídico. Com mais de 1.500 respostas obtidas em uma pesquisa online, o levantamento é dividido em três partes:
- Perfis de usuários dessa tecnologia;
- Os desafios enfrentados pelos profissionais;
- E as oportunidades que surgem no setor.

IA em alta

Os dados mostram que 55,1% dos entrevistados utilizam IA generativa em suas atividades profissionais, principalmente para análise e resumo de documentos, elaboração de peças jurídicas e pesquisas de doutrina e jurisprudência. Quando segmentados por perfil profissional, 50% dos advogados autônomos utilizam a tecnologia, assim como 62% dos advogados de escritórios ou empresas privadas e 63% dos operadores do Direito no setor público.
“A introdução da IA generativa está revolucionando a maneira de trabalhar dos advogados, das empresas de tecnologia e dos departamentos jurídicos. O desafio agora vai além de apoiar os profissionais do Direito: precisa-se entregar soluções que ampliem a inteligência jurídica, garantindo confiabilidade, verificação e valor na tomada de decisão. A velocidade é fundamental, mas se não for confiável, não tem utilidade”, comenta Luiz Paulo Pinho, cofundador do Jusbrasil.
Frequência no uso da IA

Os profissionais que frequentemente utilizam a tecnologia apontam impactos positivos. Entre esses usuários, 78% usam ferramentas de IA generativa pelo menos uma vez por semana e observam ganhos significativos, como a redução do tempo dedicado a tarefas repetitivas, a melhoria na qualidade dos documentos jurídicos e um aumento geral na produtividade tanto das instituições quanto dos profissionais. Entretanto, a pesquisa também revela desafios, como a necessidade de formação específica, questões éticas e regulatórias, além de preocupações com a segurança.
“A capacitação é um dos fatores essenciais para a adoção da IA generativa no Direito, e, consequentemente, para uma percepção positiva sobre a tecnologia. Assim, capacitar os profissionais com as habilidades necessárias para reestruturar o trabalho com o apoio da IA permitirá que se dediquem mais ao que realmente importa: a complexidade da análise jurídica e a relação humana com clientes e a sociedade”, enfatiza Matheus Ganem, diretor executivo da Trybe.
Sobre as ferramentas de IA mais utilizadas, 89% dos advogados dizem usar o ChatGPT. No mais, 62% utilizam o Jusbrasil e 46% o Gemini. Isso prova que, à medida que a tecnologia avança, espera-se que mais advogados adotem ferramentas de IA, especialmente aqueles que buscam se destacar num mercado cada vez mais exigente. A integração dessas ferramentas nas rotinas de trabalho pode resultar em práticas mais eficientes e uma melhor experiência para os clientes, refletindo uma transformação significativa no jeito de se praticar a advocacia.

Os perfis de quem mais utiliza IA generativa

O levantamento também identificou diferentes perfis de profissionais em relação à IA generativa, incluindo usuários frequentes, que utilizam a tecnologia semanalmente, e aqueles com pouca ou nenhuma adesão, além da identificação de perfis entusiastas, céticos e neutros. A maioria dos participantes tem mais de 35 anos (85%), com 27,7% entre 45 e 54 anos, seguidos pelos grupos de 35 a 44 anos (23%) e 55 a 64 anos (21,6%). Em relação ao gênero, 56% dos respondentes são homens e 43% são mulheres.
“A pesquisa revela que os profissionais do Direito reconhecem tanto os aspectos positivos quanto os negativos associados ao uso da IA no setor jurídico”, ressalta João Victor Archegas, coordenador de Direito no ITS Rio. “Contudo, fica claro que as oportunidades que a tecnologia proporciona valorizam, sinalizando um cenário otimista que deve incentivar os profissionais da área a buscar cada vez mais capacitação e aprimoramento”.
Desafios com a IA Generativa

Apesar dos benefícios identificados, o estudo também expôs preocupações entre os profissionais. 45% dos usuários frequentes mencionaram questões éticas, como vieses nos algoritmos e subjetividade nas análises de dados, como um obstáculo relevante, enquanto 39% expressaram inquietações relativas à privacidade e segurança de dados.
A resistência cultural também foi apontada como uma barreira à adoção, citada por 32% dos entrevistados dessa categoria. Além disso, 44% dos usuários frequentes destacaram a falta de supervisão humana adequada como um risco, considerando que era possível selecionar mais de uma alternativa durante a entrevista para esse tema.
Sobre a desconfiança em usar a IA generativa, 69% dos advogados acreditam que a inovação pode comprometer a qualidade do trabalho jurídico. “O advogado não está em risco de perder seu trabalho para a Inteligência Artificial, porém, é provável que enfrente uma diminuição de mercado e espaço para aqueles que adotam essa tecnologia. Embora isso possa parecer paradoxal, essa inovação poderá levar os advogados a se tornarem mais humanos, requerendo o aprimoramento de habilidades e capacidades que os robôs não possuem”, conclui Leonardo Sica, presidente da OAB SP.

Dados da pesquisa
A pesquisa contou com mais de 1.500 participantes voluntários, incluindo operadores do Direito de diversas regiões do Brasil. Entretanto, a amostra não é estatisticamente representativa da totalidade da profissão. A divulgação pelos canais das entidades organizadoras pode ter gerado vieses, como na distribuição geográfica, nível de escolaridade e interesse em tecnologia de IA generativa.
Por ser a participação espontânea, é provável que os respondentes tenham um engajamento maior com o tema. Em outras palavras, isso reflete uma visão mais favorável à adoção da tecnologia, o que implica que os resultados devem ser interpretados com cautela.
O perfil dos respondentes é compatível com o estudo demográfico da advocacia brasileira realizado pela OAB Nacional e a FGV, que indicou que 55,3% têm entre 24 e 44 anos, 23,7% entre 45 e 59 anos, e 20,6% têm 60 anos ou mais. A maioria dos advogados está na região Sudeste (51,4%), seguida pelo Nordeste (16,8%) e Sul (16,6%), com uma distribuição quase equilibrada de gênero: 50,4% mulheres e 49% homens.





