Recentemente, a EssilorLuxottica, maior fabricante de óculos do mundo e proprietária de marcas renomadas como Ray-Ban e Oakley, anunciou a aquisição da marca nova-iorquina de streetwear Supreme, do grupo americano VF Corporation, por US$ 1,5 bilhão (aproximadamente R$ 8,15 bilhões).
De acordo com a EssilorLuxottica não houve condições fora dos padrões de negociação usuais do grupo. “Seguimos nosso processo rigoroso de due diligence e asseguramos que todos os aspectos da transação estejam alinhados com nossas práticas e objetivos estratégicos”, salientou Guilherme Nogueira, presidente da EssilorLuxottica.
Essa movimentação marca uma expansão significativa da empresa além do seu foco tradicional em óculos e lentes. “Queremos fortalecer nosso posicionamento no mercado de moda e estilo de vida”, diz Nogueira.
EssilorLuxottica e Supreme
Na entrevista a seguir, Nogueira fala das motivações que levaram o grupo a dar esse passo e comenta as novas estratégias para explorar um novo mercado e o engajamento com um novo público.

CM: o que levou o grupo EssilorLuxottica a explorar um novo segmento e comprar a marca nova-iorquina de street wear Supreme?
A decisão de adquirir a Supreme está alinhada com nossa estratégia de nos aproximar de novos públicos, especialmente os consumidores mais jovens. A Supreme é uma das marcas de vestuário mais influentes e culturalmente relevantes, com um modelo de negócios inovador e uma forte conexão com a Geração Z. Ao integrar a Supreme ao nosso portfólio, visamos expandir nosso alcance e fortalecer nosso posicionamento no mercado de moda e estilo de vida.
CM: qual o maior desafio quando se passa a trabalhar com um novo nicho de mercado e um novo público como o da Supreme?
Um dos desafios é a oportunidade de aprender com a Supreme e seus consumidores fiéis. A marca tem um modelo de negócios inovador e um seguimento jovem e dinâmico. Adaptar nossas estratégias para aproveitar ao máximo essa inovação e energia é um desafio que acolhemos com entusiasmo. A Supreme nos oferece uma janela única para entender as tendências emergentes e os hábitos dos consumidores da Geração Z, o que enriquece nosso portfólio e nos ajuda a estar na vanguarda da moda e estilo de vida.
CM: a conexão com as novas gerações de consumidores é um dos grandes desafios em CX. Como o grupo pretende avançar no engajamento e impulsionar os negócios da marca Supreme?
Para avançar no engajamento e impulsionar os negócios da Supreme, pretendemos aproveitar nossa expertise em estratégias omnichannel e nossa rede global de distribuição, assim poderemos oferecer uma experiência de compra altamente personalizada e eficiente, adaptada às preferências e comportamentos dos consumidores jovens. Além disso, manteremos a abordagem única da Supreme em colaborações criativas e exclusivas que ressoem com o público, além de lançamentos limitados.
CM: novas tecnologias auxiliarão nessa jornada em CX? O que o grupo destacaria como ferramentas digitais que trarão melhorias para a experiência do cliente com a marca Supreme?
Sim, novas tecnologias desempenham um papel fundamental na estratégia para aprimorar a experiência do cliente (CX). Muitas lojas do ramo ótico, por exemplo, já utilizam abordagens inovadoras como o SmartShopper, um assistente de compra digital que permite aos consumidores navegarem e escolherem seus óculos através de um tablet, proporcionando uma experiência de compra personalizada e eficiente. Além disso, a marca Transitions oferece o Demotools, uma ferramenta que demonstra em tempo real como as lentes Transitions alteram sua tonalidade ao serem expostas à luz.
CM: a intenção do grupo é seguir diversificando seus investimentos em novas marcas, nichos e novos públicos? O que está no radar?
Estamos constantemente em busca de oportunidades que tenham sinergia com nossa companhia e fortaleçam nossa posição no mercado global. Estamos comprometidos em explorar novas áreas que nos permitam expandir e diversificar nossa oferta, sempre mantendo a excelência e a qualidade que nossos consumidores esperam.
A História da Supreme
A marca Supreme surgiu das mãos de James Jebbia, empresário e designer de moda americano-britânico. Antes de fundar a Supreme em 1994, Jebbia trabalhou em várias lojas de roupas, incluindo a Parachute, uma loja de skate em SoHo, e gerenciou a Union NYC, que vendia marcas de moda experimentais.
A experiência adquirida e sua colaboração com Shawn Stüssy, um dos pioneiros do streetwear, foram fundamentais para a criação da Supreme. No começo, a Supreme vendia peças tradicionais de streetwear como camisetas, moletons, além de acessórios de skate. O sucesso da marca se deve ao profundo conhecimento de Jebbia do público-alvo e a sua conexão com o mundo da arte. Sua capacidade de fidelizar clientes com coleções exclusivas, em colaborações com artistas, fotógrafos e designers da cena de arte contemporânea e street art, ajudou a solidificar a Supreme como um ícone cultural entre os jovens.
Uma das estratégias que levaram a Supreme a se tornar uma marca bilionária foi o “gatilho mental da escassez”. Isso chamou atenção de gigantes da moda de luxo, como Louis Vuitton, que untas criaram algumas coleções superexclusivas, que gerou um hype ainda maior em torno da Supreme.






