A iniciativa é do Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF) para promover o tema no país. A educação financeira nunca foi tão divulgada pela imprensa e comentada nas mídias sociais. E o motivo é óbvio: as pessoas têm dívidas, muitas por sinal, e isso leva a situações de conflitos sociais que ultrapassam a simples questão de se ter um débito civil a pagar.
Buscamos construir no Brasil uma sociedade justa e com o número mínimo de conflitos. Eles existem e sempre existirão, mas podemos reduzi-los se atacarmos as causas, e não apenas as consequências. Parte dessas oposições envolve, invariavelmente, a relação das pessoas com o dinheiro, suas percepções e o endividamento muito elevado do povo brasileiro.
Como promotor de justiça e após quinze anos no Ministério Público, presenciei inúmeros divórcios, agressões entre vizinhos, parentes e amigos, envolvimentos com o crime que surgiram por conta de divergências envolvendo dinheiro, expectativas irrealizáveis e, em especial, o endividamento.
Não é incomum que as pessoas que militam no fórum, às vezes comentem que os motivos dos conflitos interpessoais de dois mil anos atrás são, em resumo, os mesmos motivos que hoje incrementam, de alguma forma, a violência no Brasil. O dinheiro sempre aparece, de forma sutil ou bem ostensiva, num grande número de confusões.
O consumidor endividado é alvo fácil para uma série de pessoas mal intencionadas e, em muitos casos, para sair provisoriamente de um sufoco financeiro, se metem e uma situação muito pior do que a que originou a dívida, como por exemplo, recorrer a agiotas. Precisamos sim, educar financeiramente a população, com o objetivo de prevenir essas situações negativas e ajudar a construir os sonhos de cada um. As pessoas não querem só viver pagando dívidas. Elas querem ser felizes e alcançar sonhos. Nesse sentido, saber lidar com responsabilidade financeira é fundamental.
Por fim, a iniciativa da ?2ª Semana de Educação Financeira? é válida e deve ser aplaudida pelo mérito de seus organizadores, bem como adotada como ?política pública? pela União, Estados e Municípios como uma ação de interesse público primário da sociedade. Dessa forma, evita-se que interesses particulares se apropriem dos verdadeiros objetivos e que o conhecimento da educação financeira seja massificado, em especial, às pessoas de baixa renda, que são as maiores vítimas do elevado endividamento social que presenciamos no Brasil hoje.
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Lélio Braga Calhau é Promotor de Justiça de defesa do consumidor do Ministério Público de Minas Gerais e Coordenador do site e do Podcast “Educação Financeira para Todos”.
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