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Copom sinaliza que juros altos devem ser mantidos por período prolongado

Copom sinaliza que juros altos devem ser mantidos por período prolongado

Com inflação resistente e cenário global instável, Banco Central adota tom mais duro e promete juros altos por mais tempo.
Com inflação resistente e cenário global instável, Copom adota tom mais duro e promete juros altos por mais tempo.
Com inflação resistente e cenário global instável, Copom adota tom mais duro e promete juros altos por mais tempo.
Foto: Febraban/Gabriel Galípolo.

As perspectivas para a inflação permanecem desafiadoras em diversas dimensões. Em ata, divulgada nesta terça-feira, 24, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), avaliou que o combate à inflação vai precisar continuar firme e por um período prolongado.

Na última, quarta-feira, 18, o Copom decidiu elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 15% ao ano. E reafirmou em ata que o cenário segue desafiador para a convergência da inflação à meta de 3%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O BC trabalha agora mirando a inflação do fim de 2026.

A decisão é um reflexo da preocupação com uma série de fatores que mantêm a inflação resistente no Brasil. Além da resiliência da economia doméstica e da força do mercado de trabalho, o ambiente internacional permanece instável, com incertezas fiscais nos Estados Unidos, tensão no Oriente Médio e volatilidade nos mercados globais, destaca a ata.

Do lado interno, os sinais de desaceleração da atividade seguem mistos. Dados do PIB do primeiro trimestre mostram avanço puxado por setores como a agropecuária, mas o consumo das famílias também reagiu positivamente, sustentado por renda e crédito. Segundo os analistas, o mercado de trabalho continua aquecido, com geração de empregos e desemprego em baixa.

Fiscal e crédito também no radar

A política fiscal doméstica segue no foco do Copom. A falta de clareza sobre a sustentabilidade da dívida pública e o avanço de gastos obrigatórios podem elevar a chamada taxa de juros neutra da economia, o que enfraquece o efeito da política monetária e encarece o processo de desinflação.

O mercado de crédito, por sua vez, começa a mostrar sinais de esfriamento. Apesar do dinamismo recente, o custo dos empréstimos aumentou, e as concessões desaceleraram, em especial no crédito livre. No caso das famílias, o volume de pagamentos de dívidas já supera o de novos financiamentos, o que sinaliza um freio no consumo à frente.

Inflação segue acima da meta

Apesar de algumas surpresas positivas nos preços de alimentos e bens industriais, a inflação de serviços permanece elevada e com forte inércia. Os núcleos de inflação, que desconsideram itens mais voláteis, seguem acima do nível compatível com o cumprimento da meta.

Ainda, o boletim destaca que, segundo a pesquisa Focus, agentes do mercado projetam inflação de 5,2% para 2025 e 4,5% para 2026 – ambos os números acima da meta de 3%. No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação é de 4,9% em 2025 e 3,6% em 2026 – ainda acima da meta. Por isso, mesmo com o aumento da Selic nesta reunião, o Comitê sinalizou que “este cenário prescreve uma política monetária significativamente contracionista por um período muito prolongado para garantir a convergência da inflação para a meta”, diz em nota do BC.

A elevação anunciada nesta semana pode ser a última por ora. Mas, o BC deixou claro que não hesitará em retomar o aperto monetário se as condições piorarem. Como resultado, o Comitê comunicou que prevê uma interrupção do ciclo de alta de juros para examinar os impactos cumulativos da política monetária, ainda não observados. “A construção da confiança necessária para definir o grau apropriado de restrição monetária exige que os canais de política estejam desobstruídos”, destaca o Comitê.

Foto: Febraban.

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