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CM Entrevista: “O consumidor tem fome sensorial”, afirma diretora do GPA

CM Entrevista: “O consumidor tem fome sensorial”, afirma diretora do GPA

Transformação operacional, fome sensorial e o papel da IA no marketing do varejo alimentar estão no radar do Grupo Pão de Açúcar.
Maria Cristina Merçon, Diretora de Marketing, Fidelidade e Clientes do Grupo Pão de Açúcar.
Em entrevista exclusiva com Maria Cristina Merçon, Diretora de Marketing, Fidelidade e Clientes do Grupo Pão de Açúcar (GPA), fica evidente que o marketing vive uma ruptura em que modelos tradicionais já não sustentam relevância diante de um consumidor mais fragmentado, sensorial e influenciado por experiências fora dos canais das marcas. O papel do líder de Marketing passa a ser equilibrar criatividade, execução e tecnologia, usando a IA para ganhar eficiência e personalização sem substituir emoção, humanização e propósito. Conceitos como “fome sensorial” e marcas recomendáveis reforçam a necessidade de o marketing evoluir de produtor de campanhas para curador de experiências, integrando dados, inovação e conexão humana para gerar confiança e valor sustentável.

Os líderes de marketing enfrentam um paradoxo brutal. O manual tradicional, ou seja, mais dados, mais campanhas, mais de qualquer coisa, já não é eficiente. Para vencer a batalha da relevância, do engajamento e da conversão, a transformação operacional não é negociável.

Cada vez mais os CMOs sentem a pressão e a necessidade de responder a uma questão crítica: o modelo operacional de marketing foi construído para entregar as grandes ideias do amanhã ou apenas perpetuar as limitações de ontem?

Conversando com Maria Cristina Merçon, Diretora de Marketing, Fidelidade e Clientes do GPA descobrimos como um líder de marketing deve se posicionar nesse momento que exige equilíbrio entre criatividade e execução. Aquilo que define quem opera melhor, captura bons resultados e constrói relevância.

O Consumidor tem “fome sensorial”

Com a necessidade de entender e acompanhar o ritmo da inovação e as expectativas dos consumidores, um dos principais desafios do marketing não é mais inovar, mas acompanhar uma jornada de consumo mais fragmentada, menos previsível e profundamente influenciada por experiências e comunidades – muito além da mídia tradicional.

“Hoje, 70% das decisões de compra acontecem fora dos canais controlados pelas marcas, especialmente no varejo alimentar, no qual a decisão é fortemente sensorial e emocional”, afirma Maria Cristina.

Nesse cenário, Maria Cristina diz que ganha força o conceito de “fome sensorial”, que reflete a busca do consumidor por vínculo, conforto e significado em resposta ao excesso de estímulos digitais.

“Para quem atua no ramo de varejo alimentar, como nós aqui do GPA, isso é ainda mais relevante, pois não entregamos apenas produtos, mas experiências, sensações e momentos especiais. A operação de marketing precisa evoluir de fábrica de conteúdos para curadora de experiências”, afirma.

Para a executiva, essa transformação demanda o uso da IA para automatizar dados e permitir que os times se concentrem no que é essencialmente humano: a estética, o tato e a conexão emocional. “O marketing eficaz hoje compreende que, em um mundo altamente tecnológico, o valor está no que pode ser sentido e experienciado. Assim, cada ponto de contato digital deve funcionar como uma ponte para experiências físicas ou sensoriais, reduzindo a incerteza do comprador por meio de evidências concretas”, explica a executiva.

A tendência é que o marketing passe a trabalhar mais orientado para relevância e confiança, porque as marcas precisam ser “marcas recomendáveis”.

Nessa jornada, Maria Cristina percebe que o surgimento dos “agentes commerces” funciona como “consultores” de compras, potencializando essa recomendação de forma mais assertiva. Com isso, o aprimoramento da operação é agora parte fundamental desse movimento, para garantir qualidade na execução e reduzir atritos.

“É necessário operar bem, integrando inovação, conexão humana e eficiência operacional para ser relevante e confiável. Esse será o principal ativo de vendas”, pontua.

IA não substitui pilares das grandes marcas

A IA traz muita inovação para a nova realidade do marketing, mas também pode criar um abismo entre promessa e entrega. Para Maria Cristina, essa tecnologia se tornou uma aliada fundamental para compreender o comportamento do consumidor e impulsionar melhorias nas operações e interações.

Um exemplo é a adoção da Customer Data Platform (CDP), que permite ao GPA identificar clientes a partir de seus hábitos de compra, preferências alimentares e estilo de vida, além da leitura dos feedbacks de NPS. Com essa visão mais aprofundada, a marca oferece ofertas personalizadas e relevantes, além de estabelecer um canal de relacionamento muito mais próximo, acompanhando o cliente em toda a sua jornada.

Por outro lado, a IA já não é mais um diferencial, mas ferramenta estratégica, e a criatividade humana ainda é essencial para criar diferenciação com essa nova tecnlogia. Mas como equilibrar a ambição criativa com a realidade operacional e de recursos da área de marketing hoje?

“A tecnologia tem um papel importante ao trazer eficiência e escala, mas a diferenciação continua vindo da emoção, da humanização e da capacidade de contar boas histórias”, diz Maria. Ela salienta que a IA nunca estará sozinha, e ideias criativas precisam estar atreladas ao propósito das marcas – sendo relevantes e conectadas às necessidades reais do consumidor.

Para alcançar esse equilíbrio, Maria Cristina diz que é preciso ter clareza do propósito da marca ao usar dados e tecnologia para entender comportamentos e avançar nas estratégias. No varejo alimentar, isso é sobre “simplificar escolhas e gerar identificação”, diz.

Criatividade relevante é aquela que ajuda a marca a se diferenciar em um ambiente de excesso de informação e a construir vínculos duradouros, e não apenas impacto pontual”, complementa.

Contudo, a executiva salienta que, a cada dia, o papel do líder de Marketing é fazer uma leitura profunda do comportamento do consumidor e dos movimentos culturais. “A tecnologia e a IA são fundamentais nesse processo, mas não podem substituir a emoção e a humanização, que continuam sendo pilares das grandes marcas.”

A jornada de consumo mudou e o marketing precisa mudar

O marketing, então, vive um desafio paradoxal: entregar resultados de curto prazo e, ao mesmo tempo, preparar a empresa para o futuro. Para Maria, o mais importante nesse sentido é o equilíbrio em garantir que o básico seja bem executado hoje, enquanto se constrói uma visão clara de longo prazo.

A jornada de consumo está mudando, saindo da lógica de busca ativa para um modelo em que as marcas precisam ser encontradas por meio de contexto, relevância, e impulsionadas por IA e novas ferramentas de otimização operacional”, acrescenta.

Em paralelo, há um retorno evidente das experiências físicas e sensoriais no varejo alimentar, que reforçam a conexão emocional com o consumidor. “No GPA, nosso foco está em trabalhar essas duas frentes de forma integrada, usando dados para personalizar, segmentar e gerar conveniência no curto prazo, enquanto se investe em experiências, marca e relacionamento”, explica.

É com esse olhar para o agora e com bastante atenção para temas como longevidade, saúde e bem-estar – e como eles podem ajudar o GPA a orientar decisões –, que Maria Cristina afirma que o papel do marketing mudou e passou a ser, sobretudo, sobre “conectar agendas”.

De forma híbrida, emocional e tecnológica, o líder de marketing busca agora gerar valor para o negócio e construir relevância de marca consistente. Em uma sociedade e consumo em constante transformação, essa capacidade é necessária.

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