A inovação nunca foi um caminho simples. No setor financeiro, ela exige coragem, visão de longo prazo e disposição para transformar não apenas processos, mas também mentalidades. É exatamente esse percurso que marca a trajetória de Maurício Minas, executivo que se tornou uma referência no mercado financeiro e tecnológico ao liderar algumas das principais frentes de inovação do Bradesco nos últimos anos. Atualmente, ele é Membro do Conselho de Administração do banco.
Homenageado na celebração de 30 anos da revista Consumidor Moderno, Minas relembra os momentos decisivos de sua carreira e fala sobre os desafios e aprendizados que moldaram sua visão estratégica. Com uma trajetória profissional dividida entre o universo da tecnologia e o setor financeiro, ele traz uma perspectiva única sobre como os dois mundos convergiram para revolucionar a experiência do cliente.
“Eu tenho uma carreira que me permitiu trabalhar dos dois lados. Durante mais de 20 anos, estive na indústria de tecnologia, como fornecedor e parceiro dos bancos. E, nos últimos 16 anos, estou no Bradesco. Então, passei a enxergar a tecnologia do ponto de vista do cliente”, relembra.
Visão eclética
Essa experiência híbrida foi essencial para que ele desenvolvesse um olhar ampliado sobre inovação. Engenheiro de formação, Maurício Minas complementou sua trajetória acadêmica com especializações e mestrado, sempre em busca de entender o negócio como um todo.
“Minha formação é eclética. Sempre busquei entender não só a tecnologia, mas também a estrutura financeira, o contato com o cliente e o funcionamento completo de uma empresa. Pelo número de anos que estou no mercado, vi a transformação dos negócios, em particular aquilo que toca ao cliente. Essa jornada foi enriquecedora para mim e me possibilitou exercer vários papéis ao longo da vida”, explica.

Pioneirismo da digitalização bancária
O olhar de Maurício Minas para além dos sistemas e códigos foi fundamental quando, há mais de uma década, o Bradesco decidiu investir em um movimento considerado ousado à época: a criação de um banco digital dentro de uma instituição tradicional. A decisão representava mais do que uma aposta tecnológica – era um passo estratégico rumo ao futuro dos serviços financeiros.
“Nós nunca podemos aceitar que os negócios de sucesso permanecerão sempre do mesmo jeito. A ideia de se criar um banco digital, muito diferente do tradicional, veio nesse sentido: de uma inovação disruptiva. Mais de 10 anos atrás, nós ainda não sabíamos qual seria o modelo vencedor. Olhando para trás, foi uma atitude corajosa do Bradesco investir em um negócio completamente novo”, conta.
Maurício Minas esteve diretamente envolvido nesse processo pioneiro, liderando a implementação do banco digital. Ele ressalta que, hoje, é possível notar que a maior parte daquilo que se pensou no passado é válido, e se tornou um novo modelo de negócio.
“As pessoas passaram a se relacionar por canais digitais, querem ser reconhecidas individualmente, querem ofertas personalizadas. Tudo isso já estava no conceito do banco digital desde o início”, afirma.
Tecnologia no centro da estratégia
Ao longo de sua trajetória no Bradesco, Minas testemunhou e protagonizou uma mudança fundamental na forma como os bancos enxergam a tecnologia. Se antes ela era vista como um suporte operacional, hoje ocupa o centro das estratégias de negócios.
“A grande virada foi quando percebemos que segmentar clientes apenas por renda não era suficiente”, relata. Foi nesse momento que o uso estratégico dos dados ganhou força, permitindo uma abordagem mais personalizada e eficiente. “Passamos a utilizar dados e informações dos clientes para oferecer algo que tivesse a cara de cada um”, complementa.
Do ponto de vista prático, essa transformação foi impulsionada por dois fatores principais: o avanço dos dispositivos móveis, que colocaram os bancos na palma da mão dos clientes, e a evolução do uso de dados para personalizar ofertas e criar jornadas mais fluidas.
Desafio cultural
Se há um consenso sobre inovação é que, mais do que tecnologia, ela exige mudanças culturais. Em uma instituição com mais de 80 anos de história como o Bradesco, a resistência ao novo poderia ter sido um obstáculo. No entanto, o executivo destaca que, desde sua fundação, o banco já trazia a inovação em seu DNA.
“O Bradesco sempre foi muito inovador. Nosso fundador, Amador Aguiar, já tinha a visão de que só com tecnologia e inovação seríamos quem somos hoje”, pontua. Como exemplo, ele cita que o primeiro computador de grande porte da América Latina foi instalado pelo Bradesco, há mais de seis décadas. “Então, a questão não foi convencer a organização de que precisávamos inovar. O desafio foi escolher as melhores opções para inovarmos da forma correta, para que, a partir da inovação, criássemos modelos de negócios vencedores e sustentáveis”, acrescenta.
Reconhecimento e legado
A homenagem recebida por Maurício Minas durante o evento de 30 anos da Consumidor Moderno é, para ele, um reconhecimento não só de sua trajetória pessoal, mas do trabalho coletivo de todos os colaboradores do banco ao longo dos anos.
“É uma honra estar aqui, porque a Consumidor Moderno acompanhou, ao longo desses 30 anos, todas as transformações no Brasil“, afirma. “E, pelo próprio nome, ela sempre identificou quem é mais importante em todas as relações: o cliente. Ser homenageado pela Consumidor Moderno é um reconhecimento de que o trabalho que fiz, não sozinho, mas com todos os colaboradores do banco, deu certo e, de fato, gerou impacto positivo para a sociedade brasileira”, finaliza.






