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BMW usa IA, conectividade e dados para melhorar experiência do cliente

BMW usa IA, conectividade e dados para melhorar experiência do cliente

Com mais de 80% dos veículos conectados e alta de mais de 500% no agendamento digital, marca combina tecnologia, IA e atendimento humano
Foto: Shutterstock
BMW amplia uso de dados, IA e conectividade para melhorar a experiência do cliente no pós-vendas. Mais de 80% dos veículos da marca em circulação estão conectados e mais de 50% utilizam o aplicativo My BMW. Nos últimos dois anos, o agendamento on-line de serviços pelo app cresceu mais de 500%. Segundo Marcio Filho, diretor de Pós-Vendas do BMW Group Brasil, a empresa combina NPS e indicadores de fidelização com dados de comportamento, como retorno à rede autorizada, recompra, recomendação e uso dos canais digitais. A companhia também mantém atendimento humano em jornadas complexas ou sensíveis, mesmo com o avanço da automação e da Inteligência Artificial.

No pós-vendas, dados de conectividade, NPS, retorno à rede autorizada, adesão a serviços, recompra e uso dos canais digitais são analisados em conjunto na BMW Group para entender se uma boa experiência está, de fato, criando vínculo com a marca.

“Não avaliamos apenas uma nota de satisfação. Combinamos NPS e indicadores de fidelização e qualidade com métricas comportamentais, como retorno à rede autorizada, adesão a serviços, retenção, recompra, recomendação e engajamento nos canais digitais”, afirma Marcio Filho, diretor de Pós-Vendas do BMW Group Brasil.

A estratégia ganha peso em um mercado no qual a relação com o consumidor não termina na compra do carro. Depois de adquirir um veículo, Márcio explica que o cliente passa a ter uma série de interações com a marca, principalmente por meio de serviços, manutenção, canais digitais e rede autorizada.

É nesse período que a empresa busca transformar conveniência em recorrência. Segundo o executivo, uma experiência consistente aumenta a confiança do cliente para continuar utilizando os serviços da marca, recomendá-la e voltar a considerá-la em uma próxima compra.

“Recorrência e fidelização são essenciais para a sustentabilidade de qualquer negócio — e ganham relevância ainda maior quando falamos de um mercado premium”, diz.

Quando automatizar não é a melhor escolha

A digitalização do atendimento também trouxe uma questão para a BMW. Nem toda jornada precisa ser automatizada. Em situações mais complexas ou sensíveis, a empresa entende que colocar o consumidor diante de uma sequência de respostas automáticas pode piorar a experiência.

“Quando buscamos eficiência por meio da implementação de automatizações ou novos canais de relacionamento, preservamos o poder de escolha, o CX e o valor percebido pelo cliente”, afirma Marcio.

A Inteligência Artificial vem sendo usada principalmente em demandas recorrentes, na identificação das necessidades e no encaminhamento das solicitações. A intenção é reduzir o tempo necessário para resolver questões mais simples, sem impedir que o consumidor converse com uma pessoa quando precisar.

Para Marcio, a passagem do atendimento digital para o humano precisa acontecer sem criar uma nova etapa para o cliente. “Quando o caso é complexo, sensível ou o cliente preferir o atendimento humano, essa transição deve ocorrer de forma rápida e fluida”, afirma.

Marcio Filho, diretor de Pós-Vendas do BMW Group Brasil. Foto: Divulgação

O carro conectado muda o pós-vendas

A conectividade também está dando à BMW uma quantidade maior de informações sobre a relação do consumidor com o veículo. Mais de 80% dos carros BMW em circulação estão conectados e mais de 50% utilizam o aplicativo My BMW, segundo a companhia.

Com esses dados, a empresa consegue oferecer serviços e comunicações de maneira mais próxima do momento em que o cliente precisa deles. O efeito aparece também na forma como o consumidor acessa a rede autorizada.

Nos últimos dois anos, a utilização do agendamento on-line de serviços pelo aplicativo cresceu mais de cinco vezes, ou mais de 500%.

Agora, a  mudança mostra uma alteração no próprio comportamento do cliente. Em vez de depender de um contato direto com a concessionária para marcar um serviço, ele pode resolver a tarefa pelo celular, dentro do ecossistema que já utiliza para se relacionar com o veículo.

“Para o cliente, isso se traduz em mais previsibilidade, conveniência e simplicidade ao longo da jornada. Para o negócio, fortalece o relacionamento com a rede autorizada e amplia as oportunidades de retenção”, diz Marcio.

A conectividade também permite que a BMW tenha uma visão mais ampla do que acontece depois da compra. O dado deixa de servir apenas para medir satisfação e passa a ajudar a empresa a decidir quando se comunicar, qual serviço oferecer e como reduzir atritos na jornada.

A experiência também passa pelos parceiros

Esse cuidado não fica restrito aos canais próprios da BMW. Empresas terceirizadas e BPOs que atendem os consumidores também seguem os padrões definidos pela marca. “Para o cliente, parceiros e BPOs são uma extensão da experiência BMW”, afirma Marcio.

A empresa, segundo ele, trabalha com capacitação, indicadores de qualidade, processos e acompanhamento dos atendimentos. Os relatos de quem conversa diretamente com os clientes também são utilizados para identificar dificuldades e ajustar processos.

Os feedbacks recebidos nos canais de atendimento também são usados para identificar atritos e oportunidades de melhoria. A partir dessas informações, a BMW revisa processos, comunicação e treinamentos.

IA deixa de estar apenas na tela

A Inteligência Artificial também começa a ganhar espaço em outra parte da operação do BMW Group. Na produção, a companhia vem testando a chamada Physical AI, que combina sistemas digitais de IA com máquinas e robôs capazes de atuar no ambiente físico.

Na Europa, o BMW Group iniciou um projeto-piloto com robôs humanoides na fábrica de Leipzig, na Alemanha. A iniciativa busca testar a utilização desses equipamentos na produção de veículos e avaliar aplicações também na fabricação de baterias e componentes.

A Inteligência Artificial já é utilizada em diferentes etapas das fábricas do grupo, incluindo controle de qualidade, gêmeos digitais e transporte autônomo de materiais. Para ampliar essas aplicações, a companhia vem trabalhando na integração dos dados de produção, substituindo estruturas isoladas por uma plataforma unificada.

Essa organização permite que sistemas de IA assumam tarefas mais complexas e tomem decisões de maneira mais autônoma. Quando esses sistemas passam a trabalhar junto com robôs, a tecnologia deixa de atuar apenas na análise de informações e passa a interferir diretamente em processos físicos.

Os robôs humanoides são testados principalmente em atividades repetitivas, fisicamente exigentes ou que possam representar riscos aos funcionários. A proposta é complementar a automação já existente e retirar das equipes algumas tarefas mais desgastantes.

O BMW Group também criou um Centro de Competência para Physical AI na Produção, reunindo conhecimento sobre a tecnologia para ampliar suas aplicações nas fábricas.

No pós-vendas, a Inteligência Artificial aparece na tentativa de tornar o relacionamento mais simples e antecipar necessidades. Na fábrica, começa a atuar sobre tarefas físicas. Em ambos os casos, a tecnologia depende de uma mesma matéria-prima para funcionar melhor: dados organizados e capazes de orientar decisões.

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