O Festival Cannes Lions, maior reunião global dos profissionais da economia criativa traz este ano discussões mais elaboradas sobre os rumos da produção de conteúdo e a forma pela qual as marcas podem – e devem – estabelecer laços com essa produção.
No painel Classic Hollywood Mets the YouTube Generation: Who the fans are Following (A Hollywood clássica encontra a Geração YouTube: A quem os fãs estão seguindo, em tradução livre), Marcus Peterzell, diretor de entretenimento da Ketchum conversou com a atriz Laura Dern, estrela de filmes como Tomates Verdes Fritos e da série Big Little Lies da HBO, e com a Youtuber Grace Helbig sobre as diferenças e semelhanças de atuação artística em duas plataformas distintas.
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Laura Dern falou sobre a evolução da postura de astros e estrelas de Hollywood, dos anos 50 e 60 para nossos dias. Para ela, em meados do século os astros do cinema lançavam seus filmes e seu contato com o público se resumia a uma entrevista no talk show de Johnny Carson. “Isso certamente mudou muito nos últimos anos. Estamos mais próximos da audiência”, destacou a atriz. Por outro lado, ela diz que a presença das marcas no cinema e nas obras de entretenimento evoluiu muito. No entender de Laura, há muito mais cuidado e sentido na forma pela qual as marcas estão inseridas nos enredos.
A realidade de um Youtuber é completamente diferente. Ele obedece ao que seu público espera. Grace Helbig, que tem um canal que mistura culinária, humor e crônica, trabalha seu conteúdo para mulheres Millennials e elas têm uma expectativa bastante definida sobre o que a Youtuber deve oferecer.
O que faz a diferença
Uma das características mais marcantes da evolução do entretenimento representada pela cultura youtuber é a personalidade exposta e distinta que cada artista desenvolve. Laura Dern definiu esse atributo com precisão: “Eu trabalho para um personagem, assumo um papel e tento passar uma verdade por meio dele e artistas como Grace podem ser elas próprias em seu canal”. Nesses tempos de millennial mindset essa autenticidade e a espontaneidade diante da câmera encontra muita ressonância.
Há muitos anos, a publicidade brasileira tinha um cacoete que gerou comerciais memoráveis: o ator falando para a câmera, normalmente expondo fragilidades e conferindo autenticidade a marcas diversas. O garoto Bombril não deixa de ser um percursor da nossa cultura youtuber.
Espaço digital
No relacionamento com as marcas, as possibilidades da cultura youtuber são um campo aberto para criar novas formas de conversação e diálogo com consumidores. Grade diz que sempre considera o tipo de público que tem antes de incorporar qualquer mensagem comercial. “Eu sempre quero trabalhar com marcas que façam sentido para os Millennials que me acompanham e gosto de trabalhar de modo colaborativo com os publicitários”, enfatiza.
Laura Dern, por sua vez, reiterou que os produtos e marcas hoje são colocados de modo muito mais cuidadoso nos filmes e produções da indústria. São cenas pensadas no contexto da história. No caso de Grace, as marcas devem obedecer ao contexto do conteúdo dela como Youtuber.
Um dos aspectos mais interessantes do debate foi verificar como um produtor de conteúdo do estilo de Grace Helbig gosta da colaboração e de trabalhar de forma parceirizada, em um pingue-pongue a serviço da marca.
O espaço digital ainda é um campo aberto de possibilidades para a construção de diálogos e histórias para marcas que tenham princípios e valores reais. A união com youtubers pode ser uma forma de recriar o garoto propaganda. Mas pode também criar um diálogo mais frequente e divertido com consumidores.
Ainda assim, uma dúvida persiste: qual é o compromisso real de um youtuber com o desenvolvimento de uma marca?