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Aprimoramento da jornada do cliente: quem é o dono dessa bola?

Aprimoramento da jornada do cliente: quem é o dono dessa bola?

CEO da Always On projeta o surgimento de um departamento autônomo dentro de empresas que buscam vencer qualquer competição
Legenda da foto

No mapa da gestão do relacionamento do cliente, dentro das empresas, há geralmente três territórios – em convivência nem sempre pacífica: os departamentos de vendas, de marketing e de atendimento ao cliente.

A importância de cada setor é inquestionável. Vendas funciona como o ataque de um time, marcando gols e assim cumprindo com os objetivos comerciais de qualquer instituição. Marketing, por sua vez, atua como um meio de campo, técnico e criativo, fazendo com que os olhos dos consumidores brilhem ao ver os produtos da empresa. Atendimento é ao mesmo tempo a linha de zaga e o goleiro do time, não deixando que nenhuma dúvida ou problema se transforme em gol contra.

O importante, porém, é que as três áreas joguem em conjunto para garantir que o consumidor tenha sempre a melhor experiência possível. Em um momento da partida em que os números de um estudo realizado pela Officina Sophia Retail chamado Consumer Commitment Index descobre que 86% dos consumidores atuais estão dispostos a pagar mais caro por um produto ou serviço, se isso significar a garantia de experiências de excelência em todos os pontos de contato com as marcas e as empresas não podem se dar o luxo de permitir que essas áreas atuem cada qual em uma direção.

A solução talvez esteja em um modelo diferente, em que uma outra área funcionasse como o técnico de uma equipe.

Essa é a visão de Elcio Santos, CEO da Always On e dos mais ativos estudiosos de dados do país. “Infelizmente, em muitas empresas, cada área ainda olha o cliente pelo seu próprio prisma”, diz ele. “É comum haver muito foco na aquisição de novos clientes e nas vendas em si, mas poucos esforços, por exemplo, no pós-venda para reter a base de clientes. O trabalho precisa acontecer no sentido de conquistar a fidelidade do cliente. Investir para que o cliente fique mais tempo na base da empresa é um trabalho de todos e provavelmente haverá um setor autônomo e transversal a todas as áreas: o de Customer Experience.”

O Boom dos dados

Essa nova área teria como principal tarefa garantir a integridade e o uso inteligente de todo o volume de dados à disposição da empresa. Até porque, principalmente devido às mídias sociais e outros canais digitais, esse volume é imenso – e crescente.

Um exemplo? Só no primeiro semestre de 2020, as vendas online no País cresceram 74%. O mercado viu sua maior alta em 20 anos, segundo relatório da Ebit/Nielsen que apurou ainda que 7,3 milhões de novos consumidores foram levados ao e-commerce.

Esse boom impulsionado pela pandemia forçou milhares de empresas a terem de adotar, muitas vezes do dia para a noite, as mais diversas tecnologias para o aprimoramento da jornada do cliente.

Segundo estudos realizados pela International Data Corporation (IDC) entre 2018 e 2019, organizações que implantaram Inteligência Artificial em suas operações cresceram de 4% para 14%. No entanto, observa Elcio, esse percentual poderia ser muito maior já que a maioria ainda não se deu conta de que “não há caminho possível para a excelência” que não passe pelo mundo dos dados.

“A falha é sempre a mesma e o mercado será menos lucrativo enquanto continuar apostando em tecnologia sem extrair o que há de melhor dela”, alerta. “É realmente desafiador porque as soluções integram malhas de dados que, quando interpretadas, geram insights preciosos. Por isso a necessidade de que uma única área se responsabilize por essas informações e que entenda que todos os endpoints são importantes para detectar problemas com rapidez, ou até antecipá-los”.

Excelência por cultura

O CEO da Always On explica que o primeiro passo para a conquista efetiva da jornada impecável do consumidor é a adoção de um novo mindset.

“A gente costuma dizer que o consumidor é o petróleo, mas é a leitura dos dados entregues pelas ferramentas que melhoram o relacionamento e os valorizam”.

Para Élcio, o processo para que o cliente simplesmente não queira jamais trocar a sua empresa por outra, diz menos respeito às soluções implementadas em suas operações de atendimento, e mais à filosofia da própria companhia. “Customer Experience é, antes de tudo, ter como primeiro objetivo o bom relacionamento e o conhecimento real acerca das necessidades do seu público-alvo, o que é possível apenas pela curadoria dos dados. Com essa cultura instaurada, é hora de olhar para as ferramentas que melhor vão colaborar para que sua organização esteja, enfim, apta a oferecer a melhor experiência”.

Interpretação

Quando o executivo fala em malha de dados, ressalta que, por mais completa que seja a solução tecnológica, ela terá retorno muito menor se os dados e metadados gerados em cada setor não tiverem interpretação conjunta.

“O consumidor precisa dizer: ‘não tenho nenhum motivo para comprar de outra empresa porque o produto ou serviço é bom, o relacionamento é incrível, me atendem muito bem e até quando eu tive de resolver um problema foi ótimo porque a empresa se antecipou antes que eu tivesse de procurá-la e ainda resolveu o impasse sem burocracia’”, explica.

Mas, para que isso aconteça, ele reitera que não há mais espaço para erros bastante comuns nessa caminhada. “A leitura dos dados é quem vai possibilitar que você entenda em que momento da jornada está o consumidor”, fiz.

E adverte que tratar bem o cliente é uma obrigação. Mas há certos consumidores com os quais não se pode errar de jeito nenhum, sendo pelo seu valor para a empresa ou pelo seu momento na jornada. “Alguém que está há dias tentando solucionar o recebimento de um produto errado simplesmente não pode receber uma ligação ou e-mail do setor de vendas tentando vender outro produto. É a leitura de dados que vai possibilitar que não haja infortúnio como esses que podem custar a perda definitiva de um cliente”, continua.

Quem vai resistir?

Já deu para entender que todo o e-commerce de perfil reativo está fadado ao fracasso justamente porque espera, por exemplo, que o cliente informe sobre o atraso de uma entrega para que sejam tomadas as providências devidas – ou ainda oferece um produto que pode não significar nada para um potencial comprador.

Na contramão desse triste fim, a tendência é que companhias busquem por Customer Data Platforms (CDPs), plataformas de gestão de dados do consumidor que ajudarão empresas a melhorar suas campanhas direcionadas e melhor curadoria dos seus dados primários.

“Elas já são realidade e permitem às empresas direcionar melhor suas campanhas e ofertas com base no perfil de cada cliente. Quando é adequado oferecer para o cliente ‘x’ um sofá de R$50 mil ou quando a proposta deve ser de um sofá a um custo mais popular para um cliente ‘y’. Também identificam o momento em que determinado comprador de uma TV já pode estar habilitado a comprar um home theater de forma automática.

É sobre chegar nesse nível de sofisticação quando a gente olha a experiência do cliente do começo ao fim e passa a conhecê-lo de verdade por meio do real entendimento dos dados. Entenda isso e você se tornará de fato o dono da bola”, finaliza.

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