A pouco mais de dois meses da Copa do Mundo de 2026, os brasileiros (e as marcas) já começam a ver o jogo acontecendo. Só que fora de campo.
Não por acaso, 77% dos brasileiros pretendem mudar hábitos ou adaptar os seus gastos durante o Mundial, segundo estudo recém-lançado pela MindMiners. O evento deve impactar diretamente o comportamento de consumo no País: 34% dos entrevistados afirmam que vão mudar costumes, enquanto 43% dizem que tudo vai depender da ocasião – e, claro, do desempenho da seleção do Brasil dentro das quatro linhas.
E isso faz sentido. Porque, no Brasil, a Copa nunca foi só futebol. É um ritual coletivo, encontro e, inevitavelmente, consumo. Segundo o estudo, 83% dos brasileiros pretendem acompanhar o torneio, reforçando o peso cultural do evento e sua capacidade de mobilizar o País inteiro.
Quando a bola rola, o carrinho muda
A Copa reorganiza as prioridades dos amantes do esporte e isso aparece no carrinho de compras. Durante o evento, categorias básicas ganham protagonismo. Supermercados lideram, com 47% das intenções de consumo, seguidos por alimentos e snacks, com 43%, e bebidas (36%).
A casa vira quase como uma arquibancada: petiscos (57%), carnes para churrasco (51%) e snacks (46%) dominam o cardápio, enquanto refrigerante (76%) e cerveja (75%) lideram entre as bebidas.
Ou seja, a experiência dessa Copa vai ser compartilhada e com gosto de casa. Apenas 22% pretendem assistir os jogos em bares, restaurantes ou locais públicos, com maior concentração entre consumidores da Classe A.
Apostas também entram em campo
Outro movimento que cresce com o evento é o das apostas esportivas. Segundo o estudo, 53% dos brasileiros pretendem apostar durante a Copa, e, para a maioria, o torneio funciona como um gatilho para entrar ou intensificar esse comportamento.
Mais do que uma categoria à parte, as bets passam a fazer parte da experiência do jogo, ampliando o engajamento em tempo real e criando uma camada adicional de interação com as partidas.

A Copa é coletiva dentro e fora da tela
Assistir sozinho? Até acontece. Mas não é o padrão. A maioria dos brasileiros pretende acompanhar os jogos em grupo:
- 57% em casa com amigos ou família;
- 41% na casa de outras pessoas;
- 18% no trabalho.
E esse comportamento se estende para as telas: a TV aberta ainda é a queridinha, com 53% tendo-a como canal preferido. Mas o digital já divide atenção, com YouTube e creators ganhando espaço, especialmente entre a Gen Z: 49% do público mais jovem pretende assistir aos jogos pela CazéTV, mostrando como o consumo de mídia já mudou para as novas gerações.
Para as marcas, o jogo é outro
Se a Copa é um dos maiores palcos de conexão com o consumidor, também se tornou um dos mais exigentes.
Para 70% do público, as marcas que abusam da criatividade durante o torneio se tornam mais relevantes, e para 74%, a diversão e o bom humor no conteúdo das marcas melhoram a experiência.
Mas, por outro lado, 57% percebem que algumas marcas forçam sua presença e isso os faz perder o interesse. Por isso, já não basta mais apenas estar, é preciso fazer sentido.
Promoção, como em qualquer época do ano, ainda é o maior gatilho para atenção: 47% sempre prestam atenção quando há descontos. Criatividade, interatividade gerando prêmios e brindes e humor aparecem logo atrás, mostrando que o jogo da atenção está mais complexo.
Como jogar além do campo?
Estamos prestes a vivenciar um evento social que reorganiza conversas, rotinas e consumo ao mesmo tempo. E, justamente por isso, cria uma oportunidade rara para as marcas: não apenas vender mais, mas fazer parte de um dos poucos momentos em que o País inteiro vive a mesma emoção ao mesmo tempo.
Nesse cenário, o consumo deixa de ser individual e passa a ser social, transformando a casa na principal arquibancada e as decisões de compra em escolhas mais emocionais e contextuais.
Mais do que ocupar espaços de mídia ou patrocínio, existe uma oportunidade clara de entrar nos “micro-rituais da torcida”: assistir junto, preparar comida, decorar a casa, comentar nas redes. Marcas que conseguem participar desses momentos deixam de transmitir uma mera comunicação e passam a ser experiência.
Na prática, isso significa sair da lógica de produtos isolados e começar a organizar o consumo em torno da ocasião. Criar kits, integrar categorias, conectar canais e pensar jornadas completas, do planejamento antes do jogo até a interação em tempo real durante as partidas.

Porque, durante a Copa, as pessoas não compram apenas produtos. Elas compram a experiência de viver o jogo juntas.
E, nesse contexto, ganha quem entende que visibilidade já não é suficiente. Afinal, se a marca estiver presente em um momento inesquecível de emoção, seja na conquista do hexa ou em uma goleada vergonhosa do adversário, ela sempre será lembrada como parceira.





