Em 2025, o Brasil registrou 9,3 milhões de turistas internacionais, um crescimento de 37,1% em relação a 2024 – quando o País recebeu cerca de 6,7 milhões de visitantes, até então o maior número da série. O recorde confirma uma tendência global de ascensão e expansão do setor.
No mercado internacional, o segmento de viagens de luxo também acelera. Avaliado em US$ 2,72 bilhões em 2025, deve saltar para US$ 5,73 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 8,68%, segundo a Fortune Business Insights. O movimento tem atraído investidores atentos à sofisticação da demanda e à busca por experiências mais personalizadas, exclusivas e integradas ao lifestyle.
É nesse cenário que a Accor, um dos maiores grupos de hospitalidade do mundo, reforça sua estratégia de expansão e consolidação no Brasil e nas Américas.
Expansão
Com 45 marcas em todos os segmentos, o grupo registrou crescimento de € 5,6 bilhões, com destaque para luxo e lifestyle, que avançaram 9,9% em relação ao ano anterior.
“Os resultados de 2025 nas Américas representam marcos consistentes em nossa estratégia de crescimento para a região. Alcançamos um RevPAR de dois dígitos, aceleramos nosso desenvolvimento e fortalecemos nosso pipeline de forma sustentável”, afirma afirma Thomas Dubaere, CEO Accor Américas para a Divisão Premium, Midscale & Economy.
A estratégia de crescimento do grupo vai além dos indicadores financeiros. “Esses números refletem não apenas a força do nosso modelo de negócio, mas também a confiança dos parceiros em nosso ecossistema, que integra performance operacional, inovação digital e modelos de recorrência, como nossas assinaturas e parcerias estratégicas, que expandem nossa presença e geram valor a longo prazo para a Accor”, complementa.

Entre o luxo e o midscale
Para a Accor, o Rio de Janeiro representa uma fatia estratégica importante nos negócios. A companhia investiu diretamente na aquisição e reposicionamento de ativos de luxo na cidade, incluindo o Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, além da preparação para a reabertura do Sofitel Rio de Janeiro Ipanema, prevista para o fim de 2026 após ampla renovação.
A marca Sofitel, embaixadora do luxo francês, também concluiu reformas emblemáticas no Sofitel Montreal Golden Mile e no Sofitel New York. Na América do Sul, anunciou ainda residências de marca em Puerto Madero, na Argentina, o que aponta para uma tendência global de integração entre hospitalidade e mercado imobiliário de alto padrão.
Segundo Dubaere, a reorganização do grupo em duas grandes divisões – luxo & lifestyle e premium, midscale & economy – foi determinante para dar foco estratégico às marcas. “É impossível ter a mesma abordagem para um ibis e um Raffles. São universos completamente diferentes”, resume o executivo.
Tendência: branded residences
Hoje, 70% dos novos projetos globais de luxo da Accor já incluem branded residences. O que antes era exceção virou regra. O modelo combina hotelaria com unidades residenciais associadas à marca, diluindo riscos financeiros e antecipando receitas durante a fase de desenvolvimento.
“Quando você faz um residencial, você começa a ter fluxo de caixa no primeiro dia da venda. Isso muda totalmente a equação do desenvolvimento do hoteleiro residencial”, explica Abel Castro, Chief Developent Officer, Accor Americas PM&E.
Ao analisar a expansão do modelo de branded residences e sua capilaridade em diferentes categorias, Abel Castro destaca que a estratégia já ultrapassa o universo do luxo.
“Isso não acontece mais apenas no segmento de luxo. Esse movimento já desceu o padrão e hoje está presente também em marcas premium e até em categorias midscale. No caso da Accor, temos diversos projetos em desenvolvimento ao redor do mundo. Um deles é o modelo do Pullman, que reúne hotel e residencial no mesmo empreendimento. Você tem o hotel – dentro da categoria midscale – e, ao mesmo tempo, um residencial integrado a essa estrutura”, explica. “Existe, portanto, uma migração do ultraluxo para o premium, e do premium para midscale. O que é interessante porque traz oportunidades principalmente para mercados em desenvolvimento econômico.”

Faena São Paulo e a sofisticação imobiliária
Essa lógica se materializa no futuro Faena São Paulo, previsto para 2029. Desenvolvido em parceria com investidores locais, o projeto terá 99 quartos de hotel e 120 residências de alto padrão, além de centro cultural e restaurantes autorais. A proposta segue um movimento já consolidado em cidades como Miami, Nova York e Dubai: morar sob a chancela de uma marca de luxo.
A estratégia também desce na pirâmide. Projetos híbridos, como hotel + residencial, já aparecem em marcas premium e até midscale, ampliando a capilaridade do modelo. “Não é apenas morar em um endereço, é morar em uma marca”, diz Abel Castro.
Agro no mapa do desenvolvimento
Outro vetor de crescimento vem do interior do País. Cidades impulsionadas pelo agronegócio, antes fora do radar hoteleiro, passaram a integrar o pipeline da companhia. Municípios como Primavera do Leste e Sinop, ambos no Mato Grosso (MT), exemplificam esse novo mapa de expansão.
A Accor encerrou 2025 com 445 hotéis e estabeleceu como meta chegar a 600 unidades nos próximos anos. O pipeline saltou de 65 para 100 hotéis, refletindo confiança mesmo em um cenário de juros elevados e volatilidade política. “Alguns desses hotéis já estão abertos e performando muito bem. Criamos um mercado novo e as necessidades do agro abrem uma grande via de desenvolvimento para nós”, afirma Abel Castro.
IA como novo pilar da experiência
Se o crescimento físico é robusto, o avanço digital é igualmente estratégico. A Accor estruturou sua atuação em inteligência artificial em três frentes: hóspedes, operação hoteleira e colaboradores.
Entre as iniciativas, está o AI Concierge, que permite interação via WhatsApp e, em breve, aplicativo próprio, com personalização baseada no histórico do cliente. A empresa também reformulou seus mecanismos de busca com motor de IA e atua para que seus hotéis estejam otimizados em plataformas como ChatGPT e Gemini, acompanhando a mudança na forma como viajantes pesquisam e decidem destinos.
Internamente, a companhia desenvolveu ferramentas próprias de IA e firmou parcerias tecnológicas para análise automatizada de reviews em plataformas como TripAdvisor e Google, transformando comentários em planos de ação para cada hotel.
Na gestão de receitas, 100% dos hotéis PM&E gerenciados nas Américas passaram a operar com o IDEAS, sistema de Revenue Management baseado em Machine Learning, permitindo precificação dinâmica e mais estratégica.
Além disso, 97% das unidades já utilizam o Opera Cloud como sistema de gestão. Além disso, quiosques de autoatendimento com recursos de IA para upselling e reconhecimento facial estão sendo implementados, 20 hotéis no Brasil já operam com a tecnologia, com expansão prevista ao longo do ano.

Experiência como estratégia
A transformação não se limita à tecnologia. Em 2025, a Accor investiu fortemente em gastronomia e design como extensões da experiência. Projetos como o Macáya Gastronomia no Pullman São Paulo Ibirapuera e o Lolatella Trattoria no Novotel São Paulo Berrini reforçam o conceito de hotel como polo urbano de convivência.
A reforma do Pullman São Paulo Ibirapuera trouxe nova categoria Premium Executive – Clean Beauty, com foco em bem-estar, materiais naturais e integração de espaços. Além disso, a marca Pullman passou por uma transformação global de marca e a criação da plataforma internacional Pullman xChange, focada na troca de ideias e experiências.
Mais do que apenas hospedar, Pullman se propõe a ser um catalisador de encontros e experiências. A marca Novotel iniciou 2026 anunciando seu novo posicionamento, Longevity Everyday, alinhado às tendências de bem-estar que guiam os hóspedes contemporâneos. A direção busca criar experiências que promovam descanso, nutrição equilibrada, movimento e conexão durante a estadia.
Segundo o grupo, na área financeira, a digitalização eliminou mais de 370 mil folhas de papel em 40 hotéis em apenas um ano, redução de 63% nos controles de recepção. A medida trouxe ganhos ambientais, rastreabilidade e segurança operacional.






