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Alex Osterwalder: “Há um abismo entre a ambição e a habilidade de inovar”

Alex Osterwalder: “Há um abismo entre a ambição e a habilidade de inovar”

Em painel de abertura do Conarec, Alexander Osterwalder, Co-Founder da Strategyzer, explica que saber investir em inovação é o que torna empresas invencíveis
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O que significa inovar? Parece uma pergunta fácil de responder, mas Alexander Osterwalder, Co-Founder da Strategyzer, mostrou no painel de abertura do Conarec 2022 que superar esse desafio não é tão simples quanto parece. Osterwalder é um dos especialistas mais influentes do mundo nesse tema afirmou que, apesar da maioria dos gestores ter a inovação como uma das três prioridades das empresas, apenas 20% estão prontos para escalar inovação: “Há um abismo entre a ambição e a habilidade de inovar”.

Isso acontece, segundo o palestrante, porque existem vários tipos de inovação. Os mais comuns e que costumam se confundir são a inovação de eficiência e a inovação transformadora. A principal diferença entre elas é que a primeira tem como foco melhorar processos através do gerenciamento de modelos já existentes, enquanto a inovação transformadora visa explorar o futuro.

Osterwalder explicou que explorar envolve mais riscos e por isso acaba sendo mais desafiador para as marcas, mas por outro lado é o único caminho possível para evitar que as empresas fiquem obsoletas. “Se reinventar, inventar novos modelos de negócio, explorar novos formatos, novos mercados, novas tecnologias, é isso que constrói uma empresa invencível”, afirmou o Co-Founder da Strategyzer.

Saber abraçar o fracasso

Durante o painel “Construindo Empresas Invencíveis”, o especialista, classificado em 4º lugar entre os 5 maiores pensadores de gestão no mundo, falou que, quando pensamos em inovação, o fracasso é inevitável e saber gerenciá-lo é essencial para o sucesso.

“O fracasso não é bom em lugar nenhum, mas é inevitável. Quando você está inventando o futuro, saber administrar o fracasso é imprescindível. A cultura do fracasso é essencial para inovar”, enfatizou o palestrante.

Segundo Alexander, quando se fala em inovação transformadora, é impossível planejar. Inclusive, segundo ele, planos de negócio são inimigos da inovação. Para explorar o novo e ter resultados positivos o caminho é “testar, testar e testar”. Para isso é importante saber que de 10 projetos, 9 serão descartados.

A partir daí, o especialista ressalta que uma das principais habilidades que o CEO de uma empresa precisa ter para inovar é saber extinguir projetos, caso contrário, a equipe será “condenada ao sucesso” e vai sempre escolher não arriscar. “Quando a equipe não arrisca, a inovação não acontece. O CEO precisa entender que somente 10% dos projetos vão ter êxito, mas vão ter muito êxito. Por isso é importante que o líder crie um ecossistema propício para que os vencedores apareçam”, concluiu.

Reduzindo Riscos

Como já ficou claro, os riscos são essenciais em um processo de inovação eficaz. Mas, o Co-Founder da Strategyzer ressaltou que os gestores precisam saber reduzir esses riscos. O principal, segundo ele, é começar com investimentos pequenos, monitorando os resultados junto com a equipe de aceleração, e aumentar o valor investido conforme as ideias ganhem forma. Alexander apresentou dois exemplos, um da Bosch e um de um produto de uma empresa pequena da Suíça, que trabalha com ferros de passar roupa, para ilustrar esse cenário.

“Os gestores precisam entender que pode ser um trabalho ruim. Inovação é diferente de ilusão. Não significa criar novos modelos de negócios malucos, mas fazer algo que nunca fez antes como empresa. Inovação é o início de uma ideia. A gente só tem uma tarefa que é aceitar que você não faz ideia do que vai acontecer e precisa reduzir o risco. Então, começa pequeno e barato e vai aumentando o investimento na medida em que funciona”.

Alexander Osterwalder lembrou que quando se disponibiliza muito dinheiro, muitas vezes se cria algo que parece fantástico, mas que ninguém quer, porque se deixa de testar interações.

Inovação x Tecnologia

No painel que abriu a edição de 2022 do Conarec também foi destacada a diferença entre inovação e tecnologia. Alexander reforçou inúmeras vezes que a inovação pela tecnologia é apenas uma variável dessa equação. O mais importante para as empresas é pensar em como criar valor para os clientes com novos modelos de renda, com novos formatos, explorando novas geografias. E isso pode acontecer com ou sem uma tecnologia inovadora.

Para ilustrar, o especialista trouxe o exemplo do Nintendo Wii, videogame que foi lançado com uma tecnologia inferior a do Playstation e do Xbox, mas que soube explorar uma fatia do mercado que não estava sendo atendida pelos produtos que já existiam. A Nintendo se concentrou em outro segmento de clientes, famílias que queriam jogar junto e ofereceu modelos de jogos simples.

“Era um produto com tecnologia inferior, mas com um mercado maior e acabou gerando um lucro maior. Então, não se limitem pensando que inovação é tecnologia”, explicou.

Quanto tempo o CEO deve gastar pensando em inovação?

Alexander Osterwalder afirmou que o CEO precisa gastar pelo menos 40% do seu tempo pensando em futuro, caso contrário a empresa não vai inovar. Para isso, o especialista recomendou que as empresas contratem um CEO empreendedor. Além disso, o palestrante enfatizou que abaixo do CEO precisa existir um profissional que dedique 100% do tempo à inovação e que dissemine essa cultura na empresa. Essa pessoa, segundo Alexander deve ser experiente e respeitada por todos.

Desaprender modelos mentais

O Co-Founder da Strategyzer finalizou o painel sugerindo um exercício: pediu que todos desenhassem uma casa e que decorassem ela do jeito que quisessem. No final, mostrou o desenho de uma casa como ela costuma ser desenhada e quase todo mundo tinha seguido aquele mesmo modelo.

Alexander Osterwalder então concluiu dizendo que em uma empresa, em um setor, em uma indústria, todos temos um modelo mental de como o negócio funciona. “Você olha para o lado e assim como no desenho da casa, todos estão fazendo a mesma coisa. É preciso desaprender esses modelos mentais para criar empresas invencíveis”.

 

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