Esse não é uma reflexão mórbida, como poderia presumir o título acima. Prometo ser bem equilibrado mesmo porque morte e tristeza não necessariamente caminham de mãos dadas. Afinal, há morte que é vida.
O fato é que é que a morte caiu bem para o ano de 2016. Não apenas porque morreram figuras populares, de condutas controversas ou amadas por inteiro e até unanimemente odiada. Morreram também ideias – e os assassinos somos todos nós.
Foi um ano em que a morte se apresentou de maneira stricta, lato ou foi uma figura de linguagem. Fidel foi o último, mas tivemos as mortes do escritor Dario Fo, Leonard Cohen, Prince, entre tantos outros. A lista inclui tanta gente que não perderei o meu tempo listando todos eles nesse espaço. Afinal, prometi não ser fúnebre.
No caso de Fidel, ele levou para a sepultura um socialismo gerado em meado do século passado. E estamos realmente falando do fim de uma ideia, afinal o irmão, Raul, seguiu em direção contrária em diversos pontos importantes de Fidel.
Antes, o próprio “El Comandante” já havia enterrado justamente aquele que seria o seu sucessor, no caso Hugo Chavez e o seu socialismo do século 21. Restaram alguns líderes sulamericanos com algumas ideias paroquiais – e nada além disso. Sinceramente, não devem prosperar.
Penso que Fidel será uma espécie de pá de cal de uma reflexão e execução da política que foi moda na América latina nos últimos anos. Devem surgir outros e alguns até mesmo supostamente de esquerda. Mas será que devem encampar a mesma bandeira?
Digo mais: penso que todo o velho organograma político deverá mudar. Esquerda ou direita devem encerrar suas carreiras – e se engana quem afirma que o primeiro morreu por último, pois é justamente o inverso. O que deve florescer não é um modelo purista de grupo conservador, de direita ou até uma espécie de liberal democracia. De fato, há algum conceito aqui ou ali que deverá ser incorporado, mas penso que o fim das bandeiras vermelha e azul está próximo. Aliás, convenhamos, essas diferenças de cores é tão infantil, tão céu e inferno…
Chegou a vez do político amador, mas formado nas fileiras empresariais. Ou seja, vem aí um gestor profissional – justamente o que as velhas raposas não são. São trazem novas ideias, vão esbarrar em velhas práticas, mas teremos avanços. Nessa linha, temos Maurício Macri e até mesmo Juan Manuel Santos, o presidente colombiano e dono do jornal El Tiempo. O próprio Trump, de um jeito ou de outro, poderia ser inserido dentro dessa ideia.
Se tudo acontecer, poderemos ver a morte da velha política. Será o sepultamento de um modelo de uma política que serviu de inspiração para a inteligente sátira do teatro político de Dario Fo, que, a propósito, também morreu este ano.
Que ano! Morreram velhos políticos. Foram-se velhas políticas. Sepultamos o último grande artista pop. Morreu o verdadeiro rock depressivo. Eu ouvi dizer que até o chamado funk ostentação também se foi em função da crise econômica, segundo uma entrevista do tal MC Guimê. O que virá depois?





