/
/
Varejo Phygital: tecnologias e estratégias para trazer o cliente ao centro

Varejo Phygital: tecnologias e estratégias para trazer o cliente ao centro

Fórum Digital Consumidor Moderno, feito com o apoio da Proa.AI, debate estratégias para levar a experiência da loja física para os meios digitais
Legenda da foto

Depois do avanço tecnológico promovido pela pandemia, ficou quase impossível viver sem a presença do digital. Essa percepção chegou principalmente ao varejo, uma vez que o comércio físico foi inviabilizado pelo isolamento social e, para sobreviver e se conectar com o cliente, precisou se adaptar ao ambiente online. Toda essa forma de trazer a experiência física e digital, algo que chamamos de phygital, criou uma série de inovações e atualizações ao mercado, que agora ruma a um caminho mais certeiro: a necessidade de colocar o consumidor em evidência por meio da experiência híbrida.

Esse foi o principal debate do Fórum Digital Consumidor Moderno “A incrível transformação do varejo phygital: tecnologias para dinamizar a experiência e os resultados”, promovido com o apoio da Proa.AI que aconteceu em 04/05/2021. Com a presença de Farias Souza, CEO da Vércer, Felipe Mendes, general manager LatAm da GfK, Rogério Barreto, CEO da Proa.AI e mediação de Jacques Meir, diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão, o fórum discutiu estratégias para utilizar a tecnologia em favor dos resultados das organizações e da jornada do cliente, gerando experiências marcantes e transformações duradouras nos negócios.

“O varejo físico passou a ganhar outras direções e desde então assistimos a uma ascensão no varejo phygital, um varejo híbrido no qual seja quase que indistinguível a presença do digital para as nossas experiências físicas”, destaca Meir.

A experiência phygital e as novas tecnologias

Um dos principais aspectos da pandemia que levaram à ampliação da essa experiência phygital foi a dificuldade que as empresas tiveram em adaptar os negócios ao digital de forma mais incisiva, diferente de apenas ter um canal de informação online ou um pequeno e-commerce com pouco desenvolvimento nos canais com o cliente.

“A maior parte das empresas não foi construída para ser digital, portanto, radial e simultânea. A maior parte das empresas foi construída para ser linear e sequencial, um processo depois do outro, e com a ascensão do phygital isso fica quase impossível”, destaca o diretor-executivo de Conhecimento do Grupo Padrão.

Para Felipe Mendes, quando as pessoas se viram isoladas, o primeiro passo para de fato entrar no e-commerce foi apostar no que era seguro: procurar por lojas físicas já conhecidas. “Penso o seguinte: qual foi o primeiro hábito de um consumidor médio para fazer uma compra? Ele abriu um navegador e digitou o endereço do site que conhecia. No que ela fez foi puxar uma loja física da lembrança e digitalizar aquilo para um site. Não podemos esquecer que o Brasil é um país de varejo físico. E se ele encontrou aquilo, resolveu o problema dele”, comenta.

Esse pensamento é compartilhado por Farias. Para ele, o aproveitamento foi maior para as empresas que souberam como administrar a parte física e digital: “Costumo falar com meu time e parceiros que definitivamente ou você é ‘.com’ ou ‘.fora’. As empresas que já entenderam isso conseguiram aproveitar muito melhor toda essa onda”. Ele salienta que o maior desafio é levar a loja física para dentro da casa do cliente. “Levar a loja física é levar a experiência do cliente — que vai visitar, por exemplo, um varejo alimentar, uma loja de tênis —, é um desafio. Afinal, como levar à casa do cliente a mesma proposta, condição de pagamento ou preço? Cada vez mais, vemos que conveniência é o ‘x’ da questão quando falamos do digital”, completa.

Sobre a experiência híbrida, Felipe comenta também que o cliente tem a necessidade de uma compra que misture o físico e o digital principalmente para produtos mais caros. “No ano passado, 70% das compras de eletrodomésticos tiveram um componente phygital na jornada. Ou seja, o cliente buscou algo na internet e buscou algo no meio físico. Mas as compras foram só de 40% no online. Ou seja, as pessoas passarão pelo phygital para fazer a compra. E quanto mais caro o produto, mais a pessoa precisa ser assistida na compra, portanto — e isso que é o interessante —, maior a chance do digital ter um papel ativo na venda.”

Omnicanal e a realidade brasileira

Outro grande destaque feito durante o fórum foi a necessidade de reconhecer que o cliente demanda por personalização e centralidade. Ou seja, as empresas que não trabalham bem a omnicanalidade acabam, consequentemente, ficando para trás.

Entre os canais mais próximos do consumidor, Rogério destaca o WhatsApp e a importância do uso dele para os negócios durante a pandemia. “Adotamos o WhatsApp como canal principal dos atendimentos, o WhatsApp está sempre lá, você passa no varejo de rua e vê que o atendimento é pelo aplicativo. Por mais que os robôs sejam adotados para reduzir posições de atendimento em um call center, adotamos ele para ser um canal de atendimento a mais para o cliente final. Não queremos reter a qualquer custo, damos opções, essa nossa filosofia: deixar o cliente se servir por onde ele achar melhor”, explica.

Outro destaque dado a esse processo de automatização no atendimento omnicanal é a necessidade de humanização, que vai além de apenas definir mensagens iguais, no estilo “copia e cola”. “Por sermos um modelo produtivo, não tem um produto que eu copio e colo. Humanizar não é apenas colocar um emoji, é trazer a frase que o seu vendedor da ponta fala a cada atendimento no varejo. Quando falamos de abrir todos os canais, o cliente precisa mesmo assim ter um atendimento unificado. Se for na loja física, tem que ter a mesma experiência pelo WhatsApp”, completa Rogério.

Para Farias, é importante também destacar que a implementação do omnicanal e de tecnologias ativas para o chatbot, por exemplo, podem ser mais econômicas e de fácil manutenção do que aparentam. “O grande desafio aqui é fazer com que essas empresas entendam o valor da implantação dessas tecnologias, que na maioria das vezes tem um investimento muito abaixo do que eles pensam e a cada dia que passa, nós temos mais inteligência sobre isso. No final do dia, a gente precisa vender mais, todo mundo precisa faturar e esse é um canal mais fácil, dentro da demanda dos clientes.”

É possível trazer totalmente o físico para o digital?

Embora muita gente pense que sim, a resposta é um pouco diferente. Para Felipe, a pergunta a ser feita é outra: “A pergunta é sempre a mesma: como fazer o tátil no digital? Mas acredito que isso a gente nunca vai conseguir. A grande sacada é: como eu faço para ter uma experiência digital melhor? Mais do que trazer a sensação de um mundo para o outro, temos que pensar em como trazer uma experiência única dentro do digital por si só. E, com isso, a realidade virtual, realidade aumentada podem sim jogar esse jogo, mas não de maneira a substituir o tátil, mas em aumentar o prazer que o cliente tem em consumir o digital”, explica.

É importante, dessa forma, pensar no digital como uma reprodução de si próprio, ao invés de tentar trazer uma realidade fictícia, com a tentativa de copiar a realidade tátil. Além disso, é sempre importante lembrar que a inovação vai ao encontro das preferências do cliente. “É sim preciso trazer essa experiência do físico para o digital, já temos ferramentas para isso. O que importa agora é como deixar isso criativo e personalizado para cada cliente. A gente não está aqui com a bandeira de que a inteligência artificial vai substituir o humano, acreditamos na mudança de níveis. A experiência vem na ponta e o digital pode trazer isso da forma dele”, completa.

Por fim, Farias completa que o varejo físico ainda vai existir e é preciso ter um equilíbrio entre ambas as partes, que consiste em repensar a funcionalidade das lojas. “Tem cliente que ainda vai querer visitar uma loja. Ou seja, ainda teremos varejos nichados que vão trabalhar muito no tátil.”

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Sheglam chega ao Brasil em junho com 150 produtos, preços a partir de R$ 29,90 e meta de R$ 50 milhões em faturamento no primeiro ano.
Sheglam desembarca no Brasil com foco na GenZ
A marca de cosméticos do Grupo Shein chega ao Brasil em junho com 150 produtos, preços a partir de R$ 29,90 e meta de R$ 50 milhões em faturamento no primeiro ano.
Carla Beltrão, VP de Customer Experience da Vivo
“O cliente não quer mais canais, quer continuidade”
Carla Beltrão, VP de Customer Experience da Vivo, defende que o futuro do CX depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade de criar jornadas fluidas e humanas.
Fabricio Dore, diretor de Experiência e Design do Itaú Unibanco, destaca as estratégias por trás da indicação do banco na categoria Empresa do Ano do Prêmio Consumidor Moderno 2026
Multidisciplinaridade e tecnologia: a receita do Itaú para CX
Itaú Unibanco, empresa indicada à categoria especial Empresa do Ano do Prêmio Consumidor Moderno, combina IA, design e experiência para transformar escuta ativa em soluções.
Para a Brasilcap, experiência do cliente não se constrói apenas na contratação, mas na capacidade de gerar presença e valor na jornada.
CM Entrevista: Confiança se constrói na repetição de boas experiências
Para a Brasilcap, experiência do cliente não se constrói apenas na contratação, mas na capacidade de gerar presença e valor na jornada.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.