Nova palavra para questões existenciais, a “digitalização” se tornou uma fonte de perguntas ou respostas erradas que as empresas fazem para si ao repensarem seu papel no mundo. Diante de um apagão de profissionais de tecnologia da informação, muitas empresas se esforçam em contratações precipitadas para tomar decisões sobre projetos de digitalização, em paralelo à manutenção de culturas corporativas desajustadas que acabam atrasando ainda mais a transformação digital desejada.
Dados alarmantes do Instituto da Transformação Digital (ITD) retratam com nitidez o tamanho da dificuldade das empresas brasileiras neste mandatório processo de transformação digital. Para além do brilho de algumas empresas que nos relacionamos no B2C e salvas poucas estrelas no nível empresa-empresa, o universo B2B brasileiro está na escuridão digital.
Dados do diagnóstico de maturidade digital da indústria brasileira feito com mais de mil empresas mostram que o B2B brasileiro está penando com a transformação digital, cujo objetivo é dar relevância à empresa na era do consumidor (hiper)conectado por meio de novas oportunidades e implementação de processos mais eficientes visando lucratividade.
“Não é a tecnologia que está impactando os negócios. É a mudança do comportamento do consumidor. Mas 70% das empresas (B2B) estão falhando em suas estratégias de maneira recorrente. Se escolho uma plataforma errada agora, levo seis meses para perceber que é inadequada e recomeço o mesmo ciclo: mais seis meses de escolha recolocação no ar e mais seis meses para ver resultado”, observa o presidente do ITD, Paulo Kendzerski.
Hoje, as principais dificuldades do B2B brasileiro para a transformação digital são: conhecimento da equipe (28,8%), investimento (22,9%) e ter experiência prática (19,1%).
As empresas não dominam a transformação digital
O digital invadiu as empresas sem precedentes. Propondo transformação digital como subsídios para o crescimento de empresas de todos os tamanhos e segmentos, Paulo diz que é o consumidor quem domina o andamento das mudanças. “Ele quem impõe, que exige uma atuação diferente de uma empresa que existe há 20, 50, 100 anos. Por isso, é preciso entender o cliente, preciso definir novos pontos de contato e identificar novas formas de comunicação. É preciso mudar o processo operacional”, concluiu ele, exemplificando com situações em que clientes entram em contato e a empresa avisa que não atende em tal horário.
Sendo assim, os elementos da transformação digital são a experiência do consumidor, os processos operacionais e os modelos de negócios. Quanto à experiência do consumidor, Paulo ressalta que é necessário entender o cliente para definir pontos de contato e identificar novas formas de comunicação. Nos processos operacionais, é importante mapear métodos, capacitar colaboradores e gerenciar performance. Quanto aos modelos de negócios, cabe à empresa criá-los e definir formas de medir resultados.
Inteligência digital, presença digital e ferramentas de comunicação
A escuridão digital no B2B brasileiro se dá em três dimensões — que são as usadas nas métricas do diagnóstico de maturidade digital da indústria do ITD: inteligência digital, presença digital e ferramentas de comunicação. Quanto ao uso de ferramentas de inteligência digital, o B2B sobre com baixas taxas de uso de ferramentas gratuitas para gerenciamento, gestão de publicidade, mapeamento de comportamento do usuário e outras.
“Há uns anos, o Google já tinha visado que aquele que não tivesse um certificado digital seria pior ‘rankeado’. Agora, temos ainda a LGPD, que torna essa certificação ainda mais necessária. O certificado é gratuito”, alerta Paulo.
Quanto à presença digital, 97,4% das empresas B2B não aparecem nas buscas da 1ª página do Google. E mais: 5% dos sites delas simplesmente não carregam, 17% nem sequer aparecem nas buscas, 14% não têm página oficial e mais de 30% não têm perfil oficial nas redes sociais.
Sobre ferramentas de comunicação, quase nenhuma delas coleta dados de comportamento por meio de seus sites e 83,5% dos sites têm tempo de carregamento insatisfatório, 14,5% razoável e 0,2% excelente. “Estamos na era da ansiedade. O cliente não fica esperando um site carregar”, lembra Paulo, observando também a demora nas respostas dentro de um período de quatro horas.
Projeto não, jornada
Muito se fala em transformação digital. Mas poucos estão de fato a promovendo de forma concreta, com eficiência e velocidade. Paulo observa que o empresário não pode delegar a função de líder da transformação digital de sua empresa. Para Paulo, o processo não é mais um projeto único e sob um departamento. É uma jornada.
“Ele precisa ser o condutor das mudanças, para que sua empresa obtenha o conhecimento necessário para usufruir de todas as informações e recursos que a transformação digital oferece. o futuro pertence a quem souber se adaptar e evoluir”, conclui Paulo.
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