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A volta da Idade Média

A volta da Idade Média

"O mercado central está voltando. Mais frequentes nos centros urbanos do Ocidente, as lojas dedicadas à alimentação gourmet ou orgânica estão ressurgindo"
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Tendências, movimentos e fenômenos emergem e desaparecem. Às vezes, surgem das cinzas e driblam tempo e o espaço. Exemplo disso é o mercado central – uma instituição secular, com origem na sociedade industrial – que está, agora, retornando de forma triunfante. Na Idade Média, o mercado central era uma parte importante do cenário urbano, geralmente localizado na região central, em frente à catedral, no denominado “marco zero” da cidade.

Por lá, você podia comprar comida e outras necessidades do dia a dia, geralmente produzidas. Naquele tempo, não havia lojas semelhantes àquelas que conhecemos hoje, onde podemos escolher roupas, sapatos, acessórios de cozinha ou copos das estantes e comprá-los todos juntos. Os “mercadões” da Idade Média eram oficinas nas quais artesãos produziam sob encomenda, muitas vezes de acordo com a especificação: sapateiros, mercadores, ferreiros, carpinteiros, vidraceiros etc.

As lojas de mercadorias vieram depois e, no começo, vendiam produtos de lugares distantes: pimentas, perfumes, açúcar obtido a partir da cana, café, chá, tabaco, vinhos, tecidos exóticos e muito mais. Como precursoras do que veio a ser uma loja de conveniência, as lojas de mercadorias também começaram a lidar com produtos que antes eram vendidos nos mercados centrais.

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Com o advento da industrialização, os artesãos fecharam as portas e foram substituídos por cadeias de lojas com produtos manufaturados. Os mercados centrais morreram e entidades maiores passaram a representar parcelas cada vez maiores de participação: supermercados, armazéns e grandes centros comerciais distantes dos centros urbanos.

Mas, hoje, o “mercadão” está voltando. Mais frequentes nos centros urbanos do Ocidente, as lojas dedicadas à alimentação gourmet ou orgânica estão ressurgindo. Às vezes, há ingredientes locais sendo vendidos, mas, às vezes, há também iguarias sendo vendidas ou servidas por pessoas com intenso conhecimento sobre os produtos – geralmente porque elas mesmas produziram e ou importaram.

Qualidade e artesanato estão de volta à cena. Os vendedores estão optando por pessoas com mais entusiasmo pelos produtos. O retorno do mercado central pode estar relacionado em parte pelo fato de que mais e mais consumidores estão agora podendo pagar mais – muito mais – por alimentos de maior qualidade. Outro fator essencial é a impressão de um festival de fragrâncias exóticas.

Evidentemente, essa releitura da maneira artesanal de vender reaparece lentamente hoje em dia, mas é claramente uma experiência de redescoberta. Está viva nas cada vez mais presentes feiras de verão nas áreas rurais, em que entusiastas vendem seus artigos manufaturados, joias e outros produtos vintage. Quem sabe esses tipos de oficinas de artesãos, carpinteiros e pintores não reapareçam na vizinhança dos novos mercados de alimentação gourmet?

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